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"Ambiente de faroeste"

Nada proíbe juiz de conduzir audiência armado, decide CNJ

Conduzir audiência armado não viola Código de Ética da Magistratura. Foi o que entendeu o Conselho Nacional de Justiça ao arquivar representação contra juiz de Goiás que conduziu audiência de instrução armado.

Conduzir audiência armado não é infração ética, afirma CNJ.
123RF

Prevaleceu o entendimento do relator, o ministro João Otávio de Noronha, corregedor-nacional de Justiça. Segundo ele, diante da violência e dos perigos a que estão sujeitos os juízes brasileiros, em especial no interior do país, o local em que os magistrados mais precisam de uma arma é a sala de audiência.

“Para caracterização de desvio ético do magistrado não é suficiente um mero porte de arma, com um sentimento vago de intimidação alegado pela parte autora”, afirmou Noronha.

A reclamação disciplinar foi proposta pela OAB de Goiás. Segundo a OAB, o juiz apareceu armado para intimidar as partes. Na mesma ocasião, disse a Ordem, o magistrado determinou que os telefones celulares das pessoas que acompanhavam a sessão, inclusive dos advogados, fossem recolhidos.

O julgamento do processo no CNJ começou no dia 5 de junho, com o voto de Noronha. Ao acompanhar o relator, o conselheiro Aloysio Corrêa reforçou os argumentos apresentados. "Não há restrição legal de arma em audiência, momento em que o juiz se encontra vulnerável. Se eu tenho porte e não posso usá-lo, de que adianta?", questionou.

O conselheiro Márcio Schiefler, que é juiz em Santa Catarina e foi juiz-instrutor do ministro Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal, contou que já precisou fazer audiência armado. "Esse tema é cardeal para a magistratura. Praticamente em qualquer fórum do país as pessoas podem entrar no local e dar de cara com um juiz", ponderou Schiefler.

Faroeste
O julgamento foi então suspenso por pedido de vista do conselheiro Luciano Frota, que apresentou seu voto nesta terça-feira (7/8). Para ele, audiências não são “ambiente de faroeste” em que o juiz tenha de portar arma para se defender, mas um momento de harmonia.

Mas faltaram provas da infração disciplinar. Segundo o conselheiro, não ficou claro se o juiz apresentou a arma de forma ostensiva. “Não que eu entenda que o juiz deva portar arma de fogo em sala de audiência, não acho que é um lugar adequado”, disse o conselheiro Frota. Para ele, há necessidade de o CNJ se debruçar sobre o tema no futuro.

A ministra Cármen Lúcia, presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal, ressaltou que o CNJ examinou apenas o caso concreto e que não houve tomada de posição sobre essa matéria em tese.

Para o advogado do juiz de Goiás, Rafael Faria, o CNJ garantiu os direitos de toda a magistratura nacional.

Exame psicotécnico
O porte de arma para defesa pessoal é prerrogativa dos magistrados prevista no artigo 33, V, da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) e seu exercício segue as diretrizes estabelecidas pelo Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/2003).

Recentemente, três associações de magistrados foram ao Supremo pedindo que fosse declarada ilegal a exigência de comprovação de capacidade técnica e aptidão psicológica para que juízes possam adquirir, registrar e renovar o porte de arma de fogo.

No entanto, o pedido foi negado pelo ministro Edson Fachin. Segundo ele, o direito ao porte de arma não dispensa o proprietário do cumprimento dos requisitos relativos ao registro. Com informações da Assessoria de Imprensa do CNJ.

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Revista Consultor Jurídico, 7 de agosto de 2018, 17h33

Comentários de leitores

17 comentários

Como não segurar uma arma

E. COELHO (Jornalista)

A foto ilustrativa dessa matéria merece uma observação:
A pessoa está segurando a arma com o dedo no gatilho e ao mesmo tempo inserindo o projétil. Isso não se faz! É um perigo!

Um país esquizofrênico.

Observador.. (Economista)

As armas são ruins, contanto que isso seja para os outros.
Pessoas com discurso anti-armamento cercados de seguranças (no RJ há um político famoso).
No Judiciário há diversas carreiras que não abrem mão do acesso às armas.
Mas para a sociedade....a lei.

É assim. Apesar de ser um defensor da posse de arma para o lar, e do porte em caráter restrito, não vejo a necessidade de um juiz, em audiência, estar portando a sua. Se não existe segurança para as audiências, que sejam encontradas maneiras para que isso ocorra.
Há um desequilíbrio entre o que se prega e o que se faz, neste nosso país.
E a busca pelo poder, através do desequilíbrio entre os diversos atores, faz com estejamos, sempre, muito distantes do sonho de uma grande nação.

Venham para a fronteira...

Robson Candelorio (Juiz Estadual de 1ª. Instância)

Pra quem critica o uso de arma de fogo pelo juiz em audiência, venham para a Comarca de Sete Quedas, no Mato Grosso do Sul, cidade em que o Fórum fica de um lado da rua e o Paraguai do outro, e que tem dois PM's na cidade...venham fazer audiência aqui, de preferência em processos criminais que envolvem pistolagem e contrabando de cigarros e depois de decretar a prisao preventiva de um chefe de quadrilha...venham pra uma cidade onde o passatempo favorito é atirar no muro no fórum e sair correndo para o Paraguai.
Venham que depois a gente conversa.

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