Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Segredos da parceria

Diretores jurídicos contam o que procuram em um escritório de advocacia

Por 

Saber como tratar o cliente é um dos requisitos básicos para advogar, mas quando esse cliente é um colega de profissão, há algumas dicas que podem ajudar a melhorar a relação. Essas peculiaridades foram esmiuçadas nesta terça-feira (18/10), em São Paulo, no primeiro dia da Fenalaw, feira anual que reúne diversos representantes da área para exposições e debates.

Escritório que almeja ser contratado deve conhecer bem o negócio de seu possível cliente.
Dollar Photo Club

Um ponto foi destacado por todos os diretores de departamento jurídico que falaram no evento: o escritório que almeja ser contratado deve conhecer bem o negócio da empresa. “O prestador de serviço tem que saber o contexto no qual eu estou: o ramo, o modelo de negócios, quem são meus competidores, como está o cenário macroeconômico. Na minha primeira conversa, já busco saber se o escritório está situado nesses aspectos”, afirmou Gustavo Biagoli, diretor jurídico e de compliance da JLL, em uma das palestras.

Biagoli fez uma lista com algumas das atitudes que um departamento espera de um escritório:

  • Cumprir prazos
  • Permanecer dentro do orçamento
  • Entender os riscos não-legais envolvidos
  • Propor soluções jurídicas alternativas
  • Leva em conta a tolerância do cliente ao risco
  • Prover aconselhamento preventivo e pró-ativo
  • Explicas as questões em linguagem de fácil compreensão

Participando do mesmo painel de debate, Antonio Carlos Pajoli, diretor jurídico do banco Cetelem, começou com uma crítica à formação do advogado: “É assustador o quanto a faculdade de Direito não nos prepara para uma profissão empreendedora que é a do advogado. Lidar com cliente e funcionário, administrar o escritório, buscar fonte de renda. Nada disso é ensinado”.

Essa falta de preparo se reflete na hora em que o advogado passa a prestar serviço para um departamento jurídico, ressalta o executivo. “Como diretor dessa área, sei que é muito mais fácil expandir o contrato com escritórios que já trabalham conosco do que contratar um novo. Para isso precisamos de informação rápida, objetiva e no formato adequado”, enumera.

Pajoli também fez uma lista, mas de motivos que o fazem encerrar o contrato com uma banca:

  • Falhas técnicas
  • Baixa qualidade no serviço
  • Falta de resultado
  • Saída de sócio ou de advogado principal na área
  • Falta de disponibilidade
  • Falta de comunicação

Mudanças com o tempo
Em outro debate, Gianfranco Cinelli, diretor jurídico da multinacional agrícola Yara, fez uma retrospectiva de como as áreas que cuidam do litígio das empresas evoluíram ao longo das décadas. “Nos anos 1980 era como ter um escritório dentro da empresa: muita gente, inchado, muita confusão, custo altíssimo e eficiência baixa. Nos anos 1990 era tudo terceirizado, o que gerava uma falta de compromisso e uma insegurança da empresa. A partir dos anos 2000, encontrou-se o balanço adequado.”

Cinelli contou o caso de uma empresa de telecomunicação que contratou uma auditoria para identificar o custo-benefício de todos os escritórios que trabalhavam para ela. A lista era divulgada e quem ficava com a "pontuação" muito baixa por dois anos seguidos deixava de ser contratado. “Foi uma forma de cobrar eficiência”, relembra.

O executivo falou sobre um desafio que algumas vezes surge: quando um escritório que a empresa quer contratar já trabalha para concorrentes. “Fico com o pé atrás. Mas se for um caso que não envolve informações estratégicas, esse caminho pode ser o melhor. Pois essa banca pode muito bem ter a melhor expertise e nos ajudar muito em um caso específico”. 

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 19 de outubro de 2016, 8h19

Comentários de leitores

2 comentários

VISÃO de um diretor jurídico experiente 02

Citoyen (Advogado Sócio de Escritório - Empresarial)

Moralismo? __ Não, convicção de que a contratação do profissional externo era um negócio jurídico, que objetivava o apoio que sua estrutura poderia proporcional à empresa de que eu era administrador, eleito ou não. Nessa relação, há que se ter INDEPENDÊNCIA e PROFISSIONALISMO, porque se o Contratado não se portar profissionalmente da maneira esperada, o Contratante tem que estar desvinculado de qualquer relação, para as medidas que se fizerem necessárias. Assisti, em certa ocasião, a um Seminário em que os grandes escritórios sustentaram o pagamento de uma sorte de "gratificação", pelo "apoio" que recebiam dos Advogados da empresa, empregados dela. Confesso-lhes que, como Profissional, não aceitaria tais pagamentos e, mais que isso, porque assim agi algumas vezes, NEM CONTRATARIA o referido Escritório para prestar serviços à empresa de que era administrador. Conhecer o negócio da empresa era indispensável, especialmente nas RELAÇÕES de CONSUMO. Sim, porque os Profissionais externos têm que ter convicção de que SEU CLIENTE não está lhes pedindo que SUSTENTE o INSUSTENTÁVEL. Assim, organizava para os profissionais externos um SEMINÁRIO de um dia, para que conhecessem a UNIDADE INDUSTRIAL do meu Cliente; sua ESTRUTURA de COMÉRCIO ou de SERVIÇOS. E, se houvesse LEIS que regulassem o SETOR, convidada um ESPECIALISTA da LEGISLAÇÃO para uma PALESTRA e, depois, FAZÍAMOS UM DEBATE sobre a LEI e a JUSRISPRUDÊNCIA existente. Outro fato que muito me preocupava consistia no lançamento de produto novo ou nova técnica de abordagem pela empresa. Sempre fazia um apelo aos Advogados que trabalhavam sob a minha ANIMAÇÃO, que NÃO ADQUIRISSEM o bem no seu lançamento, dando, pois, tempo para que a empresa se organizasse, no aspecto ATENÇÃO ao CLIENTE!

Visão de um diretor jurídico experiente 01

Citoyen (Advogado Sócio de Escritório - Empresarial)

Realmente, concordo com o enfoque da fragilidade do ensino de nossas Faculdades de Direito. Talvez, a razão principal seja de que o BACHAREL de DIREITO brasileiro NÃO ESTEJA PREPARADO para ser Advogado. E ser Advogado, na mentalidade dos Docentes atuais é ser ADVOGADO de LITÍGIOS. Não há, portanto, senão CURSOS JURÍDICOS focados em SOLUCÕES JURISDICIONAIS para os LITÍGIOS PRIVADOS e, muito menos, os LITÍGIOS com ENTIDADES PÚBLICAS. É lamentável que os CURSOS JURÍDICOS brasileiros não estejam preparados para este procedimento moderno. Como Gerente Jurídico ou Diretor Jurídico de empresa fui dos primeiros a combater 1) a compensação da correção monetária da expressão do capital social com as perdas do exercício, e até conduzi providências administrativas para que o DNRC impedisse as Juntas Comerciais a aceitar tais práticas; 2) a não realização de assembleias ordinárias mais que uma vez no ano, após a reforma da Lei das S. A., quando o objeto da Assembleia fosse qualquer um daqueles temas atribuídos às AGO. Na época, muitas Juntas Comerciais não aceitavam uma AGO realizada em qualquer dos meses além de abril, se a deliberação fosse capital, administração; 3) também fui o primeiro Advogado a sugerir e preparar um Acordo de Acionistas firmado pela UNIÃO, relativamente às ações de sua propriedade, emitidas por uma estatal; 4) a aplicar, no Brasil, a Lei de Arbitragens, introduzindo nos contratos do Cliente cláusula compromissória. O fato, portanto, é que o Advogado não está preparado para a ADVOCACIA EMPRESARIAL. Por outro lado, fui dos poucos a não aceitar, em hipótese alguma, SER ASSOCIADO de um ESCRITÓRIO que fosse contratado pelo Cliente, para acompanhamento perante o Judiciário ou como Consultor. Sempre quis ser INDEPENDENTE dele!

Comentários encerrados em 27/10/2016.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.