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Opinião

Aumento da contribuição previdenciária dos servidores é inconstitucional

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O Governo Federal oficializou que, a partir de 1º de fevereiro de 2018, haverá um aumento da contribuição previdenciária do servidor público, de 11% para 14%, dentro das seguintes especificidades: sobre o valor do teto do INSS, de R$ 5.531,31 (em 2017), os servidores permanecerão contribuindo com o percentual de 11%; já para o valor da sua remuneração que ultrapassar o teto referido, incidirá a alíquota de 14%.

O reajuste está previsto na Medida Provisória 805/2017, publicada no último dia 30 de outubro. Segundo o texto, para os servidores que receberem valores iguais ou inferiores ao teto do INSS, não haverá modificação do percentual contributivo, permanecendo os 11%.

Contudo, os servidores que receberem valores maiores do que o teto, serão frontalmente prejudicados. Vale acrescentar que essa medida também implicará no aumento da contribuição dos servidores aposentados, majorando-a para 14%, sobre o valor de sua aposentadoria que ultrapassar o teto do INSS. Os servidores que forem portadores de doenças incapacitantes também serão obrigados a contribuir com a alíquota de 14%, mas sobre aquilo que ultrapassar o dobro do teto do INSS.

Essa medida tem o nítido propósito de não apenas arrecadar maior valor de contribuição previdenciária, mas, também, de fomentar a migração dos servidores públicos ao Funpresp.

A migração ao Funpresp impõe a limitação da aposentadoria futura do servidor ao teto do INSS, o que gera a sensação falsa de que o servidor contribuirá com menor valor.

Importante frisar que a opção de migração ao Funpresp é potencialmente lesiva, na medida em que retira do servidor a possibilidade de receber um benefício público superior ao teto do INSS, aderindo esse servidor ao sistema de previdência complementar.

Quanto à MP, para além da discussão sobre a ausência de urgência e relevância, que são pré-requisitos para a sua adoção, é imperioso reconhecer a sua inconstitucionalidade. Isso porque não se pode adotar Medida Provisória para regulamentar artigo da Constituição Federal cuja redação tenha sido alterada por meio de emenda promulgada entre 1º de janeiro de 1995 até a promulgação da Emenda Constitucional 32/2001, nos termos do artigo 246 da Constituição Federal.

Também pode-se arguir a inconstitucionalidade do aumento da contribuição na medida em que ele está desatrelado da observação de critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial. A despeito da contribuição previdenciária poder ser majorada, em tese, por intermédio de medida provisória, é imperioso que o aumento de alíquota contributiva esteja dentro de um estudo atuarial prévio, que evidencie essa necessidade.

Não se pode promover a modificação da alíquota contributiva por mero capricho governamental, ou despesa circunstancial, com intuito exclusivamente confiscatório, sem que esse aumento tenha correlação direta com um profundo estudo atuarial, impossível de ser realizado em edição de Medida Provisória.

A justificativa para o aumento da contribuição para os servidores é meramente financeira, sob o argumento de que é preciso cortar gastos e aumentar a arrecadação.

Assim, seja sob o prisma da inconstitucionalidade formal, seja pelo prisma da inconstitucionalidade material, é mister que se reconheça a natureza confiscatória do aumento da alíquota de contribuição dos servidores públicos titulares de cargos efetivos.

Leandro Madureira Silva é advogado, sócio do escritório Roberto Caldas, Mauro Menezes & Advogados e especialista em Direito Previdenciário e Direito Público.

Revista Consultor Jurídico, 6 de novembro de 2017, 16h10

Comentários de leitores

3 comentários

Inconstitucional ?

Junior Azevedo Martins (Advogado Autônomo)

Não vejo nenhuma inconstitucionalidade, e outra, não estamos falando de pobres assalariados. A constituição também fala que a previdência é SOCIAL, lembro muito bem do pessoal da Receita Federal defendendo no Congresso anos atrás, quando os trabalhadores da iniciativa privada pediam que a previdência passasse a ser um sistema de contribuições individuais em que cada um receberia o que tivesse efetivamente pago/recolhido por ser mais justo, o pessoalzinho representante da RF dizia: não não pode ser assim pois está na constituição que a previdência é SOCIAL e por isso alguns pagam mais, outros menos, e outros nada.
Tá aí, se a previdência é SOCIAL então quem ganha mais tem que pagar mais e aposentado que ganha muito também tem que contribuir por que é S O C I A L entenderam? Acho que 14% é muito pouco, deveria ter uma alicota progressiva, quem ganha acima de tanto 18% e quem ganha mais tanto 22% e assim vai. Todo mundo tem que pensar no SOCIAL, certo?

Aumento da Contribuição Previdenciaria dos Servidores é Inco

Aldo Buarque (Agente da Polícia Federal)

Vale salientar que provoca a redução salarial, contrariando, assim, a CF.

Com todas as vênias...

Gabriel da Silva Merlin (Advogado Autônomo)

Mas inconstitucional é esse buraco negro chamado de Regime Próprio de Previdência Social, até porque na prática quem paga por esse buraco colossal é o povo brasileiro.

E o pior é ver muitos desses dizerem defender os pobres, quando na prática defendem justamente que os pobres trabalhem para pagar o buraco do RPPS.

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