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Entrevistas

Aplicação distorcida

"É preciso adaptar arranjos institucionais importados de outros sistemas políticos"

Comentários de leitores

9 comentários

Sistema jurídico nacional

Da Silva 2016 (Advogado Autônomo - Trabalhista)

Quanto ao Direito Alemão, não deveria causar estranheza, pois nosso sistema é o romano germânico, mas aplicar o Direito Anglo Saxão, aos retalhos, desvirtua completamente nosso sistema jurídico.

Sempre atual esse resgate (2)

João Batista de Castro Júnior (Professor)

Essa busca por "legitimação" é que ditou o comportamento de importação bovarista de conceitos jurídicos da Alemanha, que nunca se adaptaram por aqui. Ironicamente, as críticas a Tobias Barreto, por procurar essa "brancura" intelectual pelas letras alemãs, partem quase sempre de quem, mesmo não sendo europeu puro, se incomoda que um nordestino mulato, mesmo com os defeitos do autodidatismo, como focalizaram Hermes Lima (não citado na entrevista) e Mario Losano (obra inigualável, que mereceria tradução em português), pudesse atingir as grimpas da expressão intelectual. Ele era outro polímata, fecundo em literatura, poesia (digladiou com Castro Alves), Direito, História etc.
Qualquer livro que queira ser atual hoje sobre o fenômeno Tobias Barreto deve passar necessariamente pela opressão do racialismo no Brasil de hoje e da época, em que o êxito era em grande parte medido pelo gradiente cromático, pois mesmo não havendo brancos no geral, os que mais se distanciavam da África tinham maior mobilidade nos círculos intelectuais e políticos.
Seu quixotismo de escrever um jornal em alemão, que somente ele era capaz de ler na sua cidade, deve-se provavelmente a um grito nunca verbalizado: sou mulato, mas sou gente e sou intelectual.

Sempre atual esse resgate.

João Batista de Castro Júnior (Professor)

Mais uma obra que espero contribua na compreensão de um período intelectualmente rico da história nacional. Parabéns.
Permito-me uma retificação: o Sílvio, amigo de Tobias, a que quis se referir Godoy, é certamente Sílvio Romero, e não Rodrigues, que não era um mero crítico literário, mas sim o que conhecemos como polímata, por ser destro em história social, musicologia, antropologia etc. Era desses homens poliédricos que o Nordeste originalmente conseguiu produzir. Romero tem histórias sensacionais que valeriam um livro à parte. E por falar em germanismo, foi em meio a uma controvérsia entre ele e o paraense José Veríssimo, já retratada por Fernando Morais, que Assis Chateaubriand buscou aparecer na cena intelectual do Brasil, afirmando inclusive que Romero não sabia alemão, como gostava de alardear.
Eis um bom exemplo da sedução pelas ideias alemãs, que inegavelmente têm contribuições metodológicas importantes para conhecimento do Brasil, como se vê da filiação weberiana de Sérgio Buarque de Holanda e sobretudo de Raymundo Faoro de "Os donos do poder", o qual melhor introduziu o conceito de "stand" ("estamento") para compreensão sociológica do Brasil.
Mas a nevralgia da germanofilia é que incomoda. Mal resolvidos com a cor da pele ("Le Brésil n'a pas de peuple", de Couty), o que faz com que um sobrenome não lusitano dê ares de ridículo caucasianismo a alguns brasileiros, muitos destes vão ao ridículo, mesmo ostentando fenótipo negroide ou mestiço, de se jactarem, por exemplo, de terem um tetravô alemão.

Palmas, Professor.

Um leitor... (Serventuário)

Parabéns pela bela entrevista e pela árdua pesquisa e inspiração, ao finalizar essa obra, sobre o fascinante Tobias Barreto, professor. Já estou ansioso para adquirir meu exemplar. Lembrei aqui também do jurisconsulto, conterrâneo, Silvio Meira ( como o senhor nomeou, ao tratar sobre a sua biografia, do Teixeira de Freitas, em uma coluna dos Embargos Culturais), que esteve na Alemanha, na mesma época, que o mestre Paulo Bonavides, sendo além do romanista consagrado, também um germanista de primeira grandeza, inclusive traduzindo majestosamente as maiores obras literárias germânicas, como Fausto e Guilherme Tell - que foi premiado até pelo próprio governo alemão.

Resgate histórico

Rivadávia Rosa (Advogado Autônomo)

Excelente ‘resgate’ sobretudo nestes tempos em que a própria noção de Direito está ameaçada pela deformação e corrupção das ideias, afastando-se das ‘enunciações universais’.

Iludido advogado autônomo

Iludido (Advogado Autônomo - Civil)

Acho que devemos primeiramente aprender a entender o seu brasil. Hoje, mais do que antes, um pais latrino muito confuso, cheio de favores internos e externos. Erros e desacertos. P. ex. quem politico, não prefere sem concurso tomar posse num tribunal de contas ao invés de ir livremente para o céu do SENHOR! O direito comparado, a doutrina alienígena, são meros sonhos da fantasia assim como a filosofia. Pura ilusão a caminho do quase ainda impossível. O brasil só faz coisa errada e dizem os mestres, (aqueles) todos científicos. Olha p.ex. a construção dos estádios hoje, puleiros de galinhas. Agora, olha a saúde e a sua segurança. Há! sinta o seu salário morte. SM 934. Para quem tem bom emprego neste lugares citados melhor que no céu, poucos em discriminação explicita, bem aposentado e então, com tempo de sobra apesar de muitos com rabo preso para falar a verdade, e por isso falsos de se mesmos, assim caminha o brasileiro, o eterno sonhador e tentados piratas chineses dos sonhos alienígenas. Olha o que Portugal está fazendo com os brasileiro hoje. Olha sim! E adoram falar de lá e ir para lá.. Querem adotar o sistema de 20 horas pelo sistema japonês como progresso neste pais como modernidade. PODE! PENSE NISSO!

Parabéns

João Francisco, Monte Aprazível (Auditor Fiscal)

Parabéns ao professor Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy, pela interessante entrevista e pela obra que acaba de editar. O professor nos oferece uma bela oportunidade para refletir sobre o encantamento que as doutrinas estrangeiras exercem sobre o pensamento jurídico brasileiro.

Aplausos efusivos ao Dr. Godoy e ao Conjur !!!!

Rejane Guimarães Amarante (Advogado Autônomo - Criminal)

Magnífica entrevista, sob todos os aspectos ! Pelo mais óbvio, por informar minuciosamente sobre a personalidade e a biografia de Tobias Barreto. Do ponto de vista da contextualização histórica, mais do que apropriada e pertinente para entender a nossa evolução e o que estamos vivenciando. E, do ponto de vista central, o que é o Direito no Brasil, aponta todas as incoerências, assimetrias, voluntarismos, enfim é o famoso "samba do crioulo doido". No entanto, no caso do "mensalão" e da "lava jato", por serem casos "nunca antes na História do Mundo", seguramente houve uma busca pela autoridade dos argumentos de autores consagrados, que, seguramente, ficaram assombrados ao constatar que a teoria é muito diferente da prática e que a teoria precisa ser aperfeiçoada rapidamente, pois o fato é incontestável. E não tenho dúvida de que a doutrina brasileira, tanto penal, constitucional, administrativa, e outros ramos correlatos como o Direito Financeiro e o Direito Eleitoral, será norteada por essa dolorosa experiência da corrupção generalizada e, pior, desavergonhada, pois mesmo exposta em vídeos irrefutáveis, continua a agir como que a desafiar "vamos ver quem ganha essa parada". Alguém já disse que todo homem tem seu preço. Todo País tem seu preço ?

Direito anglo saxão

O IDEÓLOGO (Outros)

Atualmente, no Brasil, apesar da influência do direito teutônico, o BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento e o FMI - Fundo Monetário Internacional patrocinam mudanças nas estruturas da arquitetura jurídica.
Os norte-americanos não compreendem o sistema legal germânico, que reputam pouco prático e, excessivamente metafísico, distante da realidade do homem comum. Afinal a filosofia de J. Bentham, que colaborou à edificação da jurisprudência britânica, é utilitarista, contrariamente à matriz da filosofia germânica, de cunho especulativo.

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