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Mudança de estratégia

Sérgio Cabral decide fazer delação premiada e advogado deixa o caso

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O advogado Rodrigo Roca não faz mais parte da defesa do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral. Roca confirmou o afastamento neste domingo (23/12), após decisão de Cabral de fazer acordo de colaboração premiada. O anúncio do acordo com a força-tarefa da operação "lava jato" foi feito pelo jornal O Globo.

Roca fazia a defesa de Cabral desde novembro de 2017, quando o ex-governador foi preso acusado de chefiar um esquema de corrupção que desviou mais de R$ 210 milhões dos cofres públicos. Em entrevista à ConJur, em setembro, ele já havia dito que se o ex-governador fizesse o acordo, ele sairia do caso.

Na época, Roca contou que Cabral não considerava fazer o acordo de delação premiada. O advogado ainda criticou a banalização do instrumento na “lava jato” e atacou o papel da imprensa no caso.

O último depoimento de Cabral ao juiz federal Marcelo Bretas, responsável pelos julgamentos em primeira instância da "lava jato" no Rio, no dia 14 de dezembro, já indicavam uma mudança na defesa. Ao contrário do que vinha fazendo, Cabral optou por permanecer em silêncio.

Nova procuração
Segundo o jornal O Globo, antes mesmo da confirmação de saída de Roca, o advogado João Bernardo Kappen teria recebido uma procuração para organizar a colaboração premiada com o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro e com a Procuradoria-Geral da República. As conversas com os responsáveis pela operação “lava jato” no Rio já teriam iniciado.

Procurada, a assessoria de imprensa do MPF no Rio não confirmou se uma negociação de delação premiada estaria em curso. 

Condenado no total a 198 anos e seis meses de prisão, Cabral nega o recebimento de propina e o favorecimento de empreiteiras para a realização de obras públicas. Ele tem admitido contudo, o recebimento de caixa dois.

*Texto alterado às 11h00 de 24/12 para correção de informações.

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 23 de dezembro de 2018, 16h51

Comentários de leitores

4 comentários

Resposta à dúvida.

Leopoldo Luz (Advogado Autônomo - Civil)

Qualquer advogado saberia explicar: ruptura do vínculo de confiança entre as partes.

Carlos

Schneider L. (Servidor)

Esses renomados criminalistas tem problemas com a quebra da rei do silencio, a omertá dos mafiosos.

Se o João Charlatão quiser admitir seus crimes e fazer delação (seja lá qual o motivo) garanto que o ilustre Toron deixa a defesa no mesmo dia e ainda manda uma notinha na imprensa repudiando a falta de "ética no crime".

Dúvida

Carlos (Advogado Sócio de Escritório)

Dúvida.

Alguém consegue explicar por qual razão, advogados ganham rios de dinheiro para defender criminosos do colarinho branco, e ficam pouco tempo atuando na defesa, em seguida dizem que não mais defenderão o cliente. Isto, salvo engano, tem sido a regra.

Vamos pegar, por ex, o caso do João do capeta. Quem o defende é o dr. Toron. Vamos ver até qdo ele ficará no caso.

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