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Foro errado

Discussão política no Brasil é moralizada e judicializada, afirma analista

A divulgação de conversas telefônicas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com sua sucessora, Dilma Rousseff, “claramente demonstra que algumas pessoas realmente querem um tipo de golpe, com o Judiciário, a Polícia Federal, para formar um novo governo”, afirmou o cientista político alemão Jens Borchert ao jornal Valor Econômico, ressalvando que a nomeação do petista para a Casa Civil foi um erro.

Segundo ele, a Justiça não deve ser usada para resolver problemas políticos, que estão na raiz da crise que o Brasil vive. Essa instabilidade, a seu ver, decorre da incapacidade da elite política em lidar com a queda da atividade econômica. A culpa disso seria tanto da direita quanto da esquerda. Aqueles, liderados pelo PSDB, não aceitaram perder as eleições presidenciais de 2014 para Dilma, e logo em seguida passaram a pressionar pelo impeachment dela. Já estes desenvolveram um “estilo paranoico de política” pelo qual não mais buscam convencer os outros da importância de seus projetos, preferindo cortar o caminho comprando o apoio de outros partidos.

E esse espaço que a elite política deixou vago está sendo ocupado por juízes, membros do Ministério Público e policiais, avaliou Borchert. “Não há mais discussão sobre assuntos políticos. Tudo é moralizado e judicializado, seguindo a pior tradição da política dos Estados Unidos”.

Contudo, promover grandes mudanças institucionais por causa dos esquemas de corrupção relevados pela operação “lava jato” não traria ganhos ao país, analisou o cientista político ao Valor. Como exemplo disso, ele lembrou que a Itália mudou regras de seu sistema após a operação “mãos limpas”, e nada mudou, e disse que a Constituição “não é o problema”.

Como o Brasil nunca passou a limpo as ditaduras Vargas (1937-1945) e militar (1964-1985), as pessoas ainda não têm “a noção de que a democracia é sempre a melhor escolha e precisa ser defendida a todo custa”, alegou. “Nos protestos, muitos parecem querer destruir seus adversários políticos, em particular o PT, enquanto outros querem se livrar dos partidos e da democracia. Isso é um desdobramento muito perigoso”.

E Borchert não enxerga com bons olhos um processo de impeachment de Dilma: “Uma espécie de ‘golpe frio’ levaria a uma instabilidade por muito tempo, com eventual proliferação de violência nas ruas”. De acordo com ele, o fato de a petista não ser uma boa presidente não justifica sua deposição.

Além disso, o cientista político opinou ao jornal que, ao contrário da opinião prevalecente, o Brasil não é um país muito mais corrupto do que os outros, e sugeriu que o debate político volte a priorizar ideias. “O país vai ficar os próximos 20 anos falando de ‘lava jato’? É necessária alguma forma de concertação. O Brasil precisa de um novo começo".    

Revista Consultor Jurídico, 21 de março de 2016, 19h42

Comentários de leitores

4 comentários

Por outro lado,

Willson (Bacharel)

Matérias recentes do "Der Spiegel" da Alemanha, do "El País", da Espanha, bem como do intercept, em inglês, do Gleenwald, e outros mundo afora vão na mesma linha (exceção do New York Times, que só vê as manchetes das manifestações). Seriam eles todos de esquerda? Ou será que grande parte do país está tão hipnotizada e submetida ao bombardeio midiático, mesclado com as dificuldades econômicas, que são reais, o espírito de manada, e a possibilidade do impeachment, que não conseguem sequer considerar que há outras visões para o mesmo fenômeno político ou jurídico? O que a história nos conta? E quais foram os resultados em outros momentos? Pensemos mais com a cabeça, e menos com o fígado. Todos somos brasileiros, todos queremos o melhor para o país.

Desespero

A.F. WAGNER JR. (Advogado Autônomo)

Agora buscam matéria com um "cientista" engajado, da Escola de Frankfurt, que não conhece nada do ordenamento jurídico brasileiro e, provavelmente, está repetindo a opinião que ouviu de algum brasileiro canhoto que lá está fazendo pós com dinheiro público.
Esse sujeito não é isento, é ideologicamente comprometido e é criminoso que a mídia que difunde essa entrevista de compadres não alerte o leitor do histórico do "cientista".

Bla Bla Bla

Professor Edson (Professor)

Analista que comenta por laudas de jornais sensacionalistas e parciais não tem valor algum.

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