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Conversas gravadas

PGR pede prisão de Renan, Sarney, Jucá e Eduardo Cunha ao Supremo

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal a prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP), do senador Romero Jucá (PMDB-RR) e do presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os pedidos estão sob relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki.

Calheiros, Sarney e Jucá são acusados de tentar atrapalhar as investigações da operação "lava jato", que apura um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobras. Os pedidos têm como base as gravações de conversas feitas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado e pelo seu filho Expedito Machado. A informação dos pedidos de prisão é do jornal O Globo e foi confirmada pela ConJur

No caso de Renan Calheiros, a Procuradoria-Geral da República também pediu seu afastamento da presidência do Senado, usando argumentos similares aos empregados no pedido de destituição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara e do mandato de deputado federal, o que acabou sendo atendido pelo STF.

Ao analisar o caso do deputado, o Plenário do Supremo Tribunal Federal concordou que Eduardo Cunha não tem “condições pessoais” de estar na linha sucessória da Presidência da República por ser réu em ação penal na corte. Com isso, mantiveram decisão liminar proferida pelo ministro Teori Zavascki.

Contra o deputado também há um pedido de prisão feito pela PGR. O motivo, entretanto, não é a tentativa de atrapalhar as investigações da "lava jato", mas a interferência no comando da Câmara dos Deputados, mesmo afastado do cargo.

Pedido desconhecido
O advogado dos senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e do ex-senador José Sarney (PMDB-AP), Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse hoje à Agência Brasil que ainda não tomou conhecimento do pedido de prisão de seus clientes.

“Daquilo que eu vi que foi causado, não existe sequer 'en passant' qualquer tentativa de obstrução de Justiça de interferência na 'lava jato'. É um momento delicado, se tiver um pedido, eu prefiro não acreditar que tenha, tenho confiança que o Supremo Tribunal Federal não vai determinar uma medida tão drástica em razão das gravações que foram expostas. Mas eu prefiro esperar. Eu estou em Londres, voltando agora.Vou antecipar minha viagem [de retorno a Brasília]”, disse o advogado.

Kakay também falou da conversa que teve com Jucá e Sarney. “Eles estão perplexos, mas confiantes de que talvez não seja sequer verdade isso. É claro que tem a perplexidade porque imagina uma gravação daquelas, sobre as conversas que vazaram, não justificaria nunca uma tentativa de obstrução”, ressaltou.

A assessoria do senador Romero Jucá disse que, por enquanto, não há nenhuma manifestação direta do senador sobre o assunto. Nesta segunda-feira (6/6), Jucá disse, em nota à imprensa, que, em relação à informação de que o Ministério Público Federal solicitou investigação ao Supremo Tribunal Federal pelas questões levantadas pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que está “à disposição para prestar qualquer tipo de esclarecimento e informação que possa restabelecer a verdade dos fatos”. O senador acrescentou que colocou à disposição da Justiça seus sigilos fiscal, bancário e telefônico.

“Estou vivendo uma situação absurda, sendo atacado pelos meus adversários políticos e tendo que aguentar calado todas as formas de agressões, uma vez que não posso me manifestar sobre algo que ainda não tenho conhecimento na íntegra. Isto não condiz com um ambiente democrático e de direito de defesa”, disse.

Revista Consultor Jurídico, 7 de junho de 2016, 10h44

Comentários de leitores

5 comentários

Prisão

Paulo A. M. Filomeno (Advogado Associado a Escritório - Civil)

E se o STF negar?

So agora ? Demorou curiosamente demais .

hammer eduardo (Consultor)

O grisalho Procurador Geral demorou um tempo enorme para começar a se mexer , curiosamente durante o desgoverno do PT que também foi , quem o colocou naquele posto e referendou sua continuidade.
Agora tal e qual um antigo carro a álcool numa manha de inverno , o Procurador demorou uma eternidade para "esquentar" e agora quer prender ate a baiana dos acarajés se derem chance.
Deixemos claro entretanto que não discordo de NENHUM dos nomes publicados na Imprensa no dia de hoje , muito pelo contrario pois já deveriam estar em cana A MUITOS ANOS pois são elementos historicamente nocivos ao ente brasileiro como um todo.
O pior deles é mesmo renan canalheiros que não tem estatura moral nem para ser sindico de um prédio do minha casa minha vida mas que se instalou naquele poleiro de luxo graças a acordos intra-partidários via de regra inconfessáveis. No caso do afastamento de dilmão , tentou ate o ultimo instante alguma forma de "escambo" que permitisse salvar seu pescoço dos trocentos processos que carrega valentemente nas costas. So mesmo aqui na Banania é que um elemento deste nível de perniciosidade não é afastado do cargo em vista das denuncias gravíssimas que pairam sobre ele , contribui enormemente a leniência e preguiça do STF de fazer algo que preste pelo Brasil. Lembremos que este elemento se auto-afastou do mesmo cargo em 2007 por ter sido flagrado tendo suas despesas de pensão alimenticia de uma filha fora do casamento sendo pagas por uma empreiteira "por fora". Este é o retrato da corja politica que garante que via de regra jamais iremos a lugar algum em termos de dignidade.. E bate o bumbo. Que nojo !

Em busca de reconhecimento popular

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Essa deve ter sido a maior jogada de marketing da história do Ministério Público na terra da bananeira. Se o Supremo embarcar nessa, perderá em definitivo o pouco de credibilidade que ainda lhe resta.

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