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Encontro negado

Juíza proíbe que deputado Wadih Damous "vire" advogado de Lula para visitá-lo

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Comentários de leitores

13 comentários

Decisão arbitrária e sem fundamento legal! (1)

Sérgio Niemeyer (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

A Juíza Federal Carolina Moura Lebbos fundamentou a decisão de impedir o Advogado Wadih Nemer Damous Filho de representar o ex-presidente Lula nas disposições do art. 30, II, da Lei 8.906/1994 (grafada na decisão com erro material grosseiro de digital como Lei 8.069/1994, que, na verdade, é o ECA).
O fundamento aplicado é manifestamente insubsistente!
Reza o inc. II do art. 30 da Lei 8.906/1994 (em redação direta, sem o aposto enumerativo do texto original) que “São impedidos de exercer a advocacia os membros do Poder Legislativo, em seus diferentes níveis, contra ou a favor das pessoas jurídicas de direito público, empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações públicas, entidades paraestatais ou empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público”.
O impedimento é específico. De acordo com a lei, os membros do Legislativo, qualquer que seja (municipal, estadual ou federal), são impedidos de exercer a advocacia contra ou a favor de “pessoas jurídicas de direito público, empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações públicas, entidades paraestatais ou empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público”.
Como se vê, o patrocínio de causa penal proposta pelo Ministério Público, não se insere no rol das pessoas jurídicas de direito público, empresas públicas, entidades paraestatais ou empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público, de modo que não há o óbice aludido pela magistrada, a qual, ao fundamentar sua decisão no art. 30, II, da Lei 8.906/1994 forçou muito a barra, violando a garantia constitucional inserta no art. 5º, II, da Constituição Federal.
(continua)...

Decisão arbitrária e sem fundamento legal! (2)

Sérgio Niemeyer (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

2(continuação)...
Cumpre não esquecer que a incompatibilidade constitui causa de vedação total do exercício da advocacia, ao passo que o impedimento é causa de vedação parcial.
A incompatibilidade implica a proibição do exercício da advocacia em qualquer causa, contra ou a favor de quem quer que seja.
Já o impedimento implica a proibição do exercício da advocacia determinadas hipóteses expressamente previstas. Exatamente por isso, o rol de hipóteses de impedimento é taxativo, um conjunto fechado em “numerus clausus”, que não admite interpretação extensiva.
Então, a questão é: a favor de quem o Dr. Wadih Damous pretende exercer a advocacia?
Resposta: a favor do ex-presidente Lula.
O ex-presidente Lula, na condição de réu em ação penal, classifica-se como “pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista, fundação pública, entidade paraestatal ou empresa concessionária ou permissionária de serviço público”?
Resposta: Não.
Logo, não há que se falar em impedimento do Dr. Wadih Damous para exercer a defesa em favor do ex-presidente Lula.
Contra quem a defesa do ex-presidente Lula será empreendida?
Resposta: contra a Justiça Pública, representada pelo Ministério Público, que detém a legitimidade para a ação.
A Justiça Pública insere-se no rol das “pessoas jurídicas de direito público, empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações públicas, entidades paraestatais ou empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público”?
Resposta: Não.
Por quê?
Resposta: em razão da autonomia do Ministério Público relativamente a todas as entidades elencadas no art. 30, II, da Lei 8.906/1994. (continua)...

Decisão arbitrária e sem fundamento legal! (3)

Sérgio Niemeyer (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

3(continuação)... Tanto que o próprio MP pode atuar contra ou a favor de tais entidades, na condição de “dominus litis” ou fiscal da lei (“custos legis”), consoante haja ou não, a entidade, incorrido em delitos ou fatos que reclamem a atuação do MP (v.g., crime ambiental, ofensa a direitos difusos, coletivos, individuais homogêneos, etc.).
Corrobora essa exegese o fato de que a Justiça Pública não sofre qualquer efeito da ação penal em que são partes, de um lado, o MP, e de outro, o ex-presidente Lula, como ocorre na hipótese em que uma das partes no processo seja qualquer das entidades relacionadas no art. 30, II, da Lei 8.906/1994.
Portanto, a decisão afigura-se mais um truque do tipo Mandrake, Abracadabra da Justiça, uma arbitrariedade, antes de um ato de julgamento, porquanto não é autorizado pensar que um órgão do Poder Judiciário desconheça as regras de hermenêutica que se ensinam nos bancos dos cursos de Direito (v.g., a interpretação estrita de normas restritivas de direito, a garantia constitucional de que “ninguém pode ser obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”), e por isso, e por dever e compromisso com a honestidade intelectual, deve ser cassada, permitindo-se ao advogado Wadih Damous representar e atuar na defesa do ex-presidente Lula.

(a) Sérgio Niemeyer
Advogado – Mestre em Direito pela USP – sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br

mandato judicial

Francisco Lobo da Costa Ruiz - advocacia criminal (Advogado Autônomo - Criminal)

Acredito que ficaria melhor receber um substabelecimento do profissional titular da causa ...

Com o devido respeito

Servidor estadual (Delegado de Polícia Estadual)

Com o devido respeito, condutas assim tiram o brilho da advocacia, lançam desconfianças sobre as constantes reclamações da aprte do ex-presidente. ocorre, que tal manobra é muito comum no crime organizado, visitas de advogados que nunca falaram nos autos. Tal reclamação já foi enfrentada num passado recente, quando descobriram que Fernandinho Beira Mar possuía dezenas de advogados, mas que só um falava nos autos e o visitava uma vez por ano. Mais a mais, o povo do RJ, que vive uma tragédia, deveria ver com atenção tal situação, pois ao invés de defender os direitos do povo, cujo Estado se encontra sob intervenção, situação que desagrada demais o povo fluminense, o i. Deputado se arvora em advogado de Lula, que tem como representante um dos mais brilhantes advogados de nossa época: o Dr. Zanin. esses desvios não deve ser tolerado por se tratar do ex-presidente, mas porque não é essa a função do Parlamentar. Se, ele tem tanto tempo, poderia se dedicar mais aos presos acusados de participaram de miliciais e, segundo a Defensoria 40 pessoas inocentes se encontram presas no RJ sem motivação aparente. Mas não é só, existe a questão do decoro parlamentar, caso a manobra da juntada seja apenas para garantir o privilégio de visitar lula quando desejar, um mau uso das prerrogativas. Outro ponto, que aos vereadores é dado tal direito pela própria Constituição, como muitos que criticaram deveriam saber.

Poucas palavras

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Creio que há muitas palavras, para pouco assunto. A questão é singela. Ou o advogado está com inscrição regular na OAB, e assim podendo advogar plenamente, ou ele não está. Não há meio termo. Em rápida consulta no site da OAB verifique o advogado Wadih Damous está com inscrição regular na Ordem dos Advogados do Brasil, e assim habilitado para advogar, inclusive para Lula. Sem querer ingressar aqui no mérito da regularidade da inscrição, cuja competência para análise é exclusiva da OAB, toda e qualquer tentativa de impedir a atuação profissional do referido Advogado e puro e simples abuso de autoridade. Nada há mais a ser dito sobre a questão.

Para comunistas tudo é válido, menos a legalidade...

José do Carmo Marques da Silva (Administrador)

Os boçais comunas confundem DEMOCRACIA com ANARQUIA!!!!

Esqueceram de mim

Ian Manau (Outros)

Sou o barbeiro do Lula. Minhas ferramentas de trabalho estão em bom estado de conservação...

Cela não é casa.....

Menslex (Advogado Assalariado - Administrativa)

Se a Juíza deixasse entrar todos esses pretensos inspetores,"colaboradores" e "advogados"....a próxima "solicitação" ia ser de uma cela maior, com sofá, quem sabe - frigobar.

Gosto de lembrar desse Sr. Wadih Damous como a pessoa que "permitiu" que no site da OAB-RJ que fosse publicada notícia errada, dando conta de ter havido morte na desocupação judicial da área conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos, SP, quando era Presidente da Seccional RJ. Vejam Senhores e Senhoras, O Presidente da OAB RJ "deixou" publicar notícia inverídica sobre uma desocupação judicial no ESTADO DE SÃO PAULO, como não houvesse mazela no ESTADO DO RIO DE JANEIRO que merecesse mais atenção.

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advogado ou parlamentar

elias nogueira saade (Advogado Autônomo - Civil)

Basta a leitura do EAREsp 519194, oriunda da 1ª Seção, interpretando o art. 30,II do Estatuto, para dar razão à magistrada.

Polícia Federal não é casa da Mãe Joana.

Onofre Junqueira (Agente da Polícia Federal)

Quem está produzindo um festival de baboseiras é o Wadih Damous. Só depois de condenado em duas instâncias é o Wadih resolveu ser advogado do Lula ? Petistas e a eterna mania de burlar as leis. O tal Leonardo Boff nunca pisou numa penitenciária para dar conforto espiritual aos ladrões pobres. O tal de Esquivel nunca se preocupou com as condições carcerárias dos ladrões de galinha. Petistas estão pensando a PF de Curitiba é a casa da Mãe Joana , onde entra todo mundo. Eles pensam que Lula está passando dias em algum spa. Não está, Lula está preso !

deputado x advogado

elias nogueira saade (Advogado Autônomo - Civil)

No mínimo o advogado arranhou a ética prevista no Estatuto da Advocacia. Prefiro esta opinião, do que qualificar como ignorância jurídica. O problema é que estamos vivendo um grave momento. O fanatismo trás como consequência a cegueira deliberada.

E como ficam os vereadores?

Bruno Kussler Marques (Advogado Autônomo - Internet e Tecnologia)

Se parlamentares não podem exercer a advocacia o que dizer dos milhares de vereadores espalhados pelo Brasil que além de vereadores também atuam como advogados? Todos os atos enquanto advogados que são são anuláveis porque são uma juíza resolveu entender que eles não podem advogar? Ah esse Código Penal de Curitiba...

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