Consultor Jurídico

Notícias

Antes da fama

Newton Ishii, o japonês da Federal, é preso por facilitar contrabando

Famoso por participar da prisão de envolvidos na operação "lava jato", que investiga um esquema de corrupção na Petrobras, o policial federal Newton Hidenori Ishii, que ficou conhecido como o japonês da Federal, foi preso nesta terça-feira (7/6), acusado de facilitação de contrabando. 

Antes de ficar famoso, Ishii foi condenado por facilitar contrabando. Reprodução

O mandado foi expedido pela Vara de Execução Penal da Justiça Federal em Foz do Iguaçu e o policial se apresentou assim que foi informado sobre a expedição do mandado. Ao portal G1, o advogado de Ishii, Oswaldo de Mello Junior, informou que o policial foi condenado a quatro anos e dois meses, em 2003, em virtude da operação sucuri, que descobriu envolvimento de agentes na entrada de contrabando no país.

Antes de se tornar um dos ícones contra a corrupção, tendo até mesmo virado máscara e marchinha de carnaval em 2015, ele foi preso em flagrante junto com outros cinco policiais federais acusado de integrar uma organização criminosa acusada de contrabandear mercadorias do Paraguai. O caso tramita sob segredo de Justiça.

Segundo o advogado, na última semana o Superior Tribunal de Justiça negou um recurso contra a decisão que condenou Ishii. Além dele, outros 16 policiais foram acusadas de facilitar a entrada de contrabando no país. O policial já tinha tentado um recurso no STJ anteriormente, mas ele havia sido negado pelo ministro Felix Fischer. 

Oswaldo Loureiro de Mello Junior afirmou ainda ao portal G1 que Newton Ishii já cumpriu quatro meses da pena e que isso será descontado da condenação total. Segundo ele, a prisão será cumprida em regime semiaberto.

Três processos
Em 2009, o juiz federal Pedro Carvalho Aguirre Filho, que coordenava os processos em Foz do Iguaçu, emitiu uma nota esclarecendo apenas que os agentes federais condenados haviam recebido penas que variavam entre quatro e oito anos de reclusão e pagamento de 100 a 160 dias-multa.

Ishii responde a três processos oriundos da operação: na esfera criminal; um administrativo e um por improbidade administrativa.

O policial chegou a ser preso em flagrante em 2003 com outros cinco agentes. Ao manter a prisão preventiva, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região considerou que a decisão que determinou a prisão estava bem fundamentada e que havia provas do envolvimento deles com a atividade criminosa.

Em sua decisão no TRF-4, o juiz Élcio Pinheiro de Castro destacou que os acusados, incumbidos justamente de evitar e reprimir a prática de delitos, "resolveram do cargo tirar proveito, trazendo graves consequências ao meio social e à credibilidade da Justiça, bem como à relação de confiança entre os cidadãos e o poder público". Após a prisão, Ishii se aposentou em outubro de 2003, mas, em abril de 2014, a aposentadoria foi revogada e ele retornou à atividade. 

Newton Ishii preso - japonês da federalQuem prende?
A fama de Ishii fez com que sua condenação virasse motivo de piada. Na internet, circulava a pergunta: "Se é o japonês da federal que prende os malfeitores, quem vai prender ele?" A brincadeira leva a uma reflexão mais profunda sobre o sistema que traz a prisão como resposta para tudo.

Revista Consultor Jurídico, 8 de junho de 2016, 11h54

Comentários de leitores

7 comentários

Limpar tudo!

Karlos Lima (Oficial de Justiça)

A ganância mata até a alma.

Quase todos meus ex-ídolos estão na cadeia.

Leopoldo Luz (Advogado Autônomo - Civil)

Mas ainda faltam alguns.

Nenhuma surpresa

Fernando Lira (Outros - Internet e Tecnologia)

Acompanhar o desenrolar político e policial apenas pela imprensa tradicional é ser pego de surpresa por notícias assim...
Esse senhor já quase foi expulso dos quadros da PF por condutas "para lá de questionáveis"...

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 16/06/2016.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.