Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

O corpo paga

Empresa não pode ser culpada por decisões subjetivas do empregado, diz TST

Um motorista de caminhão não conseguiu atribuir ao seu empregador o ônus por sua obesidade. Ele afirmou na ação que o excesso de trabalho impedia que ele tivesse uma dieta saudável, praticasse exercícios físicos e descansasse adequadamente. Como resultado, continuou, ele ganhou muito peso e desenvolveu uma doença que o obrigou a amputar parte da perna.

Autor alegou que sua obesidade era resultado da falta de tempo para fazer exercícios, se alimentar bem e descansar.

O motorista pedia indenização por danos morais, mas o laudo pericial concluiu que não existia nexo de causalidade entre a lesão do trabalhador e suas rotinas de trabalho. Segundo o perito, o problema de saúde do autor da ação resultou de seu estilo de vida, especialmente ao tabagismo.

A 7ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho não concedeu o recurso apresentado. De acordo com o ministro Cláudio Brandão, relator do caso, não foi o trabalho que tornou o motorista um sedentário ou atrapalhou sua alimentação. “O empregado trabalhava externamente, a empresa não lhe fornecia refeição, e ele tinha possibilidade de estabelecer as paradas”, afirmou.

Para Brandão, é preciso fixar marcos delimitadores desses casos, “que representam excesso de postulação por danos morais”. Seguindo o voto do relator, o ministro Vieira de Mello Filho destacou que o caso julgado é o tipo de circunstância “em que as responsabilidades pelas opções e escolhas subjetivas dos empregados não podem ser transferidas aos empregadores”.

Também seguiu o relator o ministro Douglas Alencar Rodrigues, para quem os fatos afastam a responsabilidade da empresa. De acordo com Brandão, concluir de forma diversa do TRT-SC demandaria o reexame de fatos e provas, o que é proibido em sede de recurso de revista (Súmula 126).

Com o desprovimento do agravo, foi mantida a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (SC), que isentou a empregadora e outras empresas do grupo econômico de arcar com a doença do autor. Com informações da Assessoria de Imprensa do TST.

Clique aqui para ler o acórdão.
AIRR - 526-29.2012.5.12.0020

Revista Consultor Jurídico, 24 de maio de 2017, 14h29

Comentários de leitores

2 comentários

Fim da picada

Nathália T. (Advogado Autônomo - Trabalhista)

Era só o que faltava, o empregador ser condenado pelos hábitos de vida ruim dos empregados.
Em breve, os empregados vão querer receber salário, sem prestar serviço.

Querendo tirar proveito duma vida sedentária

O Trovador (Outros)

Se não tinha tempo para a pratica de exercícios, poderia compensar na alimentação, pois 80% do que é o nosso corpo depende exclusivamente da alimentação, e por mais que a vida seja corrida, não tem desculpa para a troca de uma alimentação saudável por porcarias aliadas ao fumo!
Enfim, boiou na parada e ganhou uma amputação de presente!

Comentários encerrados em 01/06/2017.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.