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Pedido de providências

CNJ investigará juiz que acusou ministro Gilmar Mendes de corrupção

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A Corregedoria Nacional de Justiça vai instaurar um pedido de providências para apurar a conduta do juiz Glaucenir de Oliveira, da Vara Criminal de Campos dos Goytacazes (RJ) e titular da Zona Eleitoral da cidade. Ele é o responsável pelas investigações e pelo processo nos quais o ex-governador do Rio Anthony Garotinho é acusado de corrupção e compra de voto. Em mensagem de áudio encaminhada a um grupo de WhatsApp, o juiz acusa de corrupção o ministro Gilmar Mendes, que concedeu Habeas Corpus a Garotinho para cassar a prisão preventiva do político.

Corregedor nacional, João Otávio de Noronha vai instaurar procedimento para investigar conduta de juiz no WhatsApp.
Gilmar Ferreira

“A mala foi grande”, diz o magistrado, na mensagem, insinuando que o Habeas Corpus foi concedido porque o ministro recebeu dinheiro do ex-governador. “Não quero ser leviano”, continua Glaucenir, “estou vendendo o peixe tal como eu comprei, de pessoas que sabem porque estão no meio. O que dizem é que a quantia foi alta”.

Segundo o ministro João Otávio de Noronha, corregedor nacional de Justiça, será instaurado um pedido de providências para analisar que infrações foram cometidas. Depois, eventualmente, será instaurado um processo administrativo disciplinar.

Ouça a mensagem:

A Polícia Federal também deve instaurar um inquérito para apurar se houve crime na conduta de Glaucenir. O corregedor-geral de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Claudio Mello, disse que recebeu o áudio do magistrado e uma série de informações e vai apurar que procedimento adotar.

Na mensagem, Glaucenir também diz que “temos outros ministros que são omissos, parece que se acovardam”. Ele conta aos integrantes do grupo que o juiz que o substituiu durante o recesso pensa em se declarar impedido porque “não quer dar a cara a tapa”. “Virar palhaço de circo do Gilmar Mendes não tem condição”, conclui ele.

À ConJur, o magistrado disse que não quer falar publicamente sobre assunto. Só explicou que não fez qualquer acusação, apenas comentários num grupo fechado de juízes.

Em 2009, Glaucenir foi acusado por um empresário de ter sacado e apontado uma arma para ele depois de um show da banda Skank, em Guarapari (RJ). Segundo o empresário, ele interpelou o juiz porque ele teria mexido com sua mulher. Foi quando ele sacou a arma e a apontou contra a cabeça do empresário, pedindo para que a segurança o removesse de lá à força.

Segundo reportagem do jornal O Globo na época, o juiz disse no inquérito que não sacou a arma, apenas repousou a mão sobre o coldre, “por reflexo”. Ele disse ter “sofrido um esbarrão, seguido de uma cotovelada”.

 é editor da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 23 de dezembro de 2017, 20h31

Comentários de leitores

12 comentários

Desesperança

Igor Moreira (Servidor)

A interceptação telefônica contendo solicitação de vantagem indevida, a confissão e colaboração do corruptor, a gravação de vídeo da mala e a apreensão dos pacotes de dinheiro não estão resultando em condenação nesta República, imagine-se uma simples representação de juiz de primeiro grau. Seria arquivada de plano para o desconhecimento geral da sociedade. O fato de o juiz ter desabafado em grupo fechado de seus colegas magistrados revela sua descrença na séria apuração de crimes praticados por ministros do STF.

The Gilmar Mendes: uma verdadeira comédia de horrores!

jorgecarrero (Administrador)

O CNJ deveria investigar (e já deveria ter começado) a série de denúncias, de fatos, de atitiudes e de ações relacionadas à figura sombria desse espécime ocupante do mais alto espaço no judiciário brasileiro. Inverter a ordem dos processos, colocando apontadores de supostos evidências ou não, dimimui na mesma proporção a credibilidade deste órgão. É o que penso!

Simples de resolver

Marcelino Carvalho (Advogado Sócio de Escritório - Tributária)

Se o magistrado do audio realmente acredita nas pessoas que lhe trouxeram a história da "mala grande", ele teria o dever de, tomando conhecimento de um crime dessa gravidade, solicitar que essas pessoas formulassem a denúncia do fato ou que ele mesmo desse conhecimento às autoridades competentes do fato e solicitasse a apuração (até porque, pelos impropérios que ele, no audio, assaca contra o outro magistrado - Gilmar Mendes - mostra que ele acreditou no que ouviu).
Do outro lado, cabe ao nobre Magistrado declinar ao CNJ a ou as pessoas que lhe trouxeram tal história sobre a "mala" para que estas esclareçam de onde veio isso. Simples assim!

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