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Diário de Classe

É ontologicamente impossível querer
mais analítica e menos hermenêutica

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Comentários de leitores

8 comentários

Direito, a arte da EMPULHAÇÃO....

Gerson Caicó (Estudante de Direito)

Engraçado que os autores refutaram o Atienza utilizando-se de analítica, a corroborarem a minha tese: Direito, a arte da EMPULHAÇÃO!!!
Pra mim, tanto faz, analítica ou hermenêutica, tudo dá no mesmo, em termos de decisão judicial: EMPULHAÇÃO!!!...a manter os privilégios das classes abastadas, desde sempre....
Gilmar Mendes e Lênio Streck não me deixam mentir!

excelente

R. G. (Advogado Autônomo)

O que muitos argumentativistas desconsideram é que as condições de possibilidade de sentido da argumentação movem-se num chão hermenêutico de compreensão, pois desde-sempre participam de um processo que envolve uma antecipação de sentido mergulhada na autocompreensão do intérprete.

Profícuo debate

George Rumiatto Santos (Procurador Federal)

Quando li a entrevista do professor Atienza, logo pensei: o que dirá Lenio Streck sobre essa afirmação de que precisamos de mais analítica e menos hermenêutica?
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O texto-resposta dos professores Rafael Tomaz de Oliveira e Lenio Luiz Streck instaura, nesse sentido, profícuo debate acadêmico, de grande importância para as reflexões sobre nossas práticas jurídicas.
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Parabéns aos três professores pois, independentemente "do mérito" da discussão", proporcionaram colaborações relevantes para a evolução do Direito.

Tema interessante

Gabriel da Silva Merlin (Advogado Autônomo)

Não sei se eu entendi bem, mas parece que em termos práticos Atienza defende argumentações meramente retóricas. Estando inclusive ligado com o voluntarismo/ativismo judicial.

arremate

Ana Karenina (Outros)

Se a decisão não incluir fatores de dissenso, de luta de classes é antidemocrática e incapaz de resolver os dilemas da sociedade. Por isso, invertemos Habermas: Verdade ou consenso.

Diante da inconsistência do ser, cabe-nos, parafraseando, Schiller jogar (no sentido do idealismo alemão) com a justiça. Spartacus, Thomas Munzer, sabiam a escravidão não é natural. Que lição.

Pequena digressão: Na coluna anterior, falou-se em Lutero e sua reforma. Lutero, como disse Marx, combateu a fé na autoridade para resgatar a autoridade da fé. Inclusive dizia que Thomas Munzer, que, em nome do evangelho, pregava a igualdade tinha parte com o demônio. Lutero, na história, foi realçado para oblitera Munzer. A dialética faz isso: busca no passado as vozes do universalismo concreto.
Se, como revelou Susan Buck-Morrs, a revolução do Haiti é a consumação de Hegel, a América Latina, então, é o laboratório do que a Europa tem de melhor e não consegue realizar: a egaliberté. Adeus Gadamer. Adeus Heidegger. Munzer é latino-americano.

Continução

Ana Karenina (Outros)

Slavoj Zizek afirma:“o simbólico pode ser produtor do ser apenas na medida em que a ordem do ser é, ela mesma, tolhida, incompleta, marcada por uma lacuna ou antagonismo imanente” (Menos que nada, 2012, p.595).

No campo social, com Lacan podemos até dizer que não existe sociedade enquanto totalidade fechada, una e coincidente consigo mesma. O Real da ‘sociedade’ é a do dois originário, isto é, a da luta de classes. E foi Maquiavel muito antes de Marx que nos revelou isso.

E o que isso tem a ver com direito? O paradigma hermenêutico é alheio a totalidade aberta da sociedade e aposta no que Warat chamava de egocentrismo textual e, pior, numa verdade consensual. Mesmo discordando de Atienza que busca apoio da filosofia analítica, sua compreensão de que o direito é uma prática social se aproxima mais do que o paradigma dialético propõe.

A dialética pode ser arrimada em dois conceitos centrais: o de alienação, que acredita na supraassunção do espírito consigo mesmo; o de a cisão, enquanto demonstração de que não existe o Um senão na forma movente do dois. Devemos desembaraçar a dialética do conceito de alienação e centrarmos na cisão.

A filosofia analítica ao propor um modelo metalinguístico de controle dos enunciados científicos cai numa armadilha. Godel, grande dialético, já revelava que é impossível demonstrar, do interior de um sistema matemático, a não-contradição desse sistema. Ó São Kelsen que privou com analíticos, mas desconhecia Kodel.

Ou seja: a contradição revela a falibilidade e inconsistência de todo sistema e a tentativa de instaurar uma verdade consensual merece ser rechaçada porque incapaz de atender a realidade complexa e contraditória do nosso mundo.

Mixagens Dialéticas

Ana Karenina (Outros)

Derrida alertava que muitos autores ficam atados ao campo que imaginam deixar para trás. A coluna aqui começa com um título que se insere, parece paradoxal, no seio da mais profunda metafísica que Heidegger intentou desfazer durante toda sua obra. É ontologicamente impossível querer mais analítica e menos hermenêutica? Na assertiva o sentido do ontológico ressumbra como determinidade inexorável que nos aprisiona ou, para suavizar, como condição de possibilidade.

Dizem que Miller depois de inúmeros seminários, achegou-se a Lacan e disparou: Qual é sua ontologia? E afirmo, com Zizek, Badiou, Zupancic e Copjec, que a partir Lacan toda a questão da ontologia foi mais bem compreendida e articulada.

O Real, para Lacan, é aquilo que não é passível de formalização. O Real escapa a toda simbolização, instaura no Simbólico uma curvatura. O Simbólico é clivado justamente por isso. Para ser mais simplório, a ordem do ser é inconsistente, lacunosa e irremediavelmente contingente. E precisamos sempre de um semblante que construa a realidade com forma de suportar o Real.

O vazio que é próprio ser precede qualquer ambiente apofântico. Por isso, é sim possível querer mais analítica e menos hermenêutica. Defender isso implica cair no niilismo a que leva, não Nietzsche, mas uma leitura ruim de Nietzsche?

O que Nietzsche queria dizer é que, em razão da contingência, em algum ponto nos confrontamos com uma decisão brutal que é em si mesma não é racional nem razoável. Deparamos com a questão do indecídível, tema fundamental que a hermenêutica de Bruzundangas nunca enfrentou e não tem aparato conceitual para tal. Ou onto-teo-logia ou o indecidível?

Belo texto

deffarias (Assessor Técnico)

Como a abordagem tem viés acadêmico, a análise não poderia ser muito diferente do que escreveram. Mas vocês foram muito generosos com ele, especialmente quanto à tal regionalização da filosofia, que ele empregou no sentido geográfico mesmo, e não no sentido de setorizada.

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