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Privacidade preservada

Construir janela a 1,5 m do vizinho é ilegal, e lei não abre exceção, diz 3ª Turma do STJ

Construir uma janela a menos de um 1,5 m da divisa com o terreno vizinho é, por si só, ilegal, não sendo necessário que a pessoa lesada prove o prejuízo. Esse é o entendimento da 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça em julgamento sobre a regra do artigo 1.301 do Código Civil, que regula o tema. Para os ministros, o legislador foi claro no texto e não abriu espaço para outra interpretação.

O relator do recurso no STJ, ministro Villas Bôas Cueva, afirmou que a construção de janelas em desacordo com a lei é suficiente para configurar a ofensa, não sendo necessário a aferição de elementos subjetivos para provar que o vizinho sofreu prejuízo.

No caso analisado, o proprietário de um imóvel construiu um pavimento superior em sua residência, com janelas a menos de 1,5 m da divisa do terreno vizinho.

A sentença determinou a demolição do pavimento em desacordo com a lei local, que previa construções de apenas um andar na região. O Tribunal de Justiça de São Paulo deu provimento ao apelo do réu e julgou improcedente o pedido de demolição.

O TJ-SP justificou que a edificação teve todos os alvarás necessários e que não houve prejuízo para o vizinho com a construção das janelas, já que a visão era distorcida, e a invasão de privacidade não foi comprovada.

Para o ministro Villas Bôas Cueva, é importante lembrar que a proibição contida no Código Civil não se restringe à visão, já que a norma caracteriza a presunção de devassamento da privacidade do vizinho.

Evitar conflitos
“Logo, as regras e proibições insertas no capítulo relativo ao direito de construir possuem natureza objetiva e cogente, traduzindo verdadeira presunção de devassamento, que não se limita à visão, englobando outras espécies de invasão (auditiva, olfativa e principalmente física, pois também buscam impedir que objetos caiam ou sejam arremessados de uma propriedade a outra), de modo a evitar conflito entre os vizinhos”, afirmou.

O recurso foi parcialmente acolhido, pois os ministros rejeitaram o pedido de demolição de todo o pavimento. Em parte, a decisão do TJ-SP que rejeitou a demolição foi embasada em lei local, e nesse ponto, segundo o relator, não cabe ao STJ reanalisar a questão.

Com a decisão, o réu terá o prazo de 60 dias para fechar as janelas construídas, sob pena de multa diária. Com informações da Assessoria de Imprensa do STJ.

Revista Consultor Jurídico, 27 de outubro de 2016, 15h08

Comentários de leitores

3 comentários

Confiança na Justiça!!

Nilson Theodoro Advogado & Associados (Advogado Sócio de Escritório - Empresarial)

Hoje em dia há muitos motivos para que a descrença no Poder Judiciário sempre aumente. Mas com decisões como essa dá pra continuar acreditando, apesar do longo caminho que se há de percorrer. O Egrégio Tribunal de Justiça de São Paulo já teve seu glamour, mas hoje muitas das suas decisões deixam a desejar. Um viva para o Advogado, um lutador e perseguidor da Justiça!!

Janela para o terreno vizinho

Pedro Aguiar (Outros)

Um questionamento. Mesmo no pavimento térreo e existindo muro no limite dos imóveis, mesmo assim é proibido?

Prescinde de aprofundamentos...

pj.branco (Advogado Autônomo - Civil)

Diz o artigo 1.301, CC/02:
"É defeso abrir janelas, ou fazer eirado, terraço ou varanda, a menos de metro e meio do terreno vizinho."

Por acaso faz-se mister um prolongado estudo para entender? Evidente que não!

A meu ver, o fato mais grave é um advogado ir de encontro a isso; ao invés de instruir o patrocinado a desfazer a obra e negociar a indenização porque "tá totalmente errado", não: afirma que tal conduta é correta e quer discutir! O resultado? "Bateu com a cara na porta". Bem feito!

PS: antes que a "turma do contra" se pronuncie, lembro que o ordenamento jurídico brasileiro ainda é regido pelo "civil law".

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