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Quando a Polícia Federal toca a sua campainha

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*Artigo originalmente publicado na revista IstoÉ

Aconteceu comigo. Eram 6h da manhã, da última quinta-feira (23/6), quando agentes da Polícia Federal bateram à minha porta. A sensação não é agradável, mas, a pedido dos editores de Istoé e em respeito a seus leitores, faço este breve relato.

Como muitos sabem, além desta coluna, também mantenho atividade empresarial própria, à frente da Editora 247, que edita o site de notícias Brasil 247. E foi para esclarecer a natureza de um único contrato da editora que recebi a visita dos agentes federais naquela manhã.

O que posso dizer a quem já passou ou pode vir a passar por esse tipo de experiência é que qualquer sensação de insegurança rapidamente se desfaz diante do profissionalismo dos agentes que atuam nessas operações. É preciso reconhecer o preparo psicológico dos homens e mulheres que participam dessas ações — e se nosso caso vale como regra geral, demonstram respeito pelos cidadãos que visitam e por suas famílias.

Nos meios de comunicação, a tentação inicial, que geralmente ocorre quando “alvos" são profissionais de imprensa, é sempre denunciar perseguições políticas e atentados à liberdade de expressão — o que nunca deve ser descartado. No entanto, embora seja grato aos que se solidarizaram e apontaram cerceamento da atividade jornalística, quero acreditar que não foi isso o que ocorreu no nosso caso específico. Havia questionamentos sobre um contrato, as autoridades exerceram seu legítimo direito de investigá-lo e cabe, a nós, esclarecer todas as dúvidas — o que, diga-se de passagem, já desejávamos fazer há muito tempo. Além disso, a busca ficou restrita ao foco da investigação, sem caracterizar, ao menos por ora, nenhuma devassa sobre a atividade de imprensa ou nossa relação com fontes, clientes ou fornecedores.

Sempre se deve argumentar que teria sido muito mais adequado prestar depoimentos com data e hora marcada, para que não sejam violadas prerrogativas constitucionais. No entanto, na nova dinâmica das investigações, tudo acontece de uma vez, e de madrugada, diante da presunção, a meu ver nem sempre verdadeira, de que os “alvos” se conhecem e se comunicam entre si. Goste-se ou não, essa é a realidade. Há uma nova ordem no Brasil e todos os empresários, grandes ou pequenos, terão que se adaptar a ela.

PS: ao contrário do que foi divulgado equivocadamente por alguns meios de comunicação, não prestei depoimento de forma coercitiva. Ele ocorrerá, com data e hora marcada, na presença de advogado, e reitero que tenho o desejo de prestar este depoimento já há bastante tempo.

 é jornalista e editor-responsável pelo 247, além de colunista das revistas Istoé e Nordeste.

Revista Consultor Jurídico, 25 de junho de 2016, 11h55

Comentários de leitores

7 comentários

#cholamais

CesarMello (Advogado Sócio de Escritório - Empresarial)

Nunca a "Hashtag" foi tão apropriada para uma ocasião tornando-se difícil ser mais eloquente com o uso de qualquer outra estrutura textual.
Assim, só cabe aos Brasileiros que pagaram e continuarãopagando a conta por anos a fio, dizer:
#cholamais

Quando a PF toca a sua campaínha

Cirval Correia de Almeida (Advogado Autônomo - Trabalhista)

Até acreditaria se não fosse alguém que recebia recursos do Governo Dilma, ou seja, recursos do cidadão brasileiro, para defender o PT e agora teve a torneira fechada pelo Temer.

Interesse público

Aquiles (Professor)

Parabéns pelo depoimento!

Pelo título, eu já esperava uma saraivada de ataques à Polícia Federal.

Excessos à parte, não podemos nos esquecer de que a apuração de crimes, seja em qual escalão for, atende ao interesse público. A proteção das liberdades individuais tem limites.

Elogiável também a conduta da PF, de não fazer condução coercitiva. Interrogatório é meio de defesa do acusado, ele comparece se quiser.

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