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Extermínio de reputações

IDDD defende Mariz e critica exploração midiática irresponsável

"O uso exagerado da delação premiada como meio de investigação e sua simbiótica exploração midiática têm produzido uma escalada sem precedentes de denuncismos irresponsáveis que, ao não serem comprovados, servem apenas ao extermínio sumário de reputações". 

Mariz foi acusado por Funaro de ter alertado Temer sobre delação. José Cruz/ABr

A afirmação é do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD) que, em nota, saiu em defesa do advogado Antônio Claudio Mariz de Oliveira. 

Ele foi acusado pelo doleiro Lúcio Funaro, seu ex-cliente, de repassar informações de sua delação ao presidente Michel Temer, cliente e amigo pessoal. O IDDD é quarta entidade de advogados a defender o criminalista.

Segundo o instituto, a exposição de Mariz foi destituída de qualquer prova ou credibilidade, com o intuito de "fragilizar a advocacia e todos aqueles que vêm denunciando os abusos do Estado na condução das investigações criminais. A forma mais vil de violação do direito de defesa é a difusão de calúnias e difamações por parte de agentes do Estado". 

A nota, assinada pelo presidente do IDDD, Fábio Tofic Simantob, lembra ainda o suicídio do reitor Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo. Para Tofic, a morte do reitor é consequência desta exposição leviana e irresponsável. "De que adianta um alvará de soltura ou uma sentença de absolvição depois que a reputação já foi arrasada, o nome lançado ao rol dos culpados pela opinião pública, e a família inteira condenada ao vexame e à vergonha?". questiona. 

O IDDD encerra a nota dizendo que está na hora de frear o uso abusivo da prisão preventiva, e sua utilização para extorquir delações. Além disso, pede o fim dos vazamentos criminosos de delações que ainda não foram sequer assinadas, homologadas ou confirmadas por outros elementos de prova.

Leia a nota do IDDD:

No próximo dia 9 de outubro, a Seccional Paulista da Ordem dos Advogados do Brasil realizará justo e oportuno desagravo ao advogado e ex-Presidente da casa, Antônio Claudio Mariz de Oliveira.

A razão para realizar o desagravo foi a exposição midiática, destituída de qualquer prova e credibilidade, da palavra de um mero delator, com o escopo indisfarçável de fragilizar a advocacia e todos aqueles que vêm denunciando os abusos do Estado na condução das investigações criminais.

A forma mais vil de violação do direito de defesa é a difusão de calúnias e difamações por parte de agentes do Estado. O uso exagerado da delação premiada como meio de investigação e sua simbiótica exploração midiática têm produzido uma escalada sem precedentes de denuncismos irresponsáveis que, ao não serem comprovados, servem apenas ao extermínio sumário de reputações. Não é o caso do renomado advogado, cuja reputação e bom nome são infensos a qualquer ataque desta natureza.

A finalidade do devido processo legal é uma só: impedir a condenação de um inocente. A justiça penal que perde de vista esta função primordial afunda na iniquidade, descamba para o arbítrio e promove a insegurança jurídica. A morte do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina é a consequência inevitável da forma leviana e irresponsável com que meros suspeitos estão sendo lançados ao lodo da corrupção, condenados à vergonha perpétua, presos eternamente à infâmia das acusações, antes de qualquer chance de defesa. De que adianta um alvará de soltura ou uma sentença de absolvição depois que a reputação já foi arrasada, o nome lançado ao rol dos culpados pela opinião pública, e a família inteira condenada ao vexame e à vergonha?

Prisões sem processo, delações sem prova, condenações públicas sem direito a defesa, punição antecipada. Estes são os artefatos fabricados por um Estado policialesco, que incentiva a histeria coletiva da população para seus agentes depois se regozijarem no altar imaculado e santificado da luta contra a corrupção no país.

Está mais do que na hora de frear o uso abusivo da prisão preventiva, e sua utilização para extorquir delações. É hora também de acabar com vazamentos criminosos de delações que ainda não foram sequer assinadas, homologadas e muito menos confirmadas por outros elementos de prova.

Fábio Tofic Simantob
Diretor Presidente do IDDD

Revista Consultor Jurídico, 6 de outubro de 2017, 11h23

Comentários de leitores

2 comentários

Investigação

O IDEÓLOGO (Outros)

Tudo deve ser investigado.
O Dr. Mariz pode ter alertado o Presidente Michel Temer da delação de Funaro? É possível, como não é.
O preso Funaro pode ter "armado" uma cilada para o Dr. Mariz? É possível, como, também, não.
O Dr. Antônio Cláudio Mariz de Oliveira é um advogado experiente? É. E o doleiro e financista Funaro? Também.

mais uma a serviço dos corruptos

sytote (Advogado Autônomo - Civil)

não se pode falar mail de corruptos !!! As associações tremem de medo !!! estão a serviço do maior ladão que esse país já viu !!!!

Comentários encerrados em 14/10/2017.
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