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Justiça em Números

Justiça Federal é o único ramo que consegue arrecadar mais do que gasta

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Mais uma vez, a Justiça Federal foi o único ramo que conseguiu arrecadar mais do que gastou. Em 2015, as despesas dela foram de R$ 9,9 bilhões, ao passo que sua arredação foi de cerca de R$ 24 bilhões, de acordo com dados do relatório Justiça em Números 2016, elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça.

Vale observar que em tais valores arrecadados não estão computados aqueles provenientes de ativos recuperados em ações criminais e de improbidade administrativa, especialmente referentes a casos de corrupção, como da operação "lava jato".

Entram no cálculo os recolhimentos com custas, incluindo as referentes à fase de execução, aos emolumentos e às eventuais taxas (R$ 93,1 milhões) e às receitas transferidas aos cofres públicos em decorrência da atividade de execução fiscal (R$ 23,9 bilhões).

"Tais números indicam a eficiência da Justiça Federal, que responde de maneira adequada à cobrança da dívida ativa da União, demonstrando que a manutenção de uma estrutura digna de trabalho para juízes federais e servidores é a certeza de mais arrecadação", afirma Roberto Veloso, presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe)

Segundo o relatório do CNJ, a Justiça Federal é o segmento responsável pela maior parte das arrecadações, 53,7% do total do Poder Judiciário. É importante lembrar, no entanto, que a arrecadação não está entre as funções do Poder Judiciário, que existe para garantir os direitos individuais, coletivos e sociais e resolver conflitos entre cidadãos, entidades e Estado. 

Despesas x Receita
No Poder Judiciário, como um todo, as despesas crescem a cada ano. Já as receitas, nem sempre seguem o mesmo caminho. Na Justiça do Trabalho, por exemplo, a arrecadação diminuiu 47% entre 2009 e 2015. Enquanto isso a despesa cresceu 9% no mesmo período.

O resultado dessa equação faz com o percentual de receitas em relação às despesas da Justiça do Trabalho caia. No ano de 2015, a receita foi de R$ 2,7 bilhões, o que representou um retorno da ordem de apenas 16,3% das despesas efetuadas. Em 2009, esse percentual era de 34%.

Na Justiça Estadual a receita praticamente dobrou entre 2009 e 2015. Contudo, as despesas seguiram ritmo semelhante, aumentando 42% nesse mesmo período. Com isso, a Justiça Estadual está longe de conseguir arrecadar mais do gasta. Em 2015, por exemplo, as despesas deste ramo do Judiciário chegaram à R$ 44,7 bilhões. Já as receitas somaram apenas R$ 18 bilhões, o que representa cerca de 40% dos gastos. Cabe observar que a Justiça Estadual é responsável por mais da metade (56%) de todas as despesas do Judiciário (R$ 79,2 bilhões).

O relatório Justiça em Números traz, ainda, dados da Justiça Militar Estadual. Nela, as despesas totais cresceram em 2015 em relação ao ano anterior, chegando a R$ 132,8 milhões. Por outro lado, a receita diminuiu 50%. Com isso, a Justiça Militar recolheu apenas 1,1% em relação ao que gastou.

Na Justiça Eleitoral, as despesas caíram em 2015 em relação à 2014. Contudo não é possível saber quanto que isso representa em relação às receitas. Isso porque esses dados não estão disponíveis no relatório Justiça em Números 2016

Quanto às despesas da Justiça Eleitoral, é importante ressaltar que a queda é explicada pelo fato de a Justiça Eleitoral organizar eleições a cada dois anos, fazendo com que em anos pares, haja uma despesa maior que nos demais anos.

Custo por habitante
Com base nas receitas e despesas, o Conselho Nacional de Justiça calculou o custo pelo serviço de Justiça por habitante. De modo geral, a Justiça custa R$ 387,56 por habitante do país. Porém, se considerarmos cada ramo do Judiciário, o valor varia bastante. O custo da Justiça Militar, por exemplo, é o menor, apenas R$ 1,74 por habitante. 

Assim como acontece com as despesas, o custo por habitante da Justiça Eleitoral também é menor em anos que não tem eleição. Em 2015, esse custo foi de R$ 22,39 por habitante. Já em 2014, ano eleitoral, foi de R$ 26,11.

Veja o custo pelo serviço de Justiça por habitante em 2015
Justiça estadualR$ 218,74
Justiça do TrabalhoR$ 80,64
Justiça FederalR$ 48,81
Justiça EleitoralR$ 22,39
Justiça MilitarR$ 1,74

Clique aqui para acessar o relatório Justiça em Números 2016.
Clique aqui para acessar o caderno de infográficos do Justiça em Números 2016.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 18 de outubro de 2016, 12h28

Comentários de leitores

8 comentários

Então se ação de partenidade é procedente virou pai?

Assmann (Procurador Federal)

Só pode ser brincadeira!
A única e exclusiva arrecadação do Poder Judiciário são as custas processuais que nada mais são do que um tributo da espécie taxa, prevista no art. 145, II, da Constituição Federal de 1988.
Agora se o Judiciário vai se contabilizar da arrecadação como titular de direito levado a juízo também se contabilize com PAI DA CRIANÇA quando julga procedente a ação de paternidade!!

Propaganda enganosa ou e os gastos com os precatórios?

Antônio dos Anjos (Procurador Autárquico)

Poder Judiciário não arrecada.
Arrecadação é prerrogativa do Poder Executivo.
Juiz não assina petição inicial em execução fiscal ou ações de cobrança por ressarcimento ao erário.
Quem o faz é a Advocacia-Geral da União.
Caso o magistrado assuma que tem função arrecadatória, deixa de ser parcial.
Agora, onde esta a conta dos gastos com pagamento de precatórios e a conta das ações de execução e cobrança que restam indeferidas?
Cabe aplicação do ECA por propaganda enganosa?

Essa não. . .

PFNTJ (Procurador da Fazenda Nacional)

Creio que o articulista está enganado ao dizer que a Justiça Federal "arrecada".
Era bom saber a opinião dos próprios Juízes, se eles se encaram como arrecadadores. Se se considerarem como tais, qual seria então a função dos Procuradores? Seriam seus assistentes na arrecadação, até mesmo quando recorrem das várias decisões judiciais contrárias à Fazenda Pública?

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