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Comentários de leitores

19 comentários

Outra profissão

Flávio Marques (Advogado Autônomo)

No final das contas, pelos relatos daqueles que são contra a análise corporal, podem escolher a profissão de dramaturgos... quase chorei por tamanho drama! Isso foi quase que uma novela dessas emissoras de televisão. No final, se a ciência lhes fazem tanto mal, pelo menos outra profissão já fora descoberta!

linguagem corporal

Angela Maria Konrath (Juiz do Trabalho de 1ª. Instância)

Excelente, Alexandre, como sempre. De fato, o corpo fala. E às vezes grita. Precisamos estudar e aprimorar nossa percepção das diversas formas de comunicação e nos capacitar para a jogo posto em cena.

É científico?

Duns Escoto (Outros)

Acompanho o trabalho do professor, trata-se de um destacado pensador.

Assim, de duas uma, ou essa teoria foi apoiada porque se quer provar as maiores aberrações que ocorre no cotidiano processual pela "verdade real" ou para vender livros ao senso comum já que o professor jogou a toalha (ninguém é de ferro).

Sabemos que essa coisa de ciência (como uma moça bonita, desembaraçada, coerente e inteligente) não está plenamente livre de dogmas estruturais (coisas de Heidegger). A psicologia como ciência está presa ao Eu e longe do sujeito da filosofia.

Portanto, analisar a expressão corporal não é "seguro" pelo simples fato de que o inocente pode se achar culpado porque moralmente "roubou sinal de tv a cabo" e está, no seu fundo religioso, querendo ser condenado. Outros, ainda, com baixíssima estima, se comportam de forma reprovável.

Isso é tão antigo e tão comum (vai ver a sacada para vender teses) que advogados sempre pedem para clientes irem mal vestidos nas audiências que envolvam alimentos e, na esfera trabalhista, o empregador sempre está com dificuldades financeiras.

Instrumento

_Eduardo_ (Outro)

O conhecimento da linguagem corporal e sua utilização no campo judicial deve servir como um instrumento para melhor conduziro depoimento, ou seja, os sinais auxiliam a que sejam elaboradas outras ou mais perguntas a fim de verificar se aquela narrativa inicialmente empreendida eh verossimel. No entanto, colocar o resultado da leitura corporal como fundamento para desacreditar um testemunho eh deveras temerário. Ou seja, a linguagem se presta a fornecer subsídios que permitam que o inrerlocuror, ao perceber incoerências e ter inferenciais sobre o relato possa instigar ou mesmo pressionar o depoente para verificar efetivamente a credibilidade de sua história

Tecnicamente util

Roberto Meza Niella. Perito Judicial (Assessor Técnico)

Vou ficar com uma frase que resume em parte o que penso:
"O comportamento não verbal pode ser fonte de indicativos relevantes no decorrer do jogo processual", pois nela se encontra sintetizado de maneira pertinente em parte o que penso sobre a técnica, a que respeito e uso nas investigações periciais como indicativo, porque inclusive no ato de escrever durante uma tomada de escrita autêntica para uma pericia grafotécnica pode acontecer a simulação (ato consciente), só que nesse caso em particular ela deixa vestigios materias no papel que podem ser identificados pelo perito e nos gestos corporais a fração de tempo de reação é curto e muitas vezes passa despercebido pela outra pessoa, por isso a importancia da gravação para analise posterior.
Excelente artigo Dr!! Parabéns!

Não

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

"O depoimento da testemunha ouvida pelo Juízo, mediante contraditório e sob compromisso, não pode ser aceito. Embora a testemunha tenha afirmado que o Autor passou por apuros financeiros, com dificuldades para prover o próprio sustento, enquanto aguarda o desfecho de sua ação previdenciária por quinzes anos, a testemunha apresentava olhar baixo notado por este Juiz quando depunha. Por outro lado, durante o depoimento a testemunha passou as mãos duas vezes por sobre os joelhos, o que é indicativo claro de confusão mental. Assim, sem nenhuma credibilidade a alegação de que por várias vezes o irmão da testemunha se viu obrigado a fornecer mantimentos básicos a fim de que o Autor deste feito não passasse fome. Como se vê pela cor do cabelo da testemunha, não possui irmãos, e assim o testemunho é comprovadamente falso. A convicção se torna ainda mais patente ao se verificar que ao ingressar na sala de audiências a testemunha arrolada pelo Autor desejou bom dia aos presentes, quando naquele momento já passava das 13:00 horas. De rigor assim seja desconsiderado o depoimento da testemunha, oficiando-se ao Ministério Público para que, a critério do Parquet, seja instaurada a competente ação penal por falto testemunho".

Sim

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

"De acordo com a testemunha ouvida pelo Juízo, mediante contraditório e sob compromisso, o autor passou mesmo por uma série de apuros financeiros, com dificuldades para prover o próprio sustento, enquanto aguarda o desfecho de sua ação previdenciária por quinze anos. É o que se infere pelas afirmações da testemunhas constantes da ata de audiência, na qual é esclarecido que por várias vezes o irmão da testemunha se viu obrigado a fornecer mantimentos básicos a fim de que o Autor deste feito não passasse fome"

Ditador

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Melhor se controlar, sr. rode (Outros), antes que esse instinto ditatorial o faça sair por aí ao estilo Che Guevara querendo dominar o mundo. Por outro lado, o "idiota" responde agora pelo nome de Código de Processo Civil de 2015:

"Art. 489
....
§ 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que:

I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida;

II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso;

III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão;

IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador;

V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos;

VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento."

Certo, MAP! Certo!

rode (Outros)

De fato não precisa de tratado para o juiz afastar um testemunho. Basta dizer que não o leva em consideração por demonstrar incompatibilidade com os demais elementos dos autos. Mas daí vem um idiota e diz que o juiz deveria dizer porque é incompatível! Então qualquer um responderia com base no que de fato aconteceu, ou seja, a testemunha demonstrou por sua expressão facial que estava mentido. Ponto. Agora recorra! Não existe outro método para análise de depoimento, senão a subjetividade do juiz, que é igual a qualquer um, com a diferença que é a que predomina até decisão superior em recurso.

Influências exógenas

O IDEÓLOGO (Cartorário)

Estudos de Psicologia deveriam ser aprofundados para análise de depoimentos em audiência, inclusive do comportamento dos advogados, para avaliação das sinceridade dos fatos contados na petição inicial e defesa.

Aos que refutam!

Flávio Marques (Advogado Autônomo)

O mais interessante no argumento daqueles que refutam a aplicabilidade da leitura corporal é que o fazem com fundamento em puro achismo! Dizem isso não é certo, isso não se aplica... mas cadê o fundamento teórico para respaldar a assertiva. Ao contrário, há substancial doutrina e estudos técnicos demonstrando a "fala" através do corpo! Até agora não vi um argumento substancial para desqualificar a análise corporal, cujo o cunho é CIENTÍFICO. Outro fator interessante também é perceber a maldade e o intuito dos que refutam esse possibilidade ao tentar desviar o foco do debate. Apegam-se, pois, ao seriado como se o articulista e outros estivessem sustentando que um simples seriado é o motivador do debate. Puro jogo retórico. Mais uma vez, o seriado citado foi meramente exemplificativo, simples entretenimento que abordou a linguagem corporal, nada mais! Então, para os que não aceitam, está na hora de sair do achismo, da experiência pessoal e trazer análises científicas para refutar a tese, pois a psicologia-comportamental é de caráter objeto e cientificamente comprovado!

Decisão grotesca

Kelsen da Silva (Outros)

A não ser que a juíza demonstre ter efetiva e concreta qualificação para tanto, não deveria ter anulado testemunho com base na "doutrina do corpo que fala" vendida em bancas de jornais.

Como garantir a ampla defesa e o contraditório?

Ricardo A. (Advogado Autônomo)

Ao ler a reportagem sobre a decisão da Corte Laboral, e agora ao ler este artigo, uma grande dúvida me surgiu, o que pode ser abordado pelo autor posteriormente.
Numa decisão em que o magistrado se fundamento na linguagem corporal da testemunha para fundamentar sua decisão não seria necessário se assegurar a possibilidade de reexame desta prova num eventual recurso através de filmagem por exemplo, sob pena de nulidade absoluta por violar a ampla defesa?

Longe demais

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Tudo o que foi dito no texto está correto. Os anos de prática na lida com o direito propicia aos profissionais amplo conhecimento a respeito da linguagem corporal. Eu mesmo, como advogado previdenciário, sei quem poderá obter o benefício da aposentadoria e quem não irá se apresentar nunca apenas pelo primeiro contato. Dificilmente erro. Em se tratando de mentiras contadas por clientes, o que representa 90% do que é dito ao advogado, consigo identificar a maioria antes mesmo de serem contadas. Porém, uma coisa é a percepção subjetiva que os operadores do direito possuem a respeito das intenções do outro sujeito, fundamental em vários momentos. Outra coisa é FUNDAMENTAR UMA SENTENÇA tomando por base leitura de "linguagem corporal". Aqui no Brasil já é uma dificuldade fazer com que o juiz julgue tomando por base o que está nos autos. Não é incomum documentos e testemunhos serem desconsiderados, ou mesmo distorcidos de seu contexto para se impor uma decisão ao jurisdicionado. Se se permitir ao juiz julgar com base em "leitura corporal" aí que a coisa desanda de vez, simplesmente porque não há critérios práticos para tal atividade. Alguém imagina um juiz brasileiro dedicando na sentença um capítulo inteiro, de 50 laudas, para demonstrar sua conclusão a respeito da "linguagem corporal" da testemunha? Isso não existe, e nem existirá em um futuro próximo. Nosso desafio atual é fazer com que o juiz ao menos leia os autos e fundamente minimamente a sentença ou decisão, muito embora os aficionados por séries televisivas americanas possam imaginar outras situações tomando por base a inexperiência e o desconhecimento de nossa realidade judiciária.

Pertinentes

Reginaldo Leonel Ferreira (Bacharel - Criminal)

Agradeço a pertinente análise. O texto me faz recordar de um livro que estudei há anos: O corpo fala (Roland Tompakow e Pierre Weil).
Se percebe que o domínio da linguagem não-verbal pode permitir, inclusive, que digamos com o corpo aquilo que não podemos dizer com palavras; como na difícil tarefa de demonstrar as inconsistências do testemunho perante um julgador que já está convencido por um dos lados do game.
Aguardarei com ansiedade, como sempre, o próximo texto do escriba.

Parabéns!!!

Flávio Marques (Advogado Autônomo)

Excelente artigo! O articulista demonstrou, com refino técnico, o quão preciosa é a análise do contexto corporal na intercomunicação. No artigo (http://www.conjur.com.br/2016-fev-09/juiz-analisa-linguagem-corporal-testemunha-anula-depoimento) citado pelo articulista em seu texto, debati longamente com grandes comentarista aqui do CONJUR e expus o porquê de ser totalmente aplicável a análise da expressão corporal no depoimento das testemunhas. Não é só por que o método possui falhas que torna-se inaplicável, pois, do contrário, nunca que poderíamos aplicar o direito. Claro que eu e nem o articulista (com certeza!) estamos defendendo que todo juiz aplique tal procedimento. Para que se possa aplicá-la com certo grau de certeza, é imperativo um estudo meticuloso, aprofundado da teoria - não é assim com o direito? A psicologia é tão ciência quanto o direito; entretanto, percebo que há um certo desdém, preconceito de alguns operadores do direito em face desse ramo do conhecimento, como se fosse uma ciência de segundo plano! Enganam-se fortemente! Os níveis das pesquisas psicológicas são de extrema confiabilidade e concretude - principalmente no estrangeiro, onde se valoriza tanto a ciência. Tome-me a liberdade de acrescentar à bibliografia do camarada Alexandre um livro básico, um b-a-bá, chama-se "O Corpo Fala", editora Vozes. Faça uma leitura desapaixonada, sem tentar refutar as premissas a cada linha lida... e, com isso, coloque em prática no dia-a-dia e se verá que, não de forma 100% (até por que nada é pleno no plano da concretude!), há grande convergência entre a previsão das ações em relação às ações concretas.

Contraponto...

Ksarlawyer (Advogado Autônomo - Criminal)

Senão pelas perguntas formuladas, impossíveis de coadunar com a "verdade" buscada no jogo processual, como então fundamentar o decisum na liguagem corporal analisada???
Achei deveras interessante o artigo, que oferece um contraponto ao debate promovido entre renomados juristas.
Todavia ainda me intriga essa possibilidade de analisar a liguagem corporal e expressar em uma decisão ou sentença.
Partindo da máxima de que a testemunhas é a "prostituta das provas", no jogo processual, a parte que as apresenta incorre em uma insegurança ímpar, mormente com aqueles que não são dados a falar em público ou comparecer perante autoridades com tranquilidade.
A sutil diferença entre a expressão corporal de quem fala a verdade ou não, a nosso ver, não pode servir de análise no jogo.
Mas analiso o artigo como um excelente contraponto e, desde já, no jogo, como técnico do time (advogado), onstruiremos tbm os jogadores a manter a calma e expressar quanto menos possível sua linguagem corporal (o que parece ser impossível em alguns casos).
Parabéns, eminente Professor!

Nem cartas psicografadas

Zé Machado (Advogado Autônomo - Trabalhista)

Não há segurança alguma nesse método. Em apenas alguns casos padrões ele pode auxiliar. Por exemplo, ajuda o julgador a discernir a malandragem da sinceridade. A exemplo das cartas psicografadas, somente auxilia no contesto, nunca isoladamente.

Tecnicamente perfeito! (Lie to Me)

Dr. Edylson Campos Silva (Advogado Autônomo - Civil)

Excelente artigo dr. Alexandre Morais. Parabéns.

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