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Em espanhol

Aceitei delações para cessar crimes do presidente, diz Rodrigo Janot à CNN

Em entrevista ao canal CNN, dos Estados Unidos, em espanhol, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot defendeu sua atuação e o que seria o legado de sua gestão e da operação "lava jato". 

Questionado sobre o acordo de delação com os executivos da JBS, ele diz que o Ministério Público Federal aceitou os termos do acordo por ter, ali, a chance de acabar com os crimes que estariam sendo cometidos pelo presidente Michel Temer, o senador Aécio Neves, o deputado Rodrigo Rocha Loures e o ex-procurador da República Marcelo Miller.

O ex-PGR explica, ainda, a urgência em aceitar o acordo dizendo que Aécio seria, provavelmente, o próximo presidente do Brasil.

Ao avaliar o possível fim da operação, afirma, otimista: "Chegamos ao fundo, à cabeça da organização criminal. E toda a organização criminal hoje está desvendada".

Assista a entrevista de Janot à jornalista Gabriela Frias:

Revista Consultor Jurídico, 3 de novembro de 2017, 17h14

Comentários de leitores

1 comentário

A lei não pode beneficiar aqueles que agem com torpeza

DAGOBERTO LOUREIRO - ADVOGADO E PROFESSOR (Advogado Autônomo)

Excelente entrevista. Contudo, Janot se contradiz ao dizer que recebera a delação dos irmãos Batista para interromper a carreira de crimes do farsante que ocupa a presidência da república e do senador marginal, Aécio Neves. E, por isso, os teria favorecido com isenção penal ampla e irrestrita, mesmo porque corriam risco de vida. De fato, os irmãos proprietários da JBS forneceram-lhes todos os elementos necessários e suficientes, que, posteriormente, foram neutralizados pela bandidagem política fortemente instalada no poder, seja com o auxílio da mídia nacional, corrupta, decadente e venal, seja com o auxílio dos tribunais de Brasília, comprometidos com esse estado de coisas. Ressalte-se, porém, as pessoas que, fazendo parte desses organismos, lutam para que a verdade, a decência e a justiça prevaleçam.
Não obstante, é desolador o quadro atual: Temer, o Rei do Porto de Santos, e o “gangster” Aécio Neves permanecem intocados e os irmãos Batista estão na cadeia, um retrato desmistificador da podre realidade brasileira. Janot cedeu às pressões dos políticos e da mídia, valendo-se de um episódio confuso causado intempestivamente pelos delatores.Essa a grande contradição, que põe em risco as delações no Brasil.
E nem se alegue que estão cumprindo a lei e a Constituição, pois há um princípio jurídico inescapável, que vem dos romanos, no sentido de que não se interpreta a lei de modo a favorecer aqueles que agem com torpeza. De fato, a lei não pode ser interpretada de forma a favorecer criminosos, como tem acontecido, mormente nos tribunais de Brasília, quando julgam, pois, na maioria dos casos, os processos ficam engavetados aguardando a prescrição, outra das muitas insanidades do nosso direito.
Há que se por um termo nessa situação escabrosa e esdrúxula.

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