Consultor Jurídico

Notícias

Dupla jornada

Novo AGU defende que advogado público possa atuar na área privada

Por 

O ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, Fábio Medina Osório, decidiu apoiar oficialmente projeto de lei que libera advogados públicos para atuação em processos privados. Em encontro com integrantes do Movimento em Defesa da Advocacia, nesta segunda-feira (13/6), ele afirmou que já tem conversado com parlamentares e defendeu que é possível conciliar a nova função com o trabalho de servidor, dentro da lei e de “controles rigorosamente éticos”.

Fábio Medina Osório declarou apoio oficial a projeto de lei que libera advogados públicos para atuar em processos privados.
Reprodução

“Ninguém é criminoso porque vai advogar. A proposta vai oxigenar a advocacia pública e reter talentos. Teremos uma Corregedoria forte para acompanhar o tema”, declarou Medina Osório, em São Paulo.

Ele também afirmou que as advocacias pública e privada devem ser vistas como funções essenciais à Justiça, como fixa a Constituição Federal, e defendeu maior envolvimento do governo federal na discussão de novas leis. “A política criminal hoje é conduzida pela Procuradoria-Geral da República. É uma instituição republicana, essencial no Estado Democrático de Direito, mas temos de trabalhar para o próprio Executivo ter também protagonismo”, afirmou. Uma das ideias da gestão Michel Temer (PMDB) é criar um marco regulatório para acordos de leniência.

Sobre a autorização para que advogados públicos assumam processos de particulares, o ministro disse que resolveu apoiar a medida depois de várias associações de classe da categoria chegarem a um consenso. O Projeto de Lei 4.254 tramita em caráter de urgência na Câmara dos Deputados. A proposta foi apresentada pelo governo Dilma Rousseff (PT) em 2015 e defendida ainda quando Luís Inácio Adams era advogado-geral da União.

De acordo com o texto, o interessado em atuar fora das atribuições institucionais deverá comunicar previamente à AGU e seguir normas da instituição. Todos os nomes serão divulgados na internet, e ninguém poderá representar clientes privados em processos contra a União, suas autarquias, suas fundações públicas, suas empresas públicas ou suas sociedades de economia mista.

Segundo o ministro, eles também terão a eficiência avaliada. Medina Osório avalia que a mudança ajudará no aperfeiçoamento pessoal e profissional do advogado público. Disse ainda que tem ouvido outras demandas da categoria e preocupa-se em resgatar a identidade da AGU como defensora do interesse público, e não de pessoas físicas. Ele não citou nomes, mas já determinou que a Corregedoria-Geral da AGU abra sindicância para apurar a conduta do antecessor, José Eduardo Cardozo, na defesa de Dilma no processo de impeachment.

Acordos de leniência
O titular da AGU relatou ainda que o governo estuda um marco regulatório para os acordos de leniência (espécie de delação premiada envolvendo empresas, firmada com órgãos fiscalizadores), para criar “segurança jurídica” ao empresariado sobre a aplicação da Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013).

Medina Osório não deu detalhes sobre quais mudanças estão em discussão, mas disse que o regime atual não traz “estabilidade alguma” e criticou a Medida Provisória 703, que regulou o instrumento e acabou perdendo a validade, por não ter passado no Congresso. “A MP não foi debatida, atropelou discussões em andamento e gerou desconfiança dentro do próprio governo”, declarou sobre o texto editado no governo Dilma.

Segundo ele, há reuniões semanais entre representantes da AGU, do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle (ex-CGU) e da Associação Nacional dos Procuradores da República. O diálogo já demonstra que o governo deve incluir na regra o envolvimento do Ministério Público Federal, como reclama a categoria.

Simbolismo
As declarações foram feitas na sede do Salusse Marangoni Advogados, na avenida Paulista. O presidente do conselho do MDA, Marcelo Knopfelmacher, considerou “simbólica” a presença do ministro em um escritório de advocacia. Medina Osório afirmou ter as portas abertas para dialogar com a classe e afirmou que tanto a advocacia pública como privada têm as mesmas prerrogativas.

Também compareçam ao evento o presidente do movimento, Rodrigo Monteiro de Castro; conselheiros da entidade; procuradores de órgãos ligados à AGU, como o procurador-regional da Fazenda Nacional da 3ª Região, Leonardo de Menezes Curty; o presidente do Instituto dos Advogados de São Paulo, José Horácio Halfeld Rezende Ribeiro; o presidente do Centro de Estudos das Sociedades de Advogados, Carlos José Santos Silva, o Cajé; o jurista Celso Lafer, professor da USP e ex-ministro das Relações Exteriores; e o tributarista e conselheiro do MDA Igor Mauler Santiago.

*Texto atualizado às 16h40 do dia 14 de junho de 2016.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 14 de junho de 2016, 14h38

Comentários de leitores

45 comentários

A advocacia já foi liberada

AMIR (Outros - Administrativa)

Essa discussão poderia ser resumida: muito barulho por nada. Carreiras que ganham a mesma coisa que os advogados da União podem advogar: é o caso dos analistas de controle da CGU, dos órgãos reguladores etc Os advogados da União também já foram autorizados a advogar em causa própria, pro bono e nos casos de licença para tratar de interesse particular. Essa notícia não traz nenhuma grande novidade.

E tentam justiificar

Trunfim (Escrivão)

É assim que nasce a grande corrupção que novamente voltou ao poder com o golpe em Dilma.
Vão interpretando, vão justificando, vão tentando esclarecer que o errado é o certo.
Funcionário Público não pode exercer outras funções, somente de Professor. Não pode ser socio de empresas, não pode ser proprietário de empresas .

Brincadeira!?

João pirão (Outro)

Que beleza! Quando se fala de conflitos de interesse no serviço público aparece uma pérola dessas.... Quando a Lei 12.813/2013 paira sobre os servidores públicos como urubus na carniça, sobressai uma excecionalidade destas, justo de uma das classes que percebe subsídio generoso desses. A que se deve tal privilégio?
Será que deixarão um auditor fiscal da RFB montar uma empresa de despacho aduaneiro? Ou um analista ambiental do Ibama como assessor de uma mineradora ou madeireira? Será que vamos ver delegados nos portões de presídios oferecendo seus serviços de advogados criminalistas?
Não sei o que está acontecendo.... Vou ter que me preparar para o próximo concurso para ter esse privilégio público-privado de um procurador.

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 22/06/2016.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.