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Cresce o interesse dos alunos por hermenêutica nas faculdades

Comentários de leitores

20 comentários

Não vê as espadas? Ver, bem sei, é encargo tortuoso.

Emil Zaratustra (Outros)

O articulista fala em Machado. Interessante. Lembro-me do conto "Teoria do medalhão": a necessidade, aos indiferentes, da metafísica. Que grande metafísica, a hermenêutica! Num país como o nosso, debalde, essas discussões. Quem, assumindo o compromisso da escrita, deve direcionar a sua atividade a fim de romper, de dinamitar com o que aí está. Recordo Graciliano. Em carta a Portinari, o nosso escritor pergunta se os artistas não se nos apresentam como exploradores da miséria. Quer-se, de tal modo, utilizar a paupérie, os descasos cotidianos para transformá-los em discursos - inócuos discursos, os quais Vintila Horia chamaria de "literatura da ausência ou da indiferença". Com tais, exsurgem dissertações, teses e, veja lá, cátedras. Os problemas - contumazes, renitentes - não cessam, apesar. Pululam, ao revés. E a todos agradam - a todos, quero dizer, que se beneficiam através. Lamento despropositado, dirá o articulista. Mas, não. Lamento de quem observou a fome ante um supermercado... E não enxergou, nesta "teoria", machado algum para romper com questões precípuas. Confio em Cioran, apenas a escrita firme, dura, aquém das conveniências perdurará. Mas, ora, o escrevinhador aconselha a reflexão, aos alunos, no sentido de não sermos livres para dar nomes às coisas. E quem as nomeia? Quem tem poder para tal, decerto. Ora, como romper sem dar nomes outros, vários? Engendrar um discurso díspar com a mesma "linguagem" do qual se discorda? E quando, lembrando a metáfora d'um literato pernambucano, a palavra antecede a coisa? Frágeis discursos, estes, que, se nos encantam num primeiro instante, iniciam certa dívida com a nossa carência provinciana. A literatura, no entanto, dinamita toda essas fragilidades e nos convida a questões necessárias, pungentes.

Aplicação da Teoria e Principiologia na Dogmática

Jô Soares do Processo Jussemioticista DworkinBakhtiniano (Professor)

O subentendido princípio de "não haurir proveito da própria torpeza" (vide o hard case Riggs v. Palmer), corresponde no direito civil ao da boa fé subjetiva!

Autonomia e a petição de princípio

Ana Karenina (Outros)

O colunista diz estar aberto a debate sério e respeitoso. Vamos lá. O autor tem defendido a autonomia do direito. Não obstante, parece incorrer numa petição de princípio, isto é, postula-se o que se deve provar (ATIENZA, Manuel. As razões do Direito – teorias da argumentação jurídica. São Paulo: Landy, 2006, p.65). Na obra Sistema giuridico e dogmatica giuridica, ed. Mulino, Luhmann traz um teoria consistente , ainda que suscetível de crítica, acerca da autonomia. Estamos a esperar que a hermenêutica traga a lume sua teoria acerca da autonomia do direito. Do contrário reinará a petição de princípio e o argumento de autoridade.

Nota da Redação - comentário ofensivo Comentário editado

Macaco & Papagaio (Outros)

Comentário ofensivo removido por violar a política do site.

Só pra lembrar...

Felipe Lira de Souza Pessoa (Serventuário)

Apenas a título de lembrança, recentemente o articulista falou acerca da decisão do STJ sobre aplica a regra do crime de racismo consistente na imprescritibilidade à injúria qualificada. Portanto, ele fala de assuntos atuais e concretos.

A palavra dos ventos nos casos nacionais

Macaco & Papagaio (Outros)

O articulista é, sem dúvida, muito inteligente, de vanguarda, sábio, preparadíssimo, possui muitos livros, teses, etc e blá blá blá que podem inovar no Direito e modificar a cultura jurídica do país... não seria a hora de ouvi-lo em algum texto (objetivo) sobre os problemas reais. Por favor, escreva sobre temas que o STF enfrentou, como por exemplo, a prisão de Delcídio Amaral, a condenação penal com base na teoria do domínio do fato , as cotas raciais nas universidades e em concursos públicos ...ou será que a política inibe a epistemologia dos doutos?

Faltou Explicar.

Estrupício Hermenêutico (Outros)

Não me referi ao texto do Strek, sempre muito claro. A referência é a alguns comentários.

Engraçado...

Adriano Las (Professor)

... um juiz lá de uma sofrida comarca do combalido Maranhão "decide" soltar a "prefeita ostentação", foragida que massacrava os cidadãos enquanto luxava com o dinheiro deles, e o articulista rasgou-se em elogios delirantes...

Um senador e seu advogado são pegos pela PF, pela PGR e pelo STF e o notório articulista nem os defende?!!!...

... o senador e o advogado, é claro...

... ou alguém cogitou que pudesse ser a PF, a PGR e o STF?

Quanta ingenuidade...

Cresce o interesse dos estudantes por hermenêutica...

Maria Sabocinski (Professor)

"Estamos condenados a interpretar." Genial. Digno de Lenio (citando agora!).

Provocação.

Estrupício Hermenêutico (Outros)

Estudar hermenêutica é aprender a escrever complicado? Escrever complicado é uma forma de ocultar pensamentos profundos... ou será uma estratégia para disfarçar a pobreza de ideias? (Plaquinha de advertência: provocação intencional.)

Limites

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Quando concurso público está indo contra a literalidade da Constituição significa que já está se cavando no fundo do poço, para descer mais ainda.

Bakhtin

Ricardo Rocha Lopes Da Costa (Estudante de Direito - Criminal)

Sou um seguidor do professor Lênio, não nego, inventei-me um adjetivo "Leniano", sou tomado por seus ideais e trago à colação Bakhtin e sua polifonia dos sentidos. Os símbolos são ideológicos, fruto de brigas sociais, a matéria prima do pensamento são os símbolos , estes por sua vez nos antecedem, mas somos, também, coautores, não qualquer coautores, porquanto devemos respeitar aquilo que nos é anterior, a estrutura do Direito, no caso, ( Dworkin ), essa ciência complexa que não pode ser escrita em quadrinhos, essa ciência interpretativa que ratifica nossa cruzada em interpretar, sempre interpretando.
O direito precisa se dar conta disso, portanto aconselho : VAMOS CRIAR UMA DISCIPLINA DAS FACULDADES - HERMENÊUTICA JURÍDICA EM CRISE. Eu como aluno de Direito gostaria muito de poder estudar uma cadeira com os livros deste professor Gaúcho que me é muito caro

Tijolo

euricobrneto (Outro)

Gostei do "tijolo", perto do fim.

Lapso revelador: hermenêutica é um refúgio

Ana Karenina (Outros)

Freud, na psicopatologia da vida cotidiana, revela como os lapsos, os chistes, os sonhos, constituem irrupções do inconsciente, revelando-se a verdade que se quer esconder. Ao dizer que a Hermenêutica é um refúgio temos um verdadeiro lapso em que a verdade se revela. Não há enfrentamento com o instituído por parte desta Hermenêutica que batizada sob auspícios de Heidegger estiola até o sentido da crítica. Marx, lembo-me,fez uma crítica da crítica. E cabe a dialética desvelar que esta Hermenêutica é uma filosofia (se que é paráfrase tem este status) da ordem. Fazer a crítica desta crítica arrefecida e amainada que, hipostasiando a tradição, perde ou quer o perder o sentido de que através e dentro do direito é possível empreender uma luta pela transformação desta república ainda por fazer.
A juventude precisa é dialética e não de conformismo. Quem na academia reproduz as hierarquias que perpassam a sociedade colabora com a ordem, alimenta a paixão pela desigualdade. Mas, como disse Rousseau censurando Grotius por fazer teses aduladoras dos reis, a verdade não leva à fortuna, e o povo não concede embaixadas, cátedras e pensões. Rousseau sim era crítico.
Não precisamos de refúgio, mas sim de pensamento/vida.

Evolução

O IDEÓLOGO (Outros)

A doutrina jurídica hermética expressa no positivismo evoluiu para a Hermenêutica, que constitui o "solipsismo dos intérpretes".O que se verifica na doutrina jurídica, com exceção do próprio Lenio Streck, é a defesa de pensamentos totalmente dissociados da realidade na qual devem atuar. Quanto mais absurda uma tese, mais seguidores ela conquista. É o "habitus" de Pierre Bourdieu envolvendo as "mentes receptivas".

Trabalho de Conclusão de Curso

Rodrigo Cesar Barzi (Advogado Associado a Escritório - Criminal)

Professor Lênio, meu trabalho de conclusão de curso na graduação abordou a teoria da decisão judicial, e citou inúmeros pontos de vossa doutrina a respeito. Por favor, gostaria de saber se posso enviar minha monografia para o senhor e, caso seja possível, como poderia fazê-lo.

Boa Escolha.

Estrupício Hermenêutico (Outros)

Meu nome foi bem escolhido, estou em alta! Kkkkkk

Romance em cadeia

KRIOK (Procurador Federal)

É sempre bom saber de interesse/exploração acadêmica como o que vem descrito na coluna de hoje.
Todavia, espero que a abordagem siga o romance em cadeia - é dizer, que os alunos já tenham algo em mente sobre Escola da Exegese, Jurisprudência dos Conceitos, Jurisprudência dos Interesses, Normativismo kelseniano, Jurisprudência dos Valores, Realismos jurídicos e suas formas, positivismos...
E se isso tudo acima vier "temperado" com pitadas de filosofia...
Então, aí sim, experimentaremos uma revolução de espantar a copernicana.
Não penso que temos que construir bunkers; ao contrário, precisamos desembarcar na Normandia!
Carlos Alexandre de Souza Portugal

Excelente iniciativa

Estudante de Direito - Fernando Vaz (Advogado Assalariado - Trabalhista)

Realmente muito bom a iniciativa dos alunos e a alegria do professor em recebê-los. As perguntas descritas nesta coluna me ajudaram bastante, algumas delas eram dúvidas sinceras minhas.
Gostaria de deixar uma pergunta também, que não é abstrata, mas de cunho um tanto mais prático:
Dentro de uma teoria da decisão hermenêutica, seria possível aos juristas, ou ao parlamento, descriminalizar o tráfico de drogas?
Veja bem, o meu pensamento é o seguinte:
São objetivos expressos da constituição: construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais (art. 3º), bem como emana de seu texto o princípio/padrão de proteção à vida e igualdade de tratamento entre os cidadãos. Desta feita, na medida em que a criminologia crítica já desvelou que a guerra às drogas trás infinitamente mais consequências trágicas (a única realidade disso tudo são os milhares de mortos, como diz Zaffaroni em "A palavra dos mortos"), poderia o parlamento erradicar as leis que criminalizam o tráfico mesmo havendo comando expresso na constituição mandando fazê-lo? (inciso XLIII). Entendo que o vetor interpretativo seria que, ao fim e ao cabo, a constituição quer alcançar o bem comum, fazer justiça social, assim, poderíamos objetar que o constituinte errou quando acreditou que combater as drogas através do aparelho repressivo do Estado era a melhor solução, posto que em quase 40 anos de guerra só o que se amontou foram cadáveres, pois as pessoas continuam consumindo drogas a todo o vapor, sem contar o interesse político/econômico por trás deste estado de coisas (intervenção dos EUA na américa latina, o genocídio dos negros em curso no brasil etc.).

Crítica Hermenêutica do Direito

Lanaira (Outros)

A Crítica Hermenêutica do Direito, sem dúvidas, inaugura uma nova escola no pensamento jurídico brasileiro. Foi com ela, que enfim, irreverentemente muitos autores (v.g Dworking, Alexy, etc) foram desvendados, ou até, desmistificados. Além de suas contribuições no nível epistêmico, teorias como a CHD contribuem para o despertar da mediocridade do ensino jurídico.

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