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Pesquisa Pronta

Obrigação de pagar pensão não passa automaticamente de pais para avós

O Superior Tribunal de Justiça entende que a obrigação dos avós de pagar pensão alimentícia é subsidiária, já que a responsabilidade dos pais é preponderante. Dessa forma, os avós não assumem automaticamente o encargo em caso de morte ou insuficiência financeira dos pais, conforme 28 decisões divulgadas na ferramenta Pesquisa Pronta, disponível no site do tribunal.

As decisões demonstram a interpretação dos ministros em relação ao Código Civil, que prevê o pagamento da pensão por parte dos avós (conhecidos como alimentos avoengos ou pensão avoenga) em diversas situações. Em todos os casos, é preciso comprovar dois requisitos básicos: a necessidade da pensão alimentícia e a impossibilidade de pagamento por parte dos pais, que são os responsáveis imediatos.

Diversas decisões de tribunais estaduais foram contestadas junto ao STJ, tanto nos casos de transferir automaticamente a obrigação para os avós, quanto em casos em que a decisão negou o pedido para que os avós pagassem integralmente ou uma parte da pensão alimentícia.

Em uma das decisões, o ministro Luís Felipe Salomão destacou que a responsabilidade dos avós é sucessiva e complementar quando demonstrada a insuficiência de recursos dos pais. Na prática, isso significa que os avós, e até mesmo os bisavós, caso vivos, podem ser réus em ação de pensão alimentar, dependendo das circunstâncias.

Sem reexame
Como o STJ não pode reexaminar as provas do processo, a comprovação ou não de necessidade dos alimentos, em regra, não é discutida no âmbito do tribunal. Dessa forma, as decisões destacadas demonstram a tentativa de reverter decisões com o argumento da desnecessidade de alimentos ou de complementação da pensão. É o caso de um recurso analisado pelo ministro aposentado Sidnei Beneti.

No exemplo, os avós buscavam a revisão de uma pensão alimentícia por entender que não seriam mais responsáveis pela obrigação. O julgamento do tribunal de origem foi no sentido de manter a obrigação, devido à necessidade dos beneficiários.

O ministro destacou a impossibilidade do STJ de rever esse tipo de entendimento, com base nas provas do processo. “A corte estadual entendeu pela manutenção da obrigação alimentar, com esteio nos elementos de prova constantes dos autos, enfatizando a observância do binômio necessidade/possibilidade. Nesse contexto, a alteração desse entendimento, tal como pretendida, demandaria, necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ.”

Pensão direta
Outro questionamento frequente nesse tipo de demanda é sobre as ações que buscam a pensão diretamente dos avós, seja por motivos financeiros, seja por aspectos pessoais. O entendimento do STJ é que este tipo de “atalho processual” não é válido, tendo em vista o caráter da responsabilidade dos avós.

Em uma das ações em que o requerente não conseguiu comprovar a impossibilidade de o pai arcar com a despesa, o ministro João Otávio de Noronha resumiu o assunto: “A responsabilidade dos avós de prestar alimentos é subsidiária e complementar à responsabilidade dos pais, só sendo exigível em caso de impossibilidade de cumprimento da prestação - ou de cumprimento insuficiente - pelos genitores”.

Ou seja, não é possível demandar diretamente os avós antes de buscar o cumprimento da obrigação por parte dos pais, bem como não é possível transferir automaticamente de pai para avô a obrigação do pagamento (casos de morte ou desaparecimento).

Além de comprovar a impossibilidade de pagamento por parte dos pais, o requerente precisa comprovar a sua insuficiência, algo que nem sempre é observado.

A complementaridade não é aplicada em casos de simples inadimplência do responsável direto (pai ou mãe). No caso, não é possível ajuizar ação solicitando o pagamento por parte dos avós. Antes disso, segundo os ministros, é preciso o esgotamento dos meios processuais disponíveis para obrigar o alimentante primário a cumprir sua obrigação.

Efeitos jurídicos
A obrigação dos avós, apesar de ser de caráter subsidiário e complementar, tem efeitos jurídicos plenos quando exercida. Em caso de inadimplência da pensão, por exemplo, os avós também podem sofrer a pena de prisão civil.

Em um caso analisado pelo STJ, a avó inadimplente tinha 77 anos, e a prisão civil foi considerada legítima. Na decisão, os ministros possibilitaram o cumprimento da prisão civil em regime domiciliar, devido às condições de saúde e a idade da ré. Com informações da Assessoria de Imprensa do STJ.

Revista Consultor Jurídico, 25 de julho de 2016, 15h44

Comentários de leitores

4 comentários

Sistema Perverso

LEA (Advogado Autárquico)

na verdade, nenhum Avô ou Avó, deixaria de dar amparo aos seus netos, daí ir preso porque os avós tb não possuem condições de suprir é por demais perverso, pois passaram a vida toda criando seus filhos e depois de idosos ficam responsáveis pela irresponsabilidade dos pais, ainda mais com esta aposentadoria ridícula que os aposentados tem.

Absurdo!

Clesio Moreira de Matos (Administrador)

Só queria que alguém me mostrasse a constitucionalidade de tal ato? Absurdo!

É o fim da picada (2)

Pítaco do Brasil (Assessor Técnico)

Como disse o Alex, realmente é uma vergonha.
Esse tipo de situação deve ser analisada caso a caso. Imaginemos um idoso, que recebe sua "gorda" (?) aposentadoria, dependente de remédios, consultas e exames rotineiramente, ser obrigado a pagar pensão pra um neto, simplesmente pq o pai da criança é um vagabundo... Outra situação também é a seguinte, os avós maternos também não devem ser obrigados a pagar. Pois sim, pq a mãe da criança nunca processa os próprios pais (avós maternos) e ninguém lembra que eles também tem obrigação, qdo no mais das vezes ainda fazem é expulsar de casa a filha que engravidou do dito vagabundo. Enfim, é para refletir... kkkk...

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