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Bandido bom...

73% dos cariocas acreditam que direitos humanos atrapalham combate ao crime

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Para 73% dos cariocas, os direitos humanos atrapalham o combate ao crime, e na visão de 56% deles, quem é a favor de tais garantias só está defendendo bandidos. Além disso, 79% dos moradores do Rio de Janeiro acreditam que haveria redução no número de delitos se as penas fossem mais rigorosas. Entretanto, apenas 25% dos habitantes da capital fluminense consideram que dar carta branca à polícia para matar bandidos seria uma saída eficaz para resolver esse problema.

Os dados são do estudo Olho por olho? – O que pensam os cariocas sobre “Bandido bom é bandido morto”, feito pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes, sob coordenação dos pesquisadores Julita Lemgruber, Leonarda Musumeci e Ignacio Cano.

De acordo com a pesquisa, a maioria dos cariocas (60%) discorda da frase “bandido bom é bandido morto”. Dos 37% que concordam com ela, 38% pensam que a pena de morte deveria ser determinada pela Justiça; 31% acham que a polícia deveria poder assassinar os criminosos; e 6% opinam que a vítima, os familiares dela ou as pessoas em geral devem ter esse poder.

A renda também é um diferencial, conforme a pesquisa. Uma pessoa que ganha mais de cinco salários mínimos por mês tem 47% a menos de chance de apoiar a frase do que aquelas com renda inferior a essa.

O estupro é o crime mais cotado para resultar em pena de morte segundo aqueles que são favoráveis à pena de morte – 94,3% defendem a execução dos que praticaram esse delito. Ele é seguido por homicídio (89%), corrupção (45,2%), tráfico de drogas (44,1%), violência contra a mulher (37,5%) e roubo com arma de fogo (31,2%). Para 22% dos entrevistados, o linchamentos de criminosos é uma prática benéfica.

Entre as religiões mais populares, os evangélicos são os que mais rejeitam o justiçamento social. A chance de os que acreditam em religiões afrobrasileiras concordarem com a frase “bandido bom é bandido morto” é 134% maior, e a dos católicos, 38% maior que a de pessoas de outras religiões ou sem religião.  

Posições contraditórias
A socióloga Julita Lemgruber, ex-diretora do Sistema Penitenciário do Rio de Janeiro, ressaltou as posições contraditórias dos cariocas. “Ao mesmo tempo que 73% acreditam que os direitos humanos atrapalham a luta contra o crime, 70% não acreditam que a polícia deva receber carta branca para matar. Enquanto alguns apoiam pena de morte, a maioria não é favorável à execução extrajudicial. A pesquisa deve ser olhada nessas nuances. Não há uma visão muito consolidada das pessoas sobre o assunto”, disse à ConJur.

Ainda que não haja um consenso, é preciso reforçar o debate sobre direitos humanos, seja por meio de campanhas públicas, seja por meio de aulas sobre o assunto em escolas, destacou Julita. “A criminalidade está crescendo no país. Então, é necessário conciliar a luta contra o crime com os direitos humanos. Ou todos terão seus direitos respeitados, ou ninguém terá”.

Justiça em baixa
Os moradores do Rio dão à Justiça brasileira uma nota média de 3,5, em uma escala de zero a dez. Na visão de 64% deles, a chance de um criminoso ser punido por seus atos é baixa ou muito baixa. Mesmo assim, 79% acreditam que o endurecimento de penas diminuiria a criminalidade, e 86% defendem a redução da maioridade penal.   

A Polícia Civil, por seu turno, recebeu nota média de 5,8; e a Polícia Militar, de 4,9. No entanto, 69% dos cariocas acham que os agentes não sabem distinguir trabalhadores de bandidos, e 62% avaliam que a polícia do Rio é violenta demais.

Segundo Julita Lemgruber, a má avaliação do Judiciário decorre do baixo índice de resolução de crimes. Dos quase 60 mil homicídios que ocorrem por ano no Brasil, menos de 10% são solucionados. “É evidente que há uma sensação generalizada de que a impunidade é muito grande. Não é possível que o crime mais grave tenha um percentual tão baixo de esclarecimento”, declarou a socióloga.

Sem isentar a Justiça, ela apontou que os principais responsáveis por esse cenário são as polícias, que não investigam corretamente as ocorrências. Porém, a culpa, em geral, não é dessas corporações, pois raramente os agentes têm materiais básicos condições de trabalho adequadas. Outro ponto que precisa mudar, para Julita, é a maior atenção dispensada às vítimas das elites em comparação às que integram estratos mais pobres da sociedade.     

Causas do crime
No olhar de 49% dos habitantes do Rio de Janeiro, um sujeito vira bandido por causas de natureza individual: “índole” (24%), escolha pessoal (24%) ou características descritas em campo aberto como “mente fraca”, “burrice”, “falta de caráter”, “falta de vergonha na cara”, “maldade” e “safadeza”, entre outras.

Já para 45% dos cariocas, os motivos do ingresso no crime são ambientais: falta de oportunidade (19%); más companhias (14%); problemas familiares (10%) e, residualmente, circunstâncias sociais como falta de dinheiro, educação deficiente e falta de apoio do Estado ou da sociedade.

4,5% dos entrevistados ainda apontaram motivações espirituais, como falta de religião e falta de Deus no coração.

Clique aqui para ler a pesquisa.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico no Rio de Janeiro.

Revista Consultor Jurídico, 6 de abril de 2017, 7h33

Comentários de leitores

5 comentários

Logo virão os nossos Tonton Macoutes

Ramiro. (Advogado Autônomo)

Pelo andar da carruagem logo defenderão a criação de uma força de segurança pública radicalmente inspirada nos antigos Tonton Macoutes.
Há um forte argumento, não significa que verdadeiro, enquanto Papa Doc e Baby Doc mandavam no Haiti, os Tonton Macoutes mantinham a ordem e a segurança interna, e quando Baby Doc caiu e os Tonton Macoutes foram extintos, o Haiti virou um caos incontrolável...
Parece que há gente que acredita em tais argumentos.

Um falso debate.Uma falsa visão

Observador.. (Economista)

Que interessa à muitos.
No fundo, a sociedade não é contra os Direitos Humanos.É conduzida e fazer escolhas que interessam mais a ideologias do que representam a realidade. No fundo a sociedade está cansada de sentir medo e de ver que ninguém age com firmeza para protegê-la. Parece que ideologias deixam a entender que Direitos Humanos tem lado.
Policiais são humanos.Civis mortos por bandidos são humanos.E nunca este grupo se mobiliza para minimizar a dor de quem sofreu e sofre com a criminalidade desenfreada.
Balas perdidas?Sempre da polícia.Sempre.Bandido deve sempre acertar o alvo...
Policiais mortos?Ninguém comenta.
Crimes bárbaros acontecidos nas cidades?Pouco se fala.
Já nas comunidades, qualquer evento ganha uma dimensão distorcida, onde o que menos se busca é a verdade.
Comunidades reféns de traficantes e toda espécie de bandido...onde a imprensa retrata a polícia sempre como a vilã, nunca os bandidos que lá vivem e impõe o silêncio através do medo.
Chega a ser risível esperar que alguém aponte criminosos como culpados por qualquer coisa, morando na comunidade onde continuarão, após a entrevista dirigida acabar.
Precisamos respeitar os Direitos Humanos de todos os brasileiros.
Precisamos enfrentar e confrontar bandidos de sangue, não só os de colarinho branco. Os de sangue ainda estão todos os dias ceifando vidas, aleijando, usando armamento de guerra para enfrentar a polícia e o Estado.
Acho que o que a sociedade, de fato, almeja, é que se deixem de lado ideologias, falsas premissas e muita distorção, e pacifiquem - de verdade, não de mentirinha - nossas cidades.
Cuidem da sociedade.
Direitos Humanos para todos nós.

Ah o óbvio...

Alexandre (Advogado Assalariado)

Pombas, mas é claro que Direitos Humanos atrapalham o combate ao crime. Atrapalham o combate indiscriminado e sem limite ao crime. E isso não é ruim, muito pelo contrário, é necessário. Da mesma forma, o combate ao crime, com suas penas, é empecilho à plena realização dos Direitos Humanos.

Pesos e contrapesos, direitos e obrigações. Todos são limitadores, necessários e diria até essenciais para uma democracia, mas não deixam de ser limitadores.

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