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Judiciário tecnológico

Advocacia apoia intimação por WhatsApp, mas ainda há dúvidas quanto à segurança

A intimação por WhatsApp começa a se tornar realidade no Judiciário brasileiro. Trata-se de um meio muito barato e rápido para comunicação, mas levanta dúvidas quanto à segurança jurídica: como saber se quem recebeu a mensagem é de fato seu destinatário quando o sinal se resume a duas pequenas barras azuis? Após um debate na sede da seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil na quinta-feira (7/7), os argumentos a favor do uso do aplicativo se mostraram em maior número.

Projeto-piloto no DF estabeleceu em 2015 a intimação de partes pelo WhatsApp. Modalidade não vale para advogados.Reprodução

Responsável pela inovação do uso do WhatsApp no Distrito Federal, a juíza Fernanda Dias Xavier, do Juizado Especial Cível de Planaltina, foi uma das convidadas para debater o tema. De acordo com a magistrada, das 900 intimações feitas por meio do aplicativo, 20 não obtiveram sucesso e houve apenas uma reclamação de não recebimento. Esta ultima, de acordo com ela, foi por erro de digitação na hora de cadastrar o número.

“Se nós formos observar o dia a dia da população, é muito mais fácil encontrar alguém no celular do que em casa. É uma forma de atingir o objetivo, de fazer uma comunicação chegar até a pessoa de forma muito mais célere do que a carta AR ou mesmo do que o oficial de Justiça”, defendeu.

A juíza esclareceu ainda que a intimação via aplicativo só é utilizada para as partes do processo e após consulta, caso as partes tenham interesse nesse tipo de comunicação. O advogado continua sendo notificado pelo Diário Oficial de Justiça. Além disso, Fernanda ressaltou que o custo-benefício da proposta viabiliza ainda mais o projeto. De acordo com ela, uma diligência por AR custa R$ 9,50 ao Judiciário, o oficial de Justiça tem todo um gasto com deslocamento, enquanto que pelo WhatsApp basta ter um smatphone ou computador disponível.

Após consulta à Corregedoria da Justiça do DF, a juíza passou a utilizar o recurso no Juizado Especial Cível de Planaltina, em outubro de 2015, como projeto-piloto, com o propósito de aumentar a celeridade e promover mais economia no custo do processo.

Caminho sem volta
O advogado Jorge Amaury, ex-conselheiro na OAB-DF e ex-diretor da Escola Superior de Advocacia da seccional (ESA-DF), lembrou que a tecnologia veio para ficar. “O caminho da vida do processo é o caminho eletrônico. A tendência é que seja cada vez mais eletrônico. Aqui ou ali irão aparecer problemas pontuais. Se houver um dado que impeça a comunicação por essa via ou porque alguém fraudou o sistema, não se preocupem, os juízes podem redefinir os prazos.”

Já o conselheiro e vice-presidente de Prerrogativas Fernando Assis teme por possíveis problemas com segurança jurídica e o fato de não serem ferramentas de domínio do Judiciário. “Como vamos fazer o controle e fiscalização para termos plena tranquilidade para saber se está sendo cumprida a boa e velha segurança jurídica? Como afirmar que aquele documento foi recebido pela pessoa correta? Além disso, são sistemas que não estão adstritos ao controle do Estado”, questionou Assis.

Alívio aos oficiais de Justiça
O presidente da Associação dos Oficiais de Justiça do DF, Gerardo Alves Lima Filho, lembrou a situação dos oficiais ante o crescimento do acesso da população à Justiça e relatou as preocupações da categoria com casos de violência. “Só este ano já foram 15 casos de agressões a oficiais de Justiça. Casos de cárcere privado, agressão física, desacato, roubo a mão armada e tudo mais que se imaginar. Além disso, o quadro de oficiais de Justiça é um quadro muito inferior à crescente demanda.”

Nesse sentido, Gerardo Filho manifestou apoio à nova modalidade de intimação. “Nós somos favoráveis a qualquer iniciativa que permita a redução desse excesso de demanda que acaba ensejando riscos na atividade profissional. Esse tipo de intimação vai tornar a atividade do oficial de Justiça muito mais útil do que gastar o tempo precioso fazendo intimações simples como, por exemplo, intimações por questões de trânsito.”

Dúvidas permanecem
O presidente da OAB-DF, Juliano Costa Couto, ressaltou que mudanças costumam gerar insegurança. “Quando a gente vê, às vezes, a tecnologia ingressando na área de atuação profissional de alguém, normalmente costuma-se esperar uma reação negativa”, disse Costa Couto, que afirmou ter ficado surpreso com o posicionamento favorável do presidente da Associação dos Oficiais de Justiça.

A presidente da Comissão de Tecnologia da Informática Hellen Falcão ressaltou que, apesar de ser fã de tecnologia e acreditar na celeridade e economia de custos com a intimação via WhatsApp, muitos receios ainda permeiam o tema. “Olhando como advogado, aquele defensor da sociedade, se o requerido por acaso vier e colocar um não na hora de optar pela modalidade de intimação, será que não poderá haver algum juízo de valor suspeitando de que ele não quer ser intimado? Será que a juíza vai me penalizar porque eu não quero receber intimação via WhatsApp?”, questionou. Com informações da Assessoria de Imprensa da OAB-DF. 

Revista Consultor Jurídico, 11 de julho de 2016, 17h04

Comentários de leitores

4 comentários

Confiança

Gilberto Serodio Silva (Bacharel - Civil)

No mesmo sentido do comentário do Dr. Pintar: sem auto crítica não há evolução. Data vênia vamos reconhecer que alguém continua ganhando dinheiro com a indústria do contencioso (Royalties para Dr. Luiz Fux) onde os Tribunais foram transformados em SAC pelas empresas que disputam com afinco o Ranking dos mais processados.
Quanto tempo para admitirem de público que a substituição do papel pelo documentos eletrônicos não trouxe ganho algum de produtividade e qualidade de serviços à Magistratura? Brasileiros são mestres em burocracias, transformar atividade meio (processo) em fim em si mesmo. Por isso da resistência a Common Law, Jurisprudência dominante, como aponta e obriga o Novo CPC. Mais? Pelo menos 10 anos com juízes julgando autos eletrônicos ora em papel. Vale registrar o esforço inteligente dos TRFs em transformar papel em documentos eletrônicos, não sei se fazendo OCR.

Iludido Advogado autônomo

Iludido (Advogado Autônomo - Civil)

Já foi dito muitas vezes e provados milhões de vezes que o Rei sabe menos sobre sua tribo que os guerreiros e o chefe da tropa como guerreiro. Todo mundo sabe disso, mas o orgulho, o ciúme não deixa e isto se deve ao pecado mortal nascido no mundo para todos. O homem é inculpado.
O ADVOGADO É O ÚNICO QUE CONHECE O JUDICIÁRIO - e sabe de suas mazelas. O advogado vive em todo o judiciário. O juiz só no ouviu dizer na sua serventia. O tribunal coitado soube-se disso e daquilo através de uma pessoas que não corre a jurisdição. Trocar móveis, fazer uma parede aqui é uma coisa. Estes não podem estar em todos os lugares pois, não é como o exercício da advocacia.
PENSE NISSO!

Pertinente

N. Meireles (Outros)

A tecnologia é, sem sombra de dúvidas, a melhor forma de comunicação já criada. Mas como em tudo na vida, temos que analisar os pontos negativos e positivo. No WhatsApp existe uma ferramenta onde o usuário desabilita a confirmação da leitura (o azul); existe também, outra ferramenta onde o usuário também desabilita a última vez que visualizou a mensagem. Acredito que isso seria um ponto bem negativo para o Judiciário. Por outro lado, ganharíamos muita celeridade e economia processual.

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