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Surpresa nas urnas

Ex-procurador democrata é eleito para Senado dos EUA em estado republicano

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O Partido Republicano conta com voto cativo das comunidades cristãs norte-americanas. E o estado de Alabama é um desses redutos republicanos em que os democratas – incluindo o ex-presidente Barack Obama – disputam seguidas eleições sabendo que vão perder, por até dois terços dos votos. Mas, na eleição especial para o Senado desta terça-feira (12/12), ganhou o candidato democrata – por uma diferença de 1,5% dos votos.

O candidato democrata Doug Jones, um ex-procurador geral da República, venceu o candidato Roy Moore, ex-ministro do Tribunal Superior do estado. O resultado é relevante no cenário nacional porque, atualmente, a maioria do Partido Republicano no Senado é de somente dois votos. São 52 senadores republicanos e 48 democratas. Com a vitória do candidato democrata no Alabama, os republicanos perdem uma cadeira e passam a ter a maioria de apenas um voto.

Campanha de Doug Jones, marcada por discurso de dignidade, atraiu votos de eleitores religiosos.
dougjonesforsenate.com

Uma das possíveis razões para a derrota de Moore foi a acusação, durante a campanha, de ter assediado sexualmente várias mulheres quando elas eram adolescentes. Uma delas tinha 14 anos na época, quando Moore tinha em torno de 30 anos.

Ele negou a prática, porém mesmo assim o comitê de campanha do Partido Republicano retirou o apoio a sua candidatura, assim como muitas autoridades republicanas. No entanto, a semanas da eleição, o presidente Donald Trump fez campanha para o candidato republicano. Em vista disso, o comitê de campanha e várias autoridades também passaram a apoiá-lo.

Moore conseguiu chegar ao dia da eleição como favorito. Para explicar o que se passou nas urnas, Doug Jones disse em seu discurso de celebração da vitória que essa campanha foi sobre dignidade, respeito e decência.

Provavelmente foi e isso foi reforçado, em parte, por uma estratégia do Partido Democrata. Semanas antes da eleição, três parlamentares democratas também foram acusados de assédio sexual. Embora as acusações fossem menos graves, os líderes do Partido Democrata pediram a esses parlamentares para renunciar ao cargo e eles o fizeram. O Partido Democrata assumiu, de certa forma, o papel de defensor da moralidade.

Isso não mudou muito a opinião da maioria dos eleitores republicanos do Alabama. Em seguidas entrevistas durante a campanha, eles declaravam que não deixariam de votar para Moore, apesar das denúncias de assédio sexual contra ele. Muitos eleitores entrevistados, mesmo mulheres, diziam que duvidavam das alegações de assédio sexual. E que mesmo que fossem verdadeiras, os interesses do Partido Republicano tinham prioridade na eleição.

Impacto
A perda de uma cadeira pode ter consequências negativas para o governo americano já que, mesmo com maioria de dois votos, Trump não conseguiu passar no Senado alguns de seus projetos de lei mais importantes. Um deles era o que propunha a extinção do Obamacare (o seguro saúde dos pobres) e sua substituição pelo Trumpcare. O Senado também tem dificuldades para aprovar a reforma tributária.

Outro grande interesse, do qual a maioria dos eleitores está ciente, é o de que o Partido Republicano precisa de maioria de votos para confirmar nomeações de juízes para os tribunais federais e para a Suprema Corte. Agora, com a maioria vai ficar no limite, basta uma defecção de um senador republicano para inviabilizar um processo de confirmação.

Para ganhar a eleição, Doug Jones precisou do voto de republicanos. Os eleitores negros, tradicionalmente religiosos, e latinos compareceram às urnas em massa para votar nele. Muitos eleitores brancos votaram em candidatos independentes, graças ao sistema conhecido como “write-in”. Por esse sistema, os eleitores podem escrever o nome de um ou outro candidato que não está na cédula de votação.

Esses, provavelmente, serão os votos perdidos mais doídos para os republicanos, porque, de certa forma, decidiram a eleição. Os votos por “write-in” representaram 1,7% do total de votos. Moore perdeu a eleição por 1,5% dos votos. Ele examina a possibilidade de pedir a recontagem dos votos e até o final do dia não havia feito o tradicional discurso de aceitação do resultado das urnas.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 13 de dezembro de 2017, 9h06

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