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Pena retroativa

Lei da Ficha Limpa é questionada em comissão de Direitos Humanos da OEA

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Comentários de leitores

7 comentários

Lei Não Pode Substituir a Soberania do Povo

Michel Oliveira (Advogado Sócio de Escritório - Administrativa)

O grande problema de leis espartanas, que visam a moralidade do pleito eleitoral, é que o legislador se esquece que, em última instância, quem decide na democracia é o povo. Tentar sobrepujar a soberania popular, com textos legislativos feitos para atingir determinados políticos, enfraquece a sociedade.
Se diz que o povo não sabe votar, pois jamais podemos imaginar que uma lei tutele a vontade popular, uma "lei de aprendizado em quem não se votar", que faz um filtro tão forte, que inviabiliza a manifestação popular legítima. Prova maior disso são os diversos mandatos populares conferidos às mulheres, aos filhos, enfim, aos parentes daqueles candidatos barrados pela Lei da Ficha Limpa. Ou seja, é o povo quem decide. Muitos dispositivos da LC 64/90, com redação dada pela LC 135/10, não só barram os candidatos, mas a vontade popular de escolha.
A matéria deveria ser revista pelo Congresso Nacional.

Lei Não Pode Substituir a Soberania do Povo

Michel Oliveira (Advogado Sócio de Escritório - Administrativa)

O grande problema de leis espartanas, que visam a moralidade do pleito eleitoral, é que o legislador se esquece que, em última instância, quem decide na democracia é o povo. Tentar sobrepujar a soberania popular, com textos legislativos feitos para atingir determinados políticos, enfraquece a sociedade.
Se diz que o povo não sabe votar, pois jamais podemos imaginar que uma lei tutele a vontade popular, uma "lei de aprendizado em quem não se votar", que faz um filtro tão forte, que inviabiliza a manifestação popular legítima. Prova maior disso são os diversos mandatos populares conferidos às mulheres, aos filhos, enfim, aos parentes daqueles candidatos barrados pela Lei da Ficha Limpa. Ou seja, é o povo quem decide. Muitos dispositivos da LC 64/90, com redação dada pela LC 135/10, não só barram os candidatos, mas a vontade popular de escolha.
A matéria deveria ser revista pelo Congresso Nacional.

Restauração de valores penais-constitucionais

Wilson Knoner Campos - Advogado Criminalista (Advogado Sócio de Escritório - Criminal)

A petição é extremamente interessante, bem fundamentada e inovadora, pois veicula controle de convencionalidade para restaurar valores e garantias penais consagradas ao longo da história. A presunção de inocência e a proibição de retroatividade de norma penal prejudicial são algumas delas! Além disso, o petitório é uma aula de processo público-garantia contra atos do próprio Estado. Um belo trabalho jurídico que merece os mais efusivos encômios!

Já passou da hora

Professor Edson (Professor)

Quatro coisas faltam nesse país pra se lidar com a corrupção , maior controle do dinheiro público, menos burocracia (muita burocracia incentiva a corrupção) , leis mais severas e rápidas (quase não temos corruptos condenados e presos, e os que temos ficam pouco tempo e saem ainda milionários) , e o mais importante é o povo aprender a votar, se tivéssemos isso não precisaríamos dessa lei, e sem esquecer acrescentaria o fim imediato da famigerada lei de aposentadoria compulsória pra quem comete irregularidades, a sociedade não pode ser condenada a sustentar os lobos que se fingem de cordeiros.

Sem resultados

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Pois é. Desde que a chamada "Lei da Ficha Limpa" foi engendrada, todos os especialistas foram unânimes: não serve para nada, sendo apenas um folclore para enganar o povo. Com a aprovação da Lei, apregoada como a salvação para todos os males da Humanidade, a situação política no Brasil só piorou. Hoje, nunca tivemos uma classe política tão desalinhada com a legalidade e a ética. Mas, o brasileiro infelizmente não aprende, e continua a cultuar toda e qualquer bobagem que os publicitários dos bandidos institucionais criam.

Avanço pífio

Ricardo Cubas (Advogado Autônomo - Administrativa)

A Lei do Ficha Limpa carrega em si um conteúdo de propaganda enganosa incrível.
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Leva a crer que os políticos eleitos para todos os parlamentos no Brasil têm ficha limpa, em sentido real.
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O verdadeiro avanço nesse controle de acesso aos parlamentos seria uma PEC que introduzisse como condição de elegibilidade deter idoneidade moral e reputação ilibada, valores esses que seriam avaliados caso a com proposta encaminhada à justiça eleitoral pelo Ministério Público Eleitoral, de ofício ou mediante representação de quaisquer cidadãos.
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Muitos criticam tal proposta afirmando que tais conceitos são muito amplos e fluidos. No entanto, a própria CF/88, já contém a exigência desse binômio como condição para ocupar determinados cargos.
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Tivesse vigente essa exigência desde os idos da aprovação da Lei do Ficha Limpa e não teríamos significativos inquéritos no STF do Congresso Nacional sob investigação e que, em realidade, driblaram a citada lei.

Parece jus sperniandi

Gabriel da Silva Merlin (Advogado Autônomo)

Pelo visto o que houve no caso foi que o prefeito foi condenado pelo TJ em 2004, processo esse ainda não transitado em julgado. Porém como a LC 64/90 na sua redação originária previa a perda dos direitos políticos apenas após o trânsito em julgado o prefeito estava podendo concorrer a eleições normalmente, uma vez que o trânsito em julgado daquela condenação ainda não havia ocorrido.

Porém em 2010 veio a Lei da Ficha Limpa e, alterando a redação da LC 64/90, previu que poderia ser aplicada a pena de perda dos direitos políticos quando a decisão tiver sido tomada por órgão colegiado (que foi o caso).

E ai o que a Justiça Eleitoral fez foi simplesmente aplicar aquela parte da decisão de 2004 que decretava a perda dos direitos políticos, isso porque com a alteração feita na LC 64/90 não mais passou a ser necessário aguardar o trânsito em julgado.

Num primeiro momento eu pensei que este seria o caso de uma pessoa que já havia cumprido toda a pena de perda dos direitos políticos, e que posteriormente teve a pena agravada pela alteração da Lei da Ficha Limpa, mesmo com o trânsito em julgado da decisão. Aliás o STF está discutindo se isso é possível, desconstituir a coisa julgada para aumentar a pena da perda dos direitos políticos.

Agora o que houve no caso foi que, com a possibilidade de antecipação da pena de perda dos direitos políticos, após a edição da LC 135/10, a Justiça Eleitoral entendeu por aplicar desde logo aquela decisão de 2004 que decretou a perda dos direitos políticos.

Portanto parece apenas jus sperniandi.

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