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Língua solta

Bruno Espiñeira deixa defesa de Edson Ribeiro, e Marcos Crissiuma assume

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O advogado Bruno Espiñeira decidiu deixar a defesa do advogado Edson Ribeiro. Em carta, Espiñeira explicou que o motivo da renúncia foi o fato de seu nome ter sido citado por Edson Ribeiro nas gravações que resultaram na prisão de Ribeiro, depois de ser acusado de patrocínio infiel e de tentar obstruir as investigações da operação "lava jato". O advogado Marcos Vidigal de Freitas Crissiuma vai assumir o caso.

Ribeiro era defensor do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró nas ações da operação "lava jato". Ele teve a prisão determinada na quarta-feira (25/11) pelo ministro Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki na operação que prendeu o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), o banqueiro André Esteves, dono do Banco BTG Factual, e o chefe de gabinete do senador, Diogo Ferreira. 

Os quatro aparecem em gravações feitas por Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras, em conversas nas quais buscam impedir a delação premiada de Nestor Cerveró. Em um dos trechos das gravações, Edson Ribeiro e o senador Delcídio do Amaral citam os nomes de diversos advogados que atuam na "lava jato" e discutem com quem mais devem conversar. Neste momento, Edson Ribeiro diz: "Hoje eu estou aqui com uma pessoa que é melhor ainda. Candidato à Presidência da Ordem daqui, é o Bruno Espiñeira, que é procurador da Bahia. Está com o Jacques direto."

Para Bruno Espiñeira, a citação de seu nome foi uma estratégia de Edson Ribeiro para tentar demonstrar prestígio. No entanto, segundo o advogado, seu afastamento é necessário para preservar o seu nome. "Essa exploração de prestígio que não bate com meu perfil republicano de 22 anos de advocacia. Tenho muitos amigos, mas você nunca vai me ouvir fazendo referência a minhas amizades. Não misturo as coisas. É preciso distinguir o público do privado", afirmou à ConJur.

Espiñeira lamentou ter que deixar a defesa de Ribeiro. Em sua opinião, não há elementos para que o Ministério Público ofereça denúncia contra ele. Porém, ele ressalta que hoje há um punitivismo exacerbado que pode acabar condenando Ribeiro, mesmo que ele não tenha feito nada. 

Leia a carta de renúncia de Bruno Espiñeira:

Carta de renúncia dirigida ao amigo Edson Ribeiro,

Edson, lamento do fundo do meu coração que você esteja passando por tudo isso.

Sei que sua bela história de advocacia criminal não merecia findar desse modo e espero que isso ao final não ocorra, mesmo diante de toda essa intensidade hiperbólica de ódio que atualmente assola o nosso país.

Quando o querido amigo-irmão Felipe Caldeira nos apresentou tive a melhor impressão a seu respeito, mas, desde logo, já notava uma característica que um dia poderia prejudicá-lo.

Eis que o meu instinto, infelizmente, não falhou e por tal razão neste momento renuncio à sua Defesa.

Ouvindo agora com cuidado toda a gravação realizada pelo filho do seu ex-cliente constatei que essa característica fanfarrona agora lhe custa muito caro. Afinal, mesmo como estratégia de defesa, como você afirma, e eu acredito, qual a necessidade de mencionar tantos nomes como demonstração de prestígio e como se alguma vez você tivesse efetivamente se beneficiado disso, e sabes bem que nunca ocorreu, inclusive o meu nome, se referindo a um cargo que ocupo e do qual muito me orgulho e no qual sempre me conduzi de modo ético, por quase duas décadas de exercício, quando jamais confundi o público com o privado?

Conheço muitas autoridades nas diversas esferas de Poder? Sim. Contudo, com todas elas sempre me guiei sob o signo republicano, repito, sem jamais confundir papéis, funções, amizades ou mero conhecimento profissional, sempre distinguindo o público do privado e jamais utilizando-me dos seus nomes em meu benefício, mesmo que fosse em tom de bravata.

Sei que à vontade, sem saber que estão gravando a conversa de quem quer que seja, até mesmo o Papa Francisco deve dizer inconfidências e até mesmo algum teor impublicável, mas à mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta. Embora tenha visto em suas palavras grande dose pueril de bazófia, jamais poderia deixar pairar qualquer confusão entre o meu mister público e o privado.

Minha tristeza agora, vai além, meu amigo (e não será neste momento em que quase todos te viram as costas que o farei, preciso apenas preservar as instituições e o meu único patrimônio, meu nome), não apenas por ter que deixar sua defesa nesse momento em que tantos duros golpes são aplicados a você e ao Estado de Direito. Oportunamente, por certo, se esta missiva não lhe for por mim entregue pessoalmente, uma hora dessas irei ao Rio dar-lhe um abraço solidário.

Agradeço-lhe pela escolha, em se tratando você de um grande criminalista, carregarei isso para sempre como um atestado inequívoco de respeito profissional. Ainda que pouco, fiz até aqui sua defesa, como você bem sabe, com todo o denodo ao lado do meu querido sócio Victor Minervino Quintiere, sem recebermos um centavo e por amor à advocacia criminal e às garantias constitucionais, e mais uma vez, lamento o linchamento sem contraditório pelo qual você vem passando.

Rogo a Deus que dê conforto espiritual, neste momento, a você e à sua família.

Um abraço fraterno,
Brasília, 28 de novembro de 2015

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 30 de novembro de 2015, 13h24

Comentários de leitores

1 comentário

P.... Linchamento ?

Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

Se depois dessa gravação, que incrimina até o pescoço seus interlocutores pela simples literalidade das falas nela identificadas, formos reputar isso como linchamento, não sei o que mais será necessário para distinguir um "Defensor" do seu excelentíssimo cliente. Não bastasse, nessa altura dos tempos atuais e "confusos" da ADVOCACIA CRIMINAL, vermos "adevo" emprestando o seu paletó catinguento para bandido esconder o rosto (coitado, asfixiado com o nariz enfiado nas mangas em direção as axilas) na hora da sua apresentação à autoridade, quando a imprensa se faz presente, a isso, embora difícil para os mais velhos, até temos assimilado com certa tristeza é verdade, mas já conformados. Agora integrar uma reunião (com mais 3) para tratar da fuga de um preso, pagamento pelo seu silêncio e organização da logística para o seu escafedimento, acredito que se está distanciando anos luz dos postulados da "verdadeira advocacia"; do Código de Ética insculpido no nosso Estatuto e das regras mínimas aceitáveis de conduta. Ou estarei errado ?

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