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Inteligência artificial

Entidades de advogados reagem a robô que ajuda em ações trabalhistas

“Não sou advogada, mas posso comprar a briga por você, assumir os custos e devolver os valores que você tinha pra receber, ficando com uma taxa pequena”. Assim se apresenta um robô que promete ajudar o trabalhador a brigar por seus direitos e que tem incomodado entidades de advogados.

Nesta quarta-feira (27/6), o Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) e a seccional fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) publicaram uma nota conjunta repudiando a ferramenta lançada pela empresa Hurst. 

“A postulação a órgão do Poder Judiciário e aos juizados especiais, bem como as atividades de consultoria, assessoria e direção jurídicas são atividades privativas de advogados e advogadas”, diz a nota.

Apelidado de Valentina, o robô para causas trabalhistas não é o único da empresa. Há também o Haroldo, voltado para o direito do consumidor; o Leopoldo, com foco em tributário; e o Caause, plataforma que ajuda pessoas a se agregarem, coletarem dinheiro e contratarem advogados para acessar à Justiça.

Também em nota, a empresa criadora desses robôs afirma que, ao contrário do alegado pelas entidades de advocacia, não exerce qualquer atividade privativa de advogado, seja consultoria, assessoria ou direção jurídica.

"A Hurst Capital utiliza inteligência artificial (inclusive robôs de bate-papo) para localizar e adquirir direitos patrimoniais disponíveis, via cessão de crédito, modalidade de transmissão de obrigação prevista no artigo 286, do Código Civil, em seguida, realiza negociações administrativas e contrata advogados para iniciar procedimentos judiciais perante os devedores", explica. 

Segundo a empresa, para todos os procedimentos jurídicos ou que envolvam o Judiciário, o trabalho vinculado à função de advogado é feito por escritórios especializados.

Especialista em Direito e tecnologia, o advogado Omar Kaminski destaca que essa questão dos robôs precisa ser discutida com urgência. "Estamos em um período de ruptura, disrupção, e em que pese todo o tradicionalismo, precisamos avançar. É quase uma discussão táxis versus Uber. Ou teremos duas castas: a dos advogados altamente especializados e a dos despachantes apertadores de botões".

Clique aqui para ler a nota do IAB e OAB-RJ.
Clique aqui para ler a nota da Hurst Capital

Revista Consultor Jurídico, 1 de julho de 2018, 18h11

Comentários de leitores

6 comentários

Espaço aberto

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Com a omissão da OAB na defesa da classe e da ordem jurídica, o espaço vai sendo preenchido por negociantes que, sem o menor escrúpulo, querem dinheiro fácil. Comemoram os agentes públicos em geral e os costumeiros violadores da lei. Já o cidadão comum só vai se dar conta do problema quando precisarem de um advogado de verdade, como de praxe.

Iludido advogado autônomo

Iludido (Advogado Autônomo - Civil)

Vai vendo! Já foi dito aqui, que a Justiça do Trabalho especialmente, mas sem prejuízo da outras áreas, NÃO GOSTAM DE ADVOGADO A NÃO SER OS AMADOS E CHEGADOS. Isso é normal, pois faz parte do pecado mortal. Em tese é isso. O advogado dificulta o acordo que é o fiel da coroa do rei. A juízes ousados que chegam a penalisar o advogado como litigante de má-fé por ser generoso no pedido introdutório judicial. Hoje, com a mercantilização é provável que isso vai desaparecer do cenário profissional. Se a OAB não parar de filosofar e encarar o Congresso Nacional (fonte dos desejos todos possíveis) como saída para suas reinvindicações de fortaleza, oxalá não vai acabar, mas vai ficar em segundo plano de superfície na base da norma federativa. E aí, o terreno para a JT vai ser como o gênio que mercantilizou esta jurisdição com a recente reforma da CLT, e acalmou seu chicote. E, as outras, induvidosamente as outra, vão como las marias. A OAB não deve ficar como os Argentinos que em época de guerra, preocuparam em ACENTUAR as palavras e aí, a Inglaterra tomou-lhes as Ilhas Malvinas. PENSE NISSO!

Compra de créditos

Eduardo.Oliveira (Advogado Autônomo)

A prática foi referida pelo Min. Barroso, em recente sessão do STF, como algo pernicioso. Se advogado comprar crédito do cliente (cessão de direitos) será enquadrado pelo TED.
Mais um espertalhão que pensa estar inventado a roda.... O robô só captará clientela, o restante será terceirizado.
Sugiro ao mercado de seguro criar microsseguro destinado a cobrir custos de condenação com sucumbência. A empresa de tecnologia diz que custeia o insucesso? Crie-se microsseguro para a Advocacia.

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