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Arte do blefe

Pôquer depende de matemática e não
é jogo de azar, define juiz de São Paulo

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Pôquer não é jogo de azar, mas sim de matemática e psicologia comportamental. Por isso, não há nada na legislação que impeça sua prática. Com este entendimento, o juiz Victor Garms Gonçalves, da 1ª Vara de Palmital (SP), inocentou um homem que era acusado de explorar jogo de azar por organizar torneios de pôquer.

A defesa do acusado, feita pelo advogado Luiz Ronaldo da Silva, baseou sua estratégia justamente na alegação de que não se trata de jogo de azar. Também ressaltou que o acusado não arrecada dinheiro para lucrar, mas apenas para cobrir despesas com baralho, fichas e outros gastos.

O advogado apresentou um parecer feito pelo perito Ricardo Molina: "Trata-se de um jogo de habilidade, pois ficou constatado que a habilidade do jogador que participa desta modalidade de jogo, depende da memorização, das características (número e cor) das figuras apresentadas, no decorrer do jogo e do conhecimento das regras e estratégias em função desses fatores, sendo porém, resultado final desta modalidade de jogo aleatório”.

Outro argumento do acusado é baseado em reportagem da ConJur de 2012, que relata decisão da Justiça de Santa Catarina segundo a qual o jogo de cartas trata de habilidade e não de azar.

Batalha no pano
O juiz Garms Gonçalves deu razão à defesa e ressaltou que o pôquer não depende exclusivamente ou principalmente de sorte. Para ilustrar seu ponto, o juiz fez um relato de uma partida travada no pano verde:

No pôquer, o valor real ou fictício das cartas depende da habilidade do jogador, especialmente como observador do comportamento do adversário, às vezes bastante sofisticado, extraindo dai informações que o levam a concluir se ele está ou não blefando. Por sua vez, esses adversários podem estar adotando certos padrões de comportamento de forma ardilosa, também para blefar. Por exemplo, estando bem, mostra-se inseguro, a fim de o adversário aumentar a aposta, ou estando mal, mostra-se seguro, para que o adversário desista. Em suma, é um jogo de matemática e psicologia comportamental.

Clique aqui para ler a decisão

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 18 de fevereiro de 2018, 8h14

Comentários de leitores

3 comentários

Truco também!

Advogado (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Sempre defendi que truco é um jogo de psicologia humana. Deveria ser obrigatório nas faculdades.

Se a moda pega...

Jony Cristovam de Santana (Outros)

Essa decisão poderá servir como precedente para a obtenção de permissões judiciais para exploração desse tipo de jogo em todo o Brasil. E, levando em consideração de que o dinheiro não tem cheiro "pecúnia non olet", com certeza atrairá os olhos da Fazenda Pública, em especial da PGFN, pois será o fato gerador de renda para o IR.

Poker é um esporte mental

hablablu (Outros)

Para jogar poker é necesário estudar o jogo, saber porcentagem, probabilidade, conhecer sobre a ciência corporal dentre outras habilidades. Se pesquisar sobre escola de poker ou poker coaching, encontrarás uma infinidade de material de estudo. 7blinds.com.br

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