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Boas práticas

Game para ensinar ética a empregado vence prêmio de departamentos jurídicos

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Com cerca de 60 mil empregados em todo o país, a Via Varejo tinha um problema quando respondia a reclamações trabalhistas sobre assédio moral: como comprovar que a companhia (responsável pelas Casas Bahia e pelo Ponto Frio) proíbe práticas ofensivas e informa seus funcionários sobre uma série de regras de comportamento?

Para evitar o modelo de manual de gaveta, a saída foi criar um jogo virtual em que o empregado escolhe um personagem (inclusive Wolverine e Bob Marley) e avalia várias situações dentro da empresa. As respostas citam trechos do código de conduta ética da empresa e, no final, sai o resultado do jogador.

A iniciativa venceu a segunda edição do Prêmio de Melhores Práticas nos Departamentos Jurídicos, na noite de quarta-feira (23/11). O evento foi promovido pelo Fórum de Departamentos Jurídicos (FDJur) e pela Gestão Jurídica Empresarial (Gejur), entidades que reúnem cerca de 300 gestores do setor jurídico corporativo. Outras nove experiências foram premiadas.

Página inicial do jogo virtual da Via Varejo: empregados escolhem personagem e têm até 15 minutos para acompanhar situações e aprender o código de ética da companhia.

O game da Via Varejo, primeiro colocado, começou a ser implantado em 2015. O departamento jurídico desenvolveu o projeto junto com o setor de Recursos Humanos, e o jogo virtual foi colocado em prática por uma empresa especializada. Em 15 minutos, o usuário caminha por um cenário, vê várias cenas — por exemplo, dois funcionários tratando de forma diferente uma pessoa negra — e responde se concorda ou discorda da atitude dos personagens.

Assim, é possível manter um registro de quem foi informado do código de conduta e quando isso ocorreu. O objetivo é envolver funcionários de todos os setores e, para estimular a participação, os gestores de cada unidade ganham bônus maior se todo seu pessoal se envolve. Cerca de 80% dos empregados já sentaram pelo menos uma vez em frente ao computador para “brincar”, segundo os advogados Bruno Adorni e Thiago Cardoso.

Para os cargos de gestão, há ainda o chamado “treinamento preventivo trabalhista”, com explicações sobre como e quando aplicar sanções disciplinares e demissões por justa causa. A empresa já sente aumento no número de decisões trabalhistas que declaram improcedentes relatos de assédio moral.

Outras iniciativas
O prêmio contou com a inscrição de 44 projetos. José Nilton Cardoso de Alcantara, diretor-presidente do FDJur e CEO da Gejur, afirma que somente seis não conseguiram nota 7 para continuar na disputa, sendo devolvidos sem a divulgação dos nomes.

Os demais foram avaliados por uma banca formada por 30 pessoas, que não tiveram acesso aos nomes das empresas. Os dez melhores colocados apresentaram seus projetos em setembro, durante um seminário das entidades, quando foram eleitos os ganhadores.

Em segundo lugar ficou o projeto Action, do Mercado Livre, que promoveu uma revolução interna: se, até o ano passado, o foco maior estava no contencioso, agora o setor de acordo desperta atenção de 75% do setor jurídico, de acordo com os advogados Ricardo Lagreca e Humberto Chiesi Filho. Mais de 600 processos foram resolvidos dessa forma, segundo eles.

Quando chegam notificações judiciais, a empresa de vendas on-line faz uma análise da demanda e chama vendedor e comprador para a mediação. Uma equipe acompanha diretamente a conversa, em plataforma virtual, e concede uma minuta de acordo para homologação judicial.

A concessionária de energia Light ficou na terceira colocação ao apresentar as atividades de seu Grupo de Atendimento Emergencial de Acidentes. A equipe procura solucionar conflitos de forma rápida, para evitar litígios futuros, e registra acordo em 90% das tentativas. A empresa calcula que alguns casos chegaram a economia de até 350%, se comparados ao risco de decisões judiciais contrárias.

Em 2015, na primeira edição do prêmio, o departamento jurídico da hoteleira Accor venceu ao decidir cobrar pelos serviços praticados sempre que é chamado pelas unidades para resolver questões específicas de cada estabelecimento.

Veja lista dos demais candidatos de 2016:

Carrefour
Controladoria Jurídica

Grupo Rede Compras
Formação de profissionais: jurídico forma

Leroy Merlin
Homologação – Advogados Correspondentes & Prepostos

Olé Consignado
Análises conclusivas

Paranasa
Integração multidisciplinar e estratégica entre as áreas técnica e jurídica dos projetos

Tigre
Do operacional ao estratégico: o caminho para a transformação de um Jurídico Corporativo

VLI
Projeto Go See: a advocacia corporativa em prática

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 26 de novembro de 2016, 7h14

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