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Voo do tuiuiú

Rodrigo Janot lidera a "migração" do combate à corrupção, diz Dallagnol

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Para o procurador da República Deltan Dallagnol, os membros do Ministério Público estão “voando como aves migratórias” rumo ao combate à corrupção no Brasil, e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, é o líder da “migração”.

Dallagnol saiu em defesa do PGR em nesta terça-feira (28/6), em seminário promovido pelo Conselho Nacional do Ministério Público, em que o propósito era debater a experiência italiana no combate à corrupção e as perspectivas da operação “lava jato”.

Janot é quem mais sofre "ataques e resistências", segundo procurador.
Jefferson Rudy/Agência Senado

O procurador, conhecido por coordenar os trabalhos da força-tarefa do MP Federal que toca a "lava jato" e pela defesa aguerrida dos projetos de lei que apelidou de "dez medidas contra a corrupção", disse ao público que Janot não está manipulando as investigações e que jamais tentou fazer isso.

Deltan colocou a si mesmo como fiador da idoneidade do PGR: “Se quisesse manipular, o procurador-geral não teria dado a possibilidade de eu indicar as pessoas para fazer parte da equipe”.

Dallagnol afirma que, apesar disso, Janot é quem mais está sofrendo com os "ataques e resistências" daqueles que criticam o trabalho do MP.

A fala do coordenador da "lava jato" ganhou tom de piada depois que Rodrigo Janot "rejeitou" o título de ave. O PGR faz parte de um grupo autodenominado Confraria dos Tuiuiús.

O nome é referência à ave pantaneira que, grande e desengonçada, tem dificuldades para alçar voo. A confraria, da qual fizeram parte os últimos três procuradores-gerais, surgiu como oposição a Geraldo Brindeiro, que ocupou a PGR entre 1995 e 2003. Usaram o nome da ave porque sempre se sentiram mais próximos da base que do topo.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 28 de junho de 2016, 19h53

Comentários de leitores

3 comentários

É preciso dar o exemplo

Carlos Afonso Gonçalves da Silva (Delegado de Polícia Estadual)

Não resta dúvida que o MP está fazendo um grande serviço à nação. Para coroar sua participação de êxito e júbilo só resta se adequar as normas do sistema jurídico ao qual ele integra. É fácil "fazer o que falo", mas não dá para engolir a promiscuidade entre MP e Judiciário quando o tema são "vantagens pessoais" e o assalto aos cofres públicos que essas instituições estão praticando, através das "pedaladas interpretativas" aplicadas para suplantar o teto constitucional e receber proventos acima deste. Não podemos nos esquecer que o princípio vigente é o da República, qual seja, uma moderação salarial, mormente em momentos de crise, é o mínimo que se exige DE TODOS.

Comentário disparatado

Luiz Pereira Neto - OAB.RJ 37.843 (Advogado Autônomo - Empresarial)

"Legitimidade , só "se cortar na própria carne" ? A matéria versa sobre descentralização e maciço combate à corrupção, nada além disso , que é tudo o que o Povo Brasileira quer . Essa é a nata do MP , erradicando , assepticamente , ao máximo , as torpes mazelas que nos afligem e nos empobrecem . Quem dera que todos os MPs estaduais tivessem os dignificantes exemplos que nos dá o MPF , assumindo , também , a total apuração e a máxima penalização da corrupção que campeia em todos os segmentos nacionais. Seria uma inigualável ajuda ao MPF.
Outras conexões deploráveis existem entre os MPs e os Poderes Judiciários Estaduais , mas , essa deplorável realidade , como o discrepante comentário , tem que ser tratado de outra forma e em outros segmentos . Não guarda correlação alguma , com a DEPURAÇÃO que está sendo impulsionada pelo fantástico Janot . Que DEUS lhe dê muita saúde e garra para que , como os outros expoentes , não arrefeça jamais .

Como assim?

preocupante (Delegado de Polícia Estadual)

Penso que o Ministério Público só teria legitimidade para alegar medidas de combate à corrupção se passasse a cortar na própria carne, tomando medidas transparentes proibindo privilégios como os auxílios moradia, alimentação, etc., obtidos através de leis votadas por parlamentares e sancionadas por chefes de executivos sem que a sociedade saiba os reais motivos, o que não deixa de ser suspeito, considerando que tais políticos não aprovam leis para os que verdadeiramente trabalham e ganham um mísero salário mínimo.

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