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Luto na advocacia

Morre Antônio Modesto da Silveira, o "advogado dos presos políticos"

Morreu nesta terça-feira (22/11), aos 89 anos, Antônio Modesto da Silveira, conhecido como o advogado que mais defendeu presos políticos durante a ditadura. O velório será nesta quarta-feira (23/11), a partir das 8h, na sede da seccional fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (avenida Marechal Câmara, 150, 9º andar).

Conhecido por seu trabalho na defesa de presos políticos no regime militar, Antônio Modesto da Silveira morreu aos 89 anos.
Reprodução

No mundo do Direito, seu nome está ligado à defesa das liberdades democráticas. Para o presidente da OAB-RJ, Felipe Santa Cruz, Modesto da Silveira era “um dos grandes defensores da democracia” no país. “Foi advogado no período mais terrível da nossa história, defensor dos perseguidos políticos. Foi deputado federal eleito basicamente pelos defensores da anistia, das liberdades. Sempre se pautou por uma conduta ética de grande correção. Pessoalmente, tenho muita gratidão, pois ele foi advogado da minha família durante a ditadura, do caso do desaparecimento do meu pai. Um homem que deixou como exemplo um modelo de advocacia para que possamos seguir.”

Em entrevista à revista eletrônica Consultor Jurídico, Modesto da Silveira contou como era defender presos políticos durante o regime militar.

Trajetória
Mineiro de Uberaba, Antônio Modesto da Silveira nasceu em 23 de janeiro de 1927. Filho de um casal de lavradores sem terra, em 1948 mudou-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, para concluir o ensino secundário. Em 1962, formou-se em Direito pela antiga Universidade do Brasil. Dois anos depois, com o golpe militar, tornou-se desde o primeiro dia defensor de presos e sequestrados políticos. É considerado o advogado que mais defendeu os perseguidos pelo regime.

Eleito deputado federal mais votado pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em 1978, foi um dos articuladores da Lei de Anistia, aprovada no ano seguinte. Sua plataforma baseava-se, entre outros pontos, na defesa do estabelecimento de uma Assembleia Nacional Constituinte, na luta pela anistia, pelo fim da censura, pela autonomia e liberdades sindicais e pelo direito de greve.

No início da década de 1970, tornou-se advogado voluntário da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Foi membro do Conselho Brasileiro da Defesa da Paz (Condepaz), do Conselho Mundial da Paz (CMP) e da Comissão de Ética Pública do governo federal, entre outras atividades ligadas à defesa dos direitos humanos. Com informações da Assessoria de Imprensa da OAB-RJ.

Revista Consultor Jurídico, 22 de novembro de 2016, 18h19

Comentários de leitores

1 comentário

Brilhante

O IDEÓLOGO (Outros)

A maioria dos advogados navegou nas águas da mediocridade durante o "Ancien Régime Militaire", porque se preocuparam somente com os polpudos honorários. Desprezaram a luta imediata contra o autoritarismo, e após alguns anos, uma minoria emergiu do sono letárgico e passou ao bom combate.
Um desses combatentes foi o Doutor Antônio Modesto da Silveira, ético, brilhante, competente e destemido.
A falta de consciência de "si" para "si" dos demais advogados, desembocou, diante da Democracia de acesso ao curso de Direito, em advogados pouco comprometidos com o panorama político.
Ocasionou o surgimento no mercado de trabalho dos "advogados audiencistas" (que somente realizam audiências por R$ 17,00), "advogados pericistas ( que acompanham os clientes em perícias), "advogados forencistas" (que comparecem nas Distribuições dos Fóruns para protocolo de peças processuais), "advogados-testemunhas" (orientados para testemunhar em processos judiciais e administrativos), "advogados contencistas (preparados apenas para apresentação de contestações) e, até mesmo, advogado especialista em casamento por procuração, inclusive representando a noiva.
Esses adjetivos audiencistas, pericistas, forencistas e contencistas, constituem criação exclusiva dos próprios advogados, porque o Dicionário não os contempla.

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