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Jurisprudência do STJ

Penhora de direitos do devedor em alienação independe de anuência do credor

O bem submetido à alienação fiduciária, por não integrar o patrimônio do devedor, não pode ser objeto de penhora. Todavia, não há impedimento para que os direitos do devedor fiduciante relacionados ao contrato recebam constrição, independentemente da concordância do credor fiduciário.

O entendimento foi reafirmado pela 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça ao reformar acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região que havia entendido ser necessária a anuência de instituição financeira, credora fiduciária, para a viabilidade da penhora sobre os direitos do devedor.  

Em análise do recurso especial da Fazenda Pública, o ministro Og Fernandes destacou que a pretensão da recorrente não consistia na penhora do objeto da alienação fiduciária — possibilidade vedada pelo STJ —, mas, sim, dos direitos do devedor.

Nesta última hipótese, explicou o relator, a penhora dos direitos do devedor não traz como condição a anuência do credor. No entanto, apontou o ministro, essa penhora não tem o objetivo de afastar o exercício dos direitos do credor fiduciário resultantes do contrato de alienação, “pois, do contrário, estaríamos a permitir a ingerência na relação contratual sem lei que o estabeleça”.

“Até porque os direitos do devedor fiduciante, objeto da penhora, subsistirão na medida e na proporção que cumprir com suas obrigações oriundas do contrato de alienação fiduciária”, concluiu o ministro Og Fernandes ao reconhecer a possibilidade de penhora independentemente de anuência do credor. Com informações da Assessoria de Imprensa do STJ. 

REsp 1.697.645

Revista Consultor Jurídico, 25 de abril de 2018, 12h46

Comentários de leitores

1 comentário

E o dono?

Cláudio Henrique Caldeira (Advogado Autônomo - Tributária)

Consideremos que o devedor fiduciante, ao ter o seu "direito" penhorado, deixe de pagar as parcelas da alienação fiduciária, isto num cenário em que a penhora ocorra ainda nas primeiras prestações e o devedor fiduciante pense ser melhor perder o investimento inicial do financiamento do que perder o bem para seu outro credor. Daí nesse caso, como fica o real proprietário do bem, no caso a instituição financeira, que nada tem com a dividia alheia, do devedor fiduciante. Pergunto porque uma vez lançada a penhora e a indisponibilidade do "direito", e caso o devedor fiduciante para de pagar o financiamento, terá o credor fiduciário um baita trabalho para retirar a ordem de penhora. Enquanto isso, talvez o devedor já tenha feito outra alienação em nome da tia. Com isto, ter-se-á muito trabalho, muito gasto, injustiça para com o credor fiduciário e uma demonstração inequívoca de que, para o Estado, tudo.

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