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Por Sérgio Rodas

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1.096 transações

Mattos Filho lidera escritórios na retomada de fusões e aquisições em 2017

Em 2017, foram feitas 1.096 transações de fusões e aquisições envolvendo empresas brasileiras, alta de 5,69% em relação a 2016. E essas operações movimentaram R$ 194,93 bilhões, o maior valor acumulado em um ano desde 2013, de acordo com o Relatório Anual da Transactional Track Record, em parceria com a LexisNexis e TozziniFreire Advogados.

Apesar de ter registrado queda de 13%, o segmento de tecnologia foi o mais ativo do ano, seguindo tendência que se mantêm desde 2014, contabilizando 186 transações no período. Em seguida, aparecem os setores financeiro e seguros, com 112, e distribuição e varejo, com 103, que apresentaram declínio de 16% e 6%, respectivamente. O setor imobiliário foi o de maior crescimento no ano — 48%, devido às suas 98 operações.

O escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados está no topo do ranking da Transactional Track Record de operações de fusões e aquisições assessoradas por escritórios de advocacia por valor total de transações, tendo totalizado R$ 43,1 bilhões. A banca é líder também por número de operações, 62. Na segunda colocação está o Pinheiro Neto Advogados, com R$ 24,4 bilhões, seguido por Barbosa Müssnich, Aragão, com R$ 21,3 bilhões.

Private equity
O volume financeiro das operações de private equity registradas no Brasil em 2017 foi de R$ 20 bilhões, alta de 44% em relação a 2016, apesar de queda de 8% no número de operações registradas, 90. No subsetor distribuição e varejo, que lidera os investimentos da modalidade desde 2015, houve redução de 24% no número de transações no ano.

A tendência de investimentos nos subsetores saúde, higiene e estética e imobiliário permanece — foram os favoritos dos fundos e registraram respectivo crescimento de 71% e 80%. O setor elétrico também passou a receber mais aportes dos fundos de private equity, e cresceu 300% no ano.

No cenário de venture capital, 2017 foi um período de forte crescimento. Das 181 transações registradas no relatório, 94 revelaram valores que somam R$ 3,07 bilhões, alta de 54% em comparação ao ano precedente. Os investimentos em venture capital em 2017 ultrapassaram os valores investidos no Brasil nos quatro anos anteriores.

Os subsetores mais atrativos foram tecnologia, 97 operações registradas e crescimento de 8%, internet, com 44 negócios, mas que fechou o ano com queda de 46%, e financeiro e seguros – 25 transações, alta de 108%.

Mercado de capitais
O mercado de capitais brasileiro voltou a ter um ano expressivo e registrou 11 IPOs em 2017, quase o dobro dos três últimos anos somados, movimentando mais de R$ 20 bilhões. Destaque para a estreia na bolsa da BR Distribuidora, que superou o valor de R$ 5 bilhões, e do Grupo Carrefour Brasil, que chegou a R$ 4,9 bilhões.

As emissões de ações também tiveram um ano positivo, apesar da queda no número de operações em relação a 2016, de 25 para 22, mas que movimentaram R$ 26 bilhões em 2017, mais do que o dobro do ano anterior, R$ 12 bilhões.

Operações cross-border
Os EUA seguem como o país com o maior número de aquisições no mercado brasileiro, com 87 operações que alcançaram R$ 19 bilhões em investimentos, uma retomada de 3,57% no crescimento em relação ao ano anterior. A segunda posição, em volume total de investimentos, fica com a China, que acumulou R$ 12,2 bilhões em 2017, com destaque para o setor de energia elétrica.

Em número de operações, a França aparece atrás dos EUA, com 21 operações que somaram R$ 5 bilhões, seguida pelo Reino Unido, 13 transações, em sua maioria de pequeno porte, que movimentaram R$ 230 milhões.

Desde 2010, as empresas brasileiras que mais atraem investimentos estrangeiros são as empresas do segmento de tecnologia e internet. Em 2017, foram registradas 47 transações, porém com queda de 16,07% em relação ao ano anterior. O setor de tecnologia foi aquele que mais recebeu aporte de empresas estrangeiras ao longo do ano. Destaque também para os setores elétrico e de consultoria, auditoria e engenharia.

O país que recebeu mais investimentos de empresas brasileiras foram os EUA, com 12 operações que, juntas, totalizaram R$ 542,29 milhões. A vizinha Argentina também foi alvo dos investidores brasileiros, que aportaram R$ 433,55 milhões em 9 negócios.

América Latina
Os resultados de 2017 também consolidam a liderança brasileira no cenário latino-americano de fusões e aquisições. De janeiro a dezembro, foram contabilizadas 752 transações domésticas no mercado nacional, enquanto o México, país que apresentou o segundo melhor resultado no quesito, registrou 116.

Também se destacam os números de aquisições cross-border inbound no país, 236, mais do que o dobro das transações dessa modalidade registradas pelo México (95). Entretanto, o mercado mexicano fechou o período com 61 aquisições cross-border outbound, enquanto o mercado brasileiro encerrou o período com 43.

Transação do trimestre
A transação escolhida pelo Transactional Track Record como a de destaque do trimestre foi a conclusão da aquisição da participação de 50% que a Vigor Alimentos detinha na Itambé Alimentos, empresa fabricante de produtos lácteos, pela CCPR, Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais, por R$ 700 milhões.

Em suas 5 fábricas, a Itambé processa diariamente mais de 3 milhões de litros de leite, que são transformados em mais de 100 produtos diferentes. A empresa conta com mais de 7 mil produtores e mais de 3 mil colaboradores. Com a conclusão da operação, a CCPR passa a assumir 100% da Itambé.

A CCPR contou com a assessoria jurídica do escritório Souza, Cescon, Barrieu & Flesch Advogados. Por sua vez, a Vigor recebeu assessoria jurídica do Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados, no Brasil, e do Rico, Robles, Libenson y Bernal, no México.

Assessores financeiros
O ranking do Transactional Track Record de assessores financeiros por valores das transações chega ao fim de 2017 liderado pelo Banco Itaú BBA, tanto em número de transações, 36, quanto em valor transacionado, R$ 22,5 bilhões. Em segundo lugar aparece o Banco BTG Pactual, R$ 21 bilhões, e, na sequência, Banco Bradesco BBI, R$ 19,7 bilhões.

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Revista Consultor Jurídico, 6 de janeiro de 2018, 9h01

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