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Segunda Leitura

Filhos do crack: um problema difícil, mas que deve ser enfrentado

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4 comentários

Esterilização é tabu

Simone Andrea (Procurador do Município)

No Brasil, esterilização é tabu. Não se pode sequer discutir, propor, tampouco, sob pena de quem o faz ser acusado de "fascista" ou quejando. Exemplo disto é a Lei 9263/1996, que confessa a que veio, no inciso I do art. 10: que os interessados deverão passar por uma equipe multidisciplinar antes da cirurgia, a qual deverá "desencorajar a esterilização precoce". Essa Lei coloca inúmeras restrições à esterilização voluntária, como a proibição de esterilização em período de parto ou aborto. É mais fácil amputar um membro de uma pessoa do que esterilizá-la a seu pedido. Muito bem! Muitas mulheres são impedidas de se esterilizar (voluntariamente!) por conta dessa lei obscurantista. A falta de planejamento familiar gera criança, que não é uma coisinha fofa: é pessoa humana. A atitude brasileira frente à esterilização é inadequada em qualquer situação, sobretudo em duas: a) pessoas de baixa renda; b) mulheres viciadas em drogas e alcóolatras. O Estado e a sociedade têm que abandonar a visão da esterilização como tabu e começarem, urgente, a RACIOCINAR em termos de causas e efeitos, já demonstrados pelo artigo. Esperar que viciados em droga "mudem" seu comportamento para se importarem com a saúde/bem-estar dos filhos, como alguns ativistas e políticos insistem, é proselitismo lisérgico. São necessárias medidas com resultados rápidos. O programa estadunidense mencionado no artigo é um deles. Eu vou mais longe: viciadas colocam em risco a saúde de futuro concepto. Além de condenar pessoas humanas a uma nascer na miséria. A esterilização precisa, nesses casos, ser voluntária? A doença e a miséria do bebê não serão voluntárias, com toda certeza.

Os políticos vivem da miséria alheia

henrique nogueira (Estudante de Direito - Civil)

Ora, não interessa ao meio político que os problemas sejam dissipados em sua origem...Eles querem garantir que as gestantes viciadas em crack continuem gerando filhos que serão usados em suas criminosas campanhas eleitorais, com o tema de que ele TEM A SOLUÇÃO, e para tanto será necessário milhões para ser aplicado ao seu "projeto" de reabilitação (sem passar pela laqueadura de trompas), para tirá-las do vício e tratar os recém-nascidos. Laqueadura de trompas não interessa a estes políticos que vivem da miséria do povo, eles não querem a solução e sim, pseudos programas que só consumirão os bilhões de impostos dos contribuintes e que nunca serão transformados em investimentos para o SUS. A politicagem vive da miséria alheia, que é a bandeira que eles levantam para arrecadar votos, e sem esta miséria eles não sobrevivem politicamente. Quem vive da violência é o setor de Segurança Pública, e consequentemente da miséria, a politicagem corrupta e assassina. O péssimo político vive da bandeira do "menor abandonado", e sem o sofrimento destas crianças, o político marginal não sobrevive.

Descomplincado

ponderado (Funcionário público)

Para descomplicar o problema de drogas é necessário criar multas pesadas por quantidade apreendida, com participação dos agentes no valor delas, revertendo o restante da arrecadação a um fundo responsável por manter clínicas de tratamento de viciados. OU seja, o problema só se resolverá com plano econômico, e jamais com prisão, pela qual os problemas só se agravam, pois somente mulas/inocentes pagam a conta, indo para a cadeia, enquanto os donos do mercado faturam alto..

Não é possível e escolher pelo outro

Rejane Guimarães Amarante (Advogado Autônomo - Criminal)

Dr. Vladimir, congratulações pelo importante artigo. A questão das drogas sempre deve ser debatida, sob todos os aspectos. Do jeito que está, não podemos deixar continuar. No caso específico da gestante dependente química, nenhuma das "soluções" apresentadas é racional. Considerando que cada mulher dependente tem uma personalidade individual e uma situação familiar e social própria, devem ser facultadas à paciente TODAS as possíveis "soluções". Por outro lado, quando se debate a possibilidade de descriminalização do comércio de entorpecentes, muitas pessoas manifestam-se contrariamente, muitas sem conhecer o assunto. Sendo a repulsa social tão intensa, parece-me que devemos orientar a legislação penal em função dos danos às vítimas. Assim, o tráfico de "drogas pesadas" como a cocaína, o crack e a heroína, que, inclusive, comprometem rapidamente o discernimento do usuário e despertam instintos selvagens, deveria ser apenado com muito rigor, o traficante não teria direito a responder o processo em liberdade, não teria direito à progressão da pena e, principalmente, deveria ser um delito qualificado no caso de vender para uma usuária do sexo feminino. Isso nunca foi feito, não custa tentar.

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