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Opinião

A operação "lava jato" e o posto Ipiranga

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*Artigo originalmente publicado no jornal Folha de S.Paulo desta sexta-feira (26/1).

"De tanto se repetir uma mentira, ela acaba se transformando em verdade." (Joseph Goebbels)

Quando a operação "lava jato" começou, o setor estruturado do marketing fez uma opção que considerei infantil e maniqueísta, mas que se revelou eficiente. As pessoas que ousassem apontar excessos eram tachadas de contrárias ao combate à corrupção.

Como se a dita operação fosse a solução dos problemas do Brasil, quase uma entidade divina para dar respostas a todas as perguntas existenciais do brasileiro, entoando: pergunte à "lava jato".

Essa opinião falsa e covarde tomou ares de verdade. O que interessava era calar qualquer crítica. Com o sucesso, resolveram ir além. Usaram o prestígio da operação para encampar alguns projetos pessoais ou das instituições e aperfeiçoaram a estratégia. Tudo o que fosse contrário aos interesses era apontado como forma de tirar credibilidade.

Essa ousadia se cristalizou com a espetacularização do processo penal. A lei de abuso de autoridade surgiu quando do 2º Pacto Republicano de Estado, em 2009. Redigida por um grupo de juristas, entre eles o ministro Teori Zavascki (1948-2017), foi exposta como um projeto do senador Renan Calheiros (MDB-AL) para conter a "lava jato".

Um projeto anterior à operação, mas que operadores da "lava jato" temiam, foi deturpado sem pudor.

As tais dez medidas, apregoadas como sendo contra a corrupção, nenhuma relação tinham com o combate à corrupção. Visavam a diminuir o escopo do habeas corpus, fazer valer a prova ilícita no processo penal, instituir um teste fascista de integridade. Aqueles que criticamente se propunham a fazer o debate das dez medidas eram apontados como contrários à operação.

O momento mais significativo foi quando do julgamento do afastamento da presunção de inocência pelo STF e no julgamento sobre a prisão em segundo grau.

Aqueles que ousaram discutir a constitucionalidade foram tachados de inimigos da sociedade.

O juiz universal de Curitiba chegou a cometer a ousadia de, em público, pedir ao presidente da República que interferisse no julgamento do Supremo.

Nenhuma relação com a "lava jato" tem a discussão da prisão obrigatória após segunda instância. Ao contrário, trata-se de medida que atinge milhares de desassistidos, sem rosto e sem voz. Infelizmente, essa discussão será recrudescida pelos que querem a prisão de Lula após o julgamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. É a jurisprudência de ocasião, própria do momento de ativismo judicial.

Também o despacho do ministro Gilmar Mendes sobre o uso da condução coercitiva foi atacado como uma forma de tirar o poder. Bastou vir a liminar para que o setor estruturado de marketing fizesse uma campanha mostrando que a "lava jato" estava em risco. Falso, desleal.

A mais recente investida foi contra o indulto de Natal, uma tradição humanitária. Sob o frágil pretexto de que seriam indultadas pessoas envolvidas nas investigações, investiu-se contra o indulto. Os reais prejudicados são pessoas que fazem parte da tradicional clientela do sistema penal brasileiro: negros, pobres e despossuídos.

Há três anos corro o país em debates frequentes para apontar os excessos, denunciando essa estratégia perversa e irresponsável. A resposta, de maneira infame, é dizerem que se trata de artimanha da defesa contra a "lava jato".

Todas estas questões são colocadas maldosamente, como se fossem para atingir a operação. Faz lembrar a inteligente propaganda do posto Ipiranga: tudo você encontra lá. Qualquer discordância com os detentores da virtude e da verdade será vista como ofensa à "lava jato". Qualquer reclamação terá de ser feita lá no posto Ipiranga.

Deviam ler Pessoa: "Aos que a fama bafeja, embacia-se a vida".

 é advogado criminalista

Revista Consultor Jurídico, 26 de janeiro de 2018, 15h33

Comentários de leitores

7 comentários

Kakay tem razão

Contribuinte Sofrido (Outros)

Quando ele diz a frase atribuída a Joseph Goebbels "De tanto se repetir uma mentira, ela acaba se transformando em verdade", com certeza ele se inspira em Lula. Apenas não diz, pois como alguém já mencionou, só na lavajato ele tem 18 clientes, que lhe dão milhões pelo seu profíquo trabalho.
Admiro-o como advogado, mas acho que presta um desserviço à nação ao defender coisas do tipo a não prisão após esgotadas as fases probatórias em segunda instância.
Digo isto porque tenho certeza de que, pelo que sei dele, da sua formação, no fundo ele não concorda com o que vem defendendo, fazendo-o apenas para defender seus milhões. E não deveria fazê-lo, pois é um grande formador de opinião e acho que apenas o dinheiro não deveria comprar sua consciência.
Sugiro-lhe, se é que posso, que defenda seus bandidos de colarinho branco - é direito de todos ter uma defesa técnica e ao advogado cobrar quanto quiser por isso - mas não tente impingir à sociedade as suas falsas convicções.

Mentiras ...

SLB (Outros)

Quando lemos esses argumentos preparados por ideais de manutenção da corrupção, identificamos os tentáculos.
O Planalto, o Congresso e outros setores, estão dominados por parasitas jurídicos.

Uma das estratégias para implantação e perpetuação de um poder vermelho é a cooptação do Judiciário.

Um dos elos importantes para a cooptação de magistrados e promotores está na figura dos advogados parasitas de corruptos poderosos. (São poderosos porque ainda falta emergir um líder para derrubar esse bando).

O Brasil está dominado por bandidos em todos os Poderes. Quando são alvos daqueles que não se vergam ao crime, começam manifestar seus discursos cheios de frases de efeito.
Creio que se investigassem as ramificações e contas desses advogados parasitas que fazem o elo de manutenção da corrupção no Brasil, coisas escabrosas surgiriam para que definitivamente calassem suas bocas.
Coincidentemente esses advogados, Ministros do STF etc viajam para os mesmos países nos seus "passeios" ...

O Brasil apodreceu por causa desses ...

Tentáculos ...

SLB (Outros)

Quando lemos esses argumentos preparados por ideais de manutenção da corrupção, identificamos os tentáculos.
O Planalto, o Congresso e outros setores, estão dominados por parasitas jurídicos.

Uma das estratégias para implantação e perpetuação de um poder vermelho é a cooptação do Judiciário.

Um dos elos importantes para a cooptação de magistrados e promotores está na figura dos advogados parasitas de corruptos poderosos. (São poderosos porque ainda falta emergir um líder para derrubar esse bando).

O Brasil está dominado por bandidos em todos os Poderes. Quando são alvos daqueles que não se vergam ao crime, começam manifestar seus discursos cheios de frases de efeito e, um desses é esse Kakay.

Creio que se investigassem as ramificações e contas desses advogados parasitas que fazem o elo de manutenção da corrupção no Brasil, coisas escabrosas surgiriam para que definitivamente calassem suas bocas.

Coincidentemente esses advogados, Ministros do STF etc viajam para os mesmos países nos seus "passeios" ...

O Brasil apodreceu por causa desses ...

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