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Opinião

No futuro, abusos cometidos por Moro podem ser usados contra a sociedade

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Normalmente, os líderes dos Estados totalitaristas têm uma aceitação de grande parcela da sociedade, sobretudo no momento em que assumem o poder, enquanto suas arbitrariedades ainda não alcançaram o cidadão comum. Podemos usar a própria história brasileira como exemplo. O golpe militar de 1964 teve razoável apoio popular, diante de uma crise econômica e uma desesperança política, semelhante à nossa situação atual.

Até o ano de 1968, enquanto as opressões do governo militar eram direcionadas, quase que exclusivamente, aos grandes líderes comunistas, o povo, de longe, aplaudiu. A partir do momento em que as covardias e a intolerância se espalharam e, finalmente, alcançaram o cidadão comum, quando o estudante era retirado de sua própria casa, sem jamais retornar, o apoio se transformou em protesto.

Somente então, o povo, em sua maioria, se curvou contra o regime e começou a ser “legalista”. Hoje, em um Brasil parecido com o de 1964, em que a população sente na pele a crise econômica e está, absolutamente, descrente na política e no país, as atitudes do juiz federal Sérgio Moro, no comando da denominada “Operação lava-jato”, são aplaudidas, de pé.

Mais uma vez, de longe, o povo brasileiro comemora cada uma das decisões e aprova os métodos de conduzir uma investigação/processo, visivelmente arbitrários, do Juiz federal Sergio Moro contra políticos e grandes empresários do cenário nacional. De novo, como em 1964, alvos ainda muito distantes do cidadão comum.

Sérgio Moro, igualmente, utiliza, com maestria, os meios de comunicação para promover suas decisões/prisões e, sobretudo, trazer para si o apoio popular, em verdadeiro trabalho de convencimento, no sentido de que é fundamental para a nossa sociedade que esses “corruptos” sejam e permaneçam presos, tratando-se a Constituição Federal e seus princípios de meros detalhes que não merecem obstruir seu caminho, seu objetivo.

Até agora, a grande maioria do povo, de longe, acredita e aplaude esta ideia. O problema é que, conforme as brilhantes palavras do filósofo norte-americado Noam Chomsky: “A propaganda representa para a democracia, aquilo que o cassetete significa para um estado totalitário”. E, portanto, ser convencido não é “privilégio” dos ignorantes. Estes métodos utilizados, hoje, pelo Juiz Sérgio Moro, muito em breve, não serão mais atos de sua exclusividade. Afinal, após tantos aplausos, quem é que não quer se tornar um herói nacional?

Além do mais, hoje, a Constituição Federal pode estar sendo atropelada por boas intenções, mas a porteira ficará aberta para os mal intencionados. E é justamente com a disseminação desses métodos arbitrários em nosso Judiciário que, finalmente, os alvos não mais serão, tão somente, os políticos e grandes empresários, mas, sim, o cidadão comum, respondendo a um processo ordinário.

Somente então, a população se curvará em favor de nossa Carta Magna, pois, desde sempre, o povo quer ver aqueles que julga culpados  serem punidos severa e sumariamente. Justiça ele quer, quando está sentado no banco dos réus.

 é advogado criminalista, Sócio do Escritório de Advocacia Evaristo de Moraes.

Revista Consultor Jurídico, 5 de outubro de 2015, 10h09

Comentários de leitores

1 comentário

Porque as pessoas não aceita cobrar os êrros

Haroldo Steinkopf Filho (Professor)

É interessante notar que nesse país as pessoas reagem contra aquilo que poderíamos dizer de erro pelo erro cometido. Na legislação jurídica se tem sempre um que, para justificar o in justificàvel quer seja os inumeros re cursos que deveria serem abolidos penas que são sub traídas em de uma serie de pressuposto inadmissível em nome do contraditório, e outras coisas mais para proteger o infrator, dai temos uma justiça desmoralizada, barga nhista através de conciliação. Temos que a justiça tem que ser sim ou não, que passar disto é balela,

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