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Caso da ex-brasileira

Juiz proíbe protocolo de petições manuscritas de Claudia Sobral

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O juiz que preside o julgamento da ex-brasileira Claudia Sobral proibiu os servidores do fórum criminal do Condado de Trumbull, em Ohio, de protocolar qualquer petição escrita à mão pela própria ré. Só os defensores públicos que a representam poderão protocolar petições no fórum a partir de agora.

O juiz Andrew Logan também mandou os servidores apagarem nos registros do fórum todas as petições protocoladas por Cláudia Sobral, 54, cujo nome nos EUA é Claudia Hoerig.

Claudia é acusada de matar, em março de 2007, seu então marido Karl Hoerig, aviador comercial e ex-major da Força Aérea dos EUA. Após o crime, ela fugiu para o Brasil, mas foi extraditada para os EUA em janeiro deste ano, depois de perder a cidadania brasileira.

Em sua decisão, o juiz atendeu o pedido do promotor assistente Christopher Becker, segundo o qual Claudia está protocolando petições “divagantes e incoerentes”, recheadas de “tagarelice, disparates e contrassensos”.

Em suas petições manuscritas, Claudia tem reclamado de maus tratos na cadeia e faz seguidas acusações aos carcereiros, aos administradores da cadeia, aos promotores e ao juiz Andrew Logan.

Em sua última petição, protocolada na segunda-feira (10/12), Claudia alega que sua prisão no Brasil por 22 meses e sua extradição para os EUA foram ilegais. Ela diz que isso só foi possível porque autoridades americanas subornaram autoridades brasileiras e que, no final das contas, ela foi vítima de um sequestro.

Ela se queixou também do promotor Dennis Watkins, que encabeça sua equipe de defesa. Ela diz que Watkins tem liderado uma campanha, que inclui entrevistas na televisão, em que ele a descreve como “mulher satânica” (“she devil”).

Claudia acusa Watkins de montar seu caso com base em testemunhos e de estar usando seu poder para forçar pessoas a testemunhar contra ela.

Há uma tática por trás de todas as petições que Claudia vem protocolando no fórum do condado e em um tribunal federal. Como o juiz Andrew Logan emitiu uma ordem de silêncio sobre o caso, ela e seus defensores públicos não podem fazer qualquer esforço para divulgar seu lado da história e aplacar a opinião pública.

Mas as petições e as cartas que envia aos tribunais se tornam documentos públicos, que podem ser obtidos pela imprensa e, principalmente, podem ser postados em uma página no Facebook, criada por uma mulher de Nova York, que ainda não foi identificada.

Em seu pedido ao juiz para silenciar Claudia Sobral, o promotor Christopher Becker escreveu: “A ré tem zumbido na mídia social e nos documentos que protocola no caso como uma abelha chata em um piquenique de verão, expelindo veneno em quase todo mundo”.

Claudia é representada pelos defensores públicos John Cornely e David Rouzzo. Ela pediu – e conseguiu – a substituição de Rouzzo, porque, segundo ela, ele não a está representando bem, porque tem medo do promotor Dennis Watkins.

Além disso, ele teria cancelado o testemunho de um psicólogo especializado em síndrome da mulher espancada (SME). Essa seria a linha de defesa preferida de Claudia, porque ela alega que era constantemente espancada e humilhada pelo ex-marido e que teria atirado nele em um ataque de raiva. O psicólogo seria pago pelo estado.

A Defensoria Pública concordou com o afastamento de Rouzzo do caso e ele será substituído pela defensora pública Alyssa Sidelka, se Claudia concordar. Ela quer “entrevistar” a nova defensora nos próximos dias, antes de tomar uma decisão.

O julgamento de Claudia Sobral, que já foi adiado por duas vezes, deve começar finalmente em 14 de janeiro, conforme programado. Antes disso, no dia 10 de janeiro, o juiz Andrew Logan vai realizar mais uma audiência preliminar.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 17 de dezembro de 2018, 9h34

Comentários de leitores

1 comentário

Cláudia sobral

O IDEÓLOGO (Outros)

Não é nada boba. Agora "entrevistará" a sua nova defensora.

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