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Sigmaringa atuou intensamente na luta pela resistência democrática

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*Luiz Carlos Sigmaringa morreu nesta terça-feira (25/12). O velório acontece nesta quarta (26/12) no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília, e o enterro está marcado para as 16h30

Seu primeiro sonho foi ser jogador de futebol. Jogava bem, adorava jogar e jogou até quando a doença o contundiu. Mas a vida tinha outros planos para ele. Sig pai o batizou de Luiz Carlos em homenagem ao Cavaleiro da Esperança. Cedo entrou na militância política, seguindo o exemplo do pai e dos avós. Tinha 19 anos quando houve o golpe militar de 64. Resistiu. Primeiro no movimento estudantil. Estava lá na passeata dos 100  mil.

Terminou o curso na Faculdade de Direito de Niterói e veio para Brasília, onde sua família já estava morando. Desde o início da carreira se dedicou à defesa de presos políticos. Simpatizante do Partidão, defendeu a todos os perseguidos pela Ditadura Militar, independentemente do matiz ideológico ou posição política. Defendeu a todos, sempre de graça.

José Carlos Dias, Técio Lins e Silva, Sigmaringa Seixas, Luiz Francisco da Silva Carvalho Filho e Durval Figueira da Silva Filho.

Atuou intensamente na luta pela resistência democrática, participando do movimento pela  anistia, organizando o Centro Brasil Democrático (Cebrad) e pela representação política para Brasília. Prestava assistência jurídica a movimentos sociais, como os  Incansáveis Moradores da Ceilândia e a sindicatos.

A luta pela redemocratização do país o levou a se tornar deputado já na primeira eleição em que o DF elegeu parlamentares. Sua atuação no Congresso foi reconhecida pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), como deputado nota 10. Constituinte, foi membro da Comissão de Sistematização da Constituição Cidadã. Foi reeleito duas vezes. Atuava sempre na retaguarda, dedicando-se à superação das divergências para alcançar o entendimento, sempre com discrição. Gostava de ajudar a todos. Passou pelo antigo MDB; depois, PSDB e, por último, PT. Era íntimo dos donos do poder, mas nunca usou essa proximidade em benefício próprio. Em tempos de delações, corrupções, prisões justas e injustas, ele não foi sequer citado em inquéritos e investigações.

Morreu de complicações decorrentes de um transplante de medula óssea para curar a mielodisplasia, uma pré-leucemia. Dizem que a angústia conta muito para o surgimento da doença. Acho que foi isso que o derrubou. Ele não conseguiu resistir às injustiças e traições que presenciou. 

Vai, Sig, continue sendo gauche, doce, amigo e solidário! Por enquanto, estamos aqui. A luta continua, até que a morte nos reúna.

José Carlos Sigmaringa Seixas é jornalista. Irmão do advogado e ex-deputado Luiz Carlos Sigmaringa Seixas.

Revista Consultor Jurídico, 26 de dezembro de 2018, 11h46

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