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Língua ferina

Advogado americano é condenado a dizer a clientes que é picareta e trapaceiro

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O juiz Philip Kirk, do condado de Waupaca, em Wisconsin, condenou o advogado Michael Petersen a cinco dias de prisão, mais 12 meses de liberdade condicional, por desacato ao juízo. Mas não ficou satisfeito com a punição. Ele também ordenou que o advogado, durante o ano de condicional, informe a cada cliente que é “picareta, trapaceiro, ladrão e mentiroso”.

Para deixar bem claro, fez o advogado ler em voz alta, em frente de todos os presentes em seu julgamento, para fins de treinamento, a declaração: “Eu sou um picareta, um trapaceiro, um ladrão e um mentiroso”. No julgamento, estavam presentes outros advogados e promotores, além do público.

O juiz definiu a punição extra que aplicou como uma “cadeia itinerante”. E disse ao advogado que não se importa, nem um pouco, se isso vai atrapalhar sua carreira na profissão, segundo o jornal Appleton Post-Crescent e o Jornal da ABA (American Bar Association). “Quero que você tenha tantos negócios como um cafetão em um lar de velhinhas”, acrescentou.

O comentário sobre o cafetão foi uma das frases mais publicáveis que o juiz usou durante a audiência de 90 minutos, em que ele usou uma linguagem “proibida para menores”, de acordo com o Post-Crescent.

Motivos
Michael Petersen, 33, foi acusado de mentir sobre um acordo com o promotor, que iria beneficiar seu cliente. E de usar documentos falsos para respaldar sua alegação. De acordo com a queixa-crime, Petersen aconselhou seu cliente a se declarar culpado de assalto à mão armada, porque o promotor concordara em rebaixar a acusação, mais tarde, para tentativa de roubo. O promotor informou a corte que nunca aconteceu tal acordo.

Além de suas “mentiras deslavadas”, o advogado também teria retido informações importantes para a corte. Por isso, “o sistema jurídico e, por extensão, as pessoas que buscam assistência jurídica precisam ser protegidos”, afirmou o juiz.

Na audiência, Petersen encarou sua condenação e detração com humildade. Pediu desculpas ao seu então ex-cliente, disse que foi aconselhado por seus colegas advogados e que, no futuro, irá mostrar que, para ele, “a ética tem suprema importância”.

O advogado Craig Mastantuono, que o representou, disse ao juiz que Petersen tomou a iniciativa de buscar aconselhamento profissional e terapia para corrigir sua incapacidade de tomar decisões corretas. “Ele cometeu um erro, mas isso não significa que possa ser um bom advogado, capaz de realizar seu trabalho”, afirmou.

Língua ferina
O juiz, por sua vez, é conhecido por seus comentários ácidos no tribunal. Um dos mais famosos ocorreu em 2011, quando o réu, acusado de molestar uma criança, afirmou, no desenrolar do julgamento, que era heterossexual. O juiz comentou: “Você é mais gay do que um suporte perfumado de órgãos genitais masculinos”.

O juiz acrescentou que o réu, então com 71 anos, deve ter descoberto nos anos 40 ou 50 que era homossexual e deve ter sido uma vítima da sociedade homofóbica de então. “Naqueles tempos não havia um armário para você sair dele como hoje em dia”, ele disse. “O réu deve ter tido uma vida terrível”. Foi duramente criticado por ligar homossexualidade à pedofilia.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 26 de novembro de 2015, 11h26

Comentários de leitores

4 comentários

Bizarro

Claudio Faria (Outros)

A decisão e respectiva notícia parecem um quadro falso do Picasso. Esse "auto flagelo difamatório" seria ilegal e imoral...uma verdadeira tortura. Aliás, merecida se o advogado aceitar cumpri-la.

hahaha

Prætor (Outros)

Os americanos sempre na frente!

Deprimente

Zé Machado (Advogado Autônomo - Trabalhista)

Tudo de muito baixo nível e deprimente. Juiz é mais boçal do que o réu tarado.

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