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Pague um, leve dois

Faculdades de Direito dos EUA fazem "promoções" para atrair alunos

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A dura realidade do mercado jurídico dos EUA é a de que não há emprego para grande parte dos bacharéis que deixam a faculdade de Direito com uma dívida de três dígitos (de US$ 100 mil a US$ 150 mil) e têm de arrumar trabalhos populares, como o de garçom, para não se tornarem insolventes logo ao entrar no mercado.

Por isso, os estudantes estão fugindo dos cursos de Direito, ano após ano. Em 2010, dois anos depois da crise econômica dos EUA, o número de matrículas já havia caído para 126 mil. Em 2016, apenas 97.265 estudantes se matricularam nas 237 faculdades americanas, de acordo com a American Bar Association (ABA).

Algumas delas estão à beira de fechar as portas. Mas outras faculdades estão conquistando alunos com programas inovadores, que preparam os futuros bacharéis para abrir o próprio escritório, em oposição a procurar emprego. São programas voltados para a “vida real”, o que significa ir além da teoria jurídica, diz o Financial Times.

A última novidade é a de que diversas faculdades estão oferecendo, por exemplo, cursos próprios das escolas de negócios (business school), em complemento à formação jurídica. São cursos de empreendedorismo, que preparam os estudantes para, digamos, abrir seus próprios negócios.

Uma vantagem desse arranjo para os estudantes é a de que os cursos são condensados. Tradicionalmente, um curso de direito dura três anos. Somado a um curso de negócios de dois anos, todo o percurso duraria cinco anos. Mas as escolas estão elaborando programas que limitam os cursos ao essencial. O mínimo requerido para cursos de Direito nos EUA é 24 meses.

Assim, em algumas faculdades os dois cursos podem ser concluídos em três anos – dois de Direito e um de negócios. É claro que muito da parte teórica dos cursos é eliminada. Mas é uma solução prática para os estudantes, que querem economizar tempo e dinheiro para entrar no mercado. Lembra a popular promoção “pague um, leve dois”.

Não há prejuízo para as universidades, porque elas vão usar seus recursos por três anos — e não por cinco. E para os estudantes preocupados com a falta de emprego, acompanhada de uma alta dívida, isso soa como um grande negócio, diz o diretor de administração da seção de educação jurídica da ABA, Barry Currier.

Algumas Faculdades de Direito conceituadas adotaram a estratégia. Entre elas estão as faculdades da Universidade Harvard e da Universidade de Nova York, que já oferecem programas de bacharelado em Direito e em negócios em um pacote.

Em Illinois, os estudantes podem se formar pela Faculdade de Direito Northwestern e estudar negócios na Escola de Adminsitração Kellog. O reitor da faculdade de direito, Daniel Rodrigues, justifica: “Os clientes esperam, cada vez mais, que o advogado seja versado nas práticas modernas de negócios. Por isso, educar os estudantes nessa área se tornou uma prioridade”.

A Faculdade de Direito Carey da Universidade de Maryland foi uma das primeiras a lançar um curso de incubadora para startups para estudantes de direito com ambições empresariais. A faculdade criou um programa para advogados empreendedores, que podem fazer treinamento em negócios como pós-graduação.

A Faculdade de Direito Marshall, de Cleveland, montou um sistema em que o bacharel pode fazer mestrado com apenas um curso adicional de outras áreas.

As faculdades não têm qualquer problema com a ABA, que credencia e fiscaliza as faculdades de Direito nos EUA (e equivale à Ordem dos Advogados no Brasil). Ao contrário, a ABA tem encorajado as faculdades as montar currículos que preparem melhor os estudantes para o mundo do trabalho.

O curso de negócios ajuda particularmente os estudantes que querem, após se formarem, abrir um escritório para atender empresas de pequeno e médio porte. A maioria dessas empresas, pelo menos nos EUA, não têm acesso a escritórios de advocacia de grande porte — ou mesmo de médio porte — porque os custos estão acima de suas capacidades financeiras.

Embora o mundo dos negócios seja o maior destaque desses esforços, as faculdades podem preparar os estudantes para criar nichos em outras áreas, com as de saúde, tecnologia, segurança, compliance, contratos, etc.

Com o mesmo objetivo de fugir da crise, outras faculdades americanas divisaram outras soluções para atrair estudantes, como a criação de incubadoras de escritórios de advocacia, treinamento especial para prática solo e o escritório-escola, a exemplo do hospital-escola.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 21 de novembro de 2017, 11h40

Comentários de leitores

3 comentários

Reitero a informação

Alair Cavallaro Jr (Outros)

Reitero a informação do Sr. Vasco e mais.
Em um pais corrupto em que os que deveriam fiscalizar, associam-se a governos e criminosos, não há o que esperar.

Já que o colega Vasco tocou no assunto...

Paulo Moreira (Advogado Autônomo - Civil)

Preliminarmente, cumpre observar que muitos dirão: “se não consegue passar na prova da Ordem é porque é burro”. Por outro lado, os críticos bradarão que “a prova da OAB é um caça-níquel e que pretende fazer reserva de mercado” (grande Vascão!). Com a devida vênia, ambos os posicionamentos estão equivocados.

É ocioso discutir a extinção do exame da OAB. No entanto, o que deve ser debatido é o “modus operandi” da FGV ao elaborar as questões.

A supracitada banca utiliza redações ambíguas e enunciados extensos, com informações prescindíveis ou ausentes as necessárias -o que é ainda mais grave. Igualmente, abusa do uso de teorias que, por óbvio, não serão vistas na prática. Ato contínuo, “inventa” questões sobre casos isolados e que somente ela sabe a resposta.

Ora, resta cediço que assertivas engendradas dessa forma não lograrão êxito em medir a capacidade de ninguém, mesmo que minimamente.

Ademais, o conteúdo jurídico externado por alguns juristas por aí corrobora isso. Foram aprovados. Sabem toda a estrutura de um recurso. Mas desconhecem o esteio de uma exordial, a peça mais vista. Ou acham que vício e fato do serviço/produto são sinônimos. Ou ainda, que as ações de usucapião e possessórias são sinônimas.

Quanto à taxa de inscrição a R$ 260,00, basta comparar os valores cobrados em certames diversos para que se vislumbre um abuso indubitável.

Por fim, depreende-se que o exame da Ordem dos Advogados do Brasil deve subsistir. Contudo, ele deve ser reformulado urgentemente para atingir o fim a que se destina.

Aqui no Brasil criam-se dificuldades p/ colher facilidades

VASCO VASCONCELOS -ANALISTA,ESCRITOR E JURISTA (Administrador)

Por Vasco Vasconcelos, escritor e jurista. De acordo com a Constituição art. 209 compete ao poder público avaliar o ensino. Dito isso não é da alçada da OAB e de nenhum sindicato avaliar ninguém. Isso é um abuso um estupro à CF. Taxa concurso público p/ advogado da OAB/DF apenas R$ 75, taxa do jabuti de ouro da OAB o famigerado caça-níqueis exame da OAB, pasme R$ 260, (um salto ao bolso). Qual o real destino dos quase R$ (Um bilhão de reais), extorquidos/tosquiados dos bolsos dos cativos da OAB? Por quê esse dinheiro não é revertido no reforço das qualificações dos seus cativos? Isso é fato: A escravidão brasileira foi abolida há cento e vinte e nove. Antes da promulgação da Lei Áurea, era legal escravizar e tratar as pessoas como coisa, para delas tirarem proveitos econômicos. A história se repete: O jabuti de ouro da OAB, o famigerado caça-níqueis exame da OAB, cuja única preocupação é bolso dos advogados devidamente qualificados pelo Estado (MEC), jogados ao banimento, sem direito ao primado do trabalho, renegando pessoas a coisas. E ainda falam em dignidade da pessoa humana? A palavra advogado é derivada do latim, advocatus. Segundo o dicionário Aurélio, Advogado é o “Bacharel em direito legalmente habilitado a advogar, i. e., a prestar assistência profissional a terceiros em assunto jurídico, defendendo-lhes os interesses, ou como consultor, ou como procurador em juízo”. Senhores membros do Parquet, o que OAB vem praticando com seus cativos e/ou escravos contemporâneos, deve ser sim, tipificado como trabalho análogo à escravidão, ao cercear o direito ao primado do trabalho. Como esses cativos vão pagar o Fies? Como vão conseguir experiências três anos exigidos nos concursos públicos p/ magistratura, se não têm direito ao trabalho?

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