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"Gestão da vida"

Juíza autoriza advogado de Mato Grosso a andar armado para se defender de ameaças

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A Justiça Federal em Mato Grosso autorizou um advogado a andar armado para se defender de outro advogado que lhe tem feito ameaças. De acordo com decisão da juíza Vanessa Curti Perenha Gasques, da 2ª Vara Federal de Mato Grosso, o advogado “vem enfrentando situação específica de risco à sua integridade física a justificar a autorização excepcional do pedido de autorização de porte de arma”.

Na decisão, a magistrada ressalvou que “em momento algum deve ser admitido o incorreto manuseio” da arma, uma pistola calibre .380 da marca Taurus. “A arma, portanto, só deverá ser utilizada diante de uma reação inesperada e, exclusivamente, para fins de defesa pessoal, observando-se o princípio da proporcionalidade.”

O advogado que pediu para andar armado havia feito o pedido para a Polícia Federal, responsável pelo controle das armas distribuídas a civis no Brasil. Em despacho, a Superintendência da PF em Mato Grosso não autorizou o porte: “Não nos parece razoável o temor manifestado pelo requerente no sentido de ser alvo da ação de delinquentes com os quais tenha mantido contato. Este é o ofício do advogado, e no mais das vezes este é o tipo de contato que lhe será apresentado, cabendo a ele a gestão de sua vida e ao Estado lhe prestar segurança pública cabível”.

No documento, a Superintendência da PF afirma que conceder o porte a esse advogado obrigaria a corporação a conceder a todos os advogados em situação semelhante. Ou seja, continua o despacho, seria uma “questão institucional”, que só poderia ser tratada pelo Legislativo.

A juíza, no entanto, disse que o caso é excepcional. O autor do pedido registrou queixa contra seu ameaçador, que foi condenado justamente pelo crime de ameaça. Consta do processo que ele é acusado do mesmo crime por outras pessoas, sempre por disputas relacionadas a honorários. Portanto, se trata do caso de uma pessoa ameaçada “por indivíduo reincidente em crimes graves”, ponderou a magistrada.

Demanda institucional
A Superintendência da PF em Mato Grosso tem razão. O porte de arma é, de fato, uma demanda institucional da advocacia. Em junho deste ano, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados deu parecer favorável a projeto que permite a advogados andarem armados — e retira da PF a decisão sobre o porte de arma de civis.

O projeto é de autoria do deputado Ronaldo Benedet (PMDB-SC) e se baseia no princípio segundo o qual não há hierarquia entre advogados, membros do Ministério Público e juízes. E todos eles passam pelos mesmos riscos e sofrem os mesmos tipos de ameaças, mas só os dois últimos têm direito a porte de arma de fogo.

A CCJ ainda não votou o parecer favorável ao projeto, do deputado Alceu Moreira (PMDB-RS).

Clique aqui para ler a decisão que autorizou advogado a andar armado.
Mandado de Segurança 1000895-47.2017.4.01.3600

 é editor da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 20 de novembro de 2017, 14h12

Comentários de leitores

2 comentários

Assustador

joaovitormatiola (Serventuário)

Queria ver se alguns congressistas chegassem à conclussão que não parece rozoável que os policiais federais tenham arma de fogo porque lidar com deliquentes faz parte do seu ofício.

Alguém explique

Observador.. (Economista)

“Não nos parece razoável o temor manifestado pelo requerente no sentido de ser alvo da ação de delinquentes com os quais tenha mantido contato. Este é o ofício do advogado, e no mais das vezes este é o tipo de contato que lhe será apresentado, cabendo a ele a gestão de sua vida e ao Estado lhe prestar segurança pública cabível”.

O que significa "cabendo a ele a gestão da sua vida", na visão de quem negou o pedido e escreveu?
O advogado está exatamente procurando gerir sua vida....e manter-se vivo.
E o Estado não é onipresente.Jamais prestará segurança cabível em país continental e populoso.
Não somos a Finlândia(país em que os cidadãos tem armas)
Nem a Suíça (país em que os cidadãos tem armas).
Temos território imenso. Pessoas que vivem nos mais diversos rincões.

Esse monopólio da decisão, que faz com que pessoas com armas avaliem , da forma mais subjetiva possível, quem deve ou não ter armas, é mais uma excrecência nacional.

Que o legislativo acate a decisão do povo, que foi abusivamente deixada de lado quando foi feito o plebiscito sobre desarmamento.
Pessoas sem conflitos com a lei, desarmadas, são presas fáceis de Estados opressores e dos mais diversos bandidos.
Todos sabemos disso.
Menos, talvez, os que acreditam em duendes ou unicórnios.

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