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Dignidade no chuveiro

STJ obriga prisões de São Paulo a oferecer banho quente para presos

Oferecer banhos frios a presidiários representa “violação massificada aos direitos humanos”, contraria a Constituição Federal e descumpre convenções internacionais das quais o Brasil é signatário. Assim entendeu a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, ao determinar que o estado de São Paulo garanta banhos aquecidos em todas as suas 168 unidades penitenciárias, em até seis meses.

Segundo a Defensoria Pública de São Paulo, autora do pedido, os presos contam apenas com água gelada para a higiene pessoal, mesmo nos períodos mais frios do ano. A ação civil pública considera o tratamento degradante e diz que a falta da água quente pode ajudar a disseminar doenças como a tuberculose.

A Defensoria usou como argumento a Constituição Estadual (art. 143), a Resolução 14/94 do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária e as chamadas Regras Mínimas para Tratamento de Reclusos da ONU. De acordo com o artigo 13 do texto, “as instalações (...) devem ser suficientes para que todos os reclusos possam, quando desejem ou lhes seja exigido, tomar banho ou ducha a uma temperatura adequada ao clima”.

Em decisão liminar, a 12ª Vara de Fazenda Pública havia determinado que o poder público instalasse os equipamentos para o banho dos presos em temperatura adequada, sob pena de multa diária de R$ 200 mil.

A Presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu a medida por entender que, conforme alegado pelo governo paulista, não existiam condições técnicas para executar a determinação. A medida chegou a ser aprovada pelo Órgão Especial da corte, em 2014.

Fato notório
Embora o STJ não possa reanalisar provas, o relator do caso, ministro Herman Benjamin, afirmou que, conforme o artigo 374 do Código de Processo Civil de 2015, não entram na regra fatos considerados notórios, como a queda sazonal de temperatura em alguns períodos.

No mérito, o ministro entendeu que a Presidência do TJ-SP não apresentou elementos jurídicos que justificassem a suspensão da liminar concedida em primeira instância. Segundo o relator, “o Tribunal da Cidadania não pode fechar simplesmente os olhos a esse tipo de violação da dignidade humana”.

O relator também destacou que o não oferecimento de banhos aquecidos aos detentos paulistas representa “violação massificada aos direitos humanos” e infringe a Constituição Federal e as convenções internacionais das quais o Brasil é signatário.

O voto foi seguido por unanimidade. A 2ª Turma reconheceu que a corte paulista pode apreciar outros recursos que discutam aspectos da decisão liminar, como a forma ou prazo estabelecido para execução da medida pelo estado. Com informações da Assessoria de Imprensa do STJ e da Defensoria Pública de São Paulo.

REsp 1.537.530

* Texto atualizado às 20h05 do dia 27/4/2017 para acréscimo de informações.

Revista Consultor Jurídico, 27 de abril de 2017, 18h41

Comentários de leitores

4 comentários

Rebeldes primitivos

O IDEÓLOGO (Outros)

Os primitivos não precisam de banho quente. Precisam ressarcir as vítimas dos prejuízos de seus crimes, rezarem para as almas delas e permanecerem segregados, eternamente, da sociedade.

"Humanidade" para os desumanos

O Trovador (Outros)

Pena de morte que é bom, nada!
O vagabundo rouba, bate em mulher, bate em idosos, abusa de crianças, estupra, mata friamente, desvia dinheiro público, mas em compensação, um tratamento de luxo e regalias para o bando, e com o nosso suado dinheiro de cada dia! É mole ou quer mais?
Prisão é prisão, colônia de férias é colônia de férias!
Banho frio é tratamento degradante? Se é assim, o crime compensa, infelizmente!
Se algum membro da 2ª Turma do STJ, e da Defensoria Pública-SP tiverem mulher, mãe, filha ou neta agredida ou estuprada por algum bandido desse, será que iriam impor banho quente?
Bolsonaro neles!

A solução é ir pra cadeia.

CesarMello (Advogado Sócio de Escritório - Empresarial)

Bom, acredito que em mais alguns anos a solução para quem está desempregado vai ser entrar na delegacia e xingar a mãe do Delegado.
Assim você passa de um coitado que não tem onde dormir nem o que comer para um custodiado que tem TV, Banho quente, Comida de Primeira, espaço mínimo de ocupação, cursos os mais diversos, aquele futebolzinho à tarde e ainda a família atendida pelo Auxílio Reclusão.

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