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Repercussão geral

STF vai definir competência para julgar ações de insolvência civil da União

O Supremo Tribunal Federal vai decidir se a competência para processar e julgar ações de insolvência civil nas quais haja interesse da União, entidade autárquica ou empresa pública federal é da Justiça Federal ou estadual. Em deliberação no Plenário Virtual, os ministros, por maioria de votos, reconheceram a existência de repercussão geral da matéria discutida no Recurso Extraordinário 678.162.

O caso teve início em ação incidental de insolvência civil ajuizada pela União perante o juízo da 3ª Vara Federal da Seção Judiciária do estado de Alagoas, o qual se declarou incompetente por entender que o termo “falência”, contido no inciso I do artigo 109 da Constituição Federal, também engloba a insolvência civil. O juízo da 2ª Vara Cível e Criminal de Santana do Ipanema (AL) suscitou conflito negativo de competência, argumentando que a exceção existente nesse dispositivo deve ser interpretada de forma estrita.

O Superior Tribunal de Justiça declarou a competência da Justiça comum para julgar o caso, uma vez que não há razões que justifiquem a adoção de critério distinto de fixação de competência entre a falência e a insolvência civil, mesmo na hipótese de ação proposta pela União, por entidades autárquicas ou por empresa pública federal.

No RE, a União aponta ofensa ao artigo 109, inciso I, da Constituição Federal, e afirma que o comando constitucional é claro ao dispor que, salvo no caso de falência, compete à Justiça Federal o processamento de demandas ajuizadas pela União. Ressalta que as normas constitucionais de distribuição de competência dos diversos órgãos do Poder Judiciário “não comportam interpretação extensiva”.

Para o ministro Marco Aurélio, relator do recurso, a controvérsia deve ser analisada pelo Supremo. “Cumpre ao guarda maior da Constituição Federal elucidar se devem ser processadas e julgadas na Justiça federal ou estadual as ações de insolvência civil, nas quais haja interesse da União, entidade autárquica ou empresa pública federal”, disse. Ele destacou ainda que a matéria pode ser objeto de inúmeros outros processos.

A manifestação do relator no sentido de reconhecer a repercussão geral da matéria foi seguida, por maioria, no Plenário Virtual da corte.

RE 678.162

Revista Consultor Jurídico, 9 de novembro de 2015, 18h40

Comentários de leitores

1 comentário

Quando a "guarda da constituição" se torna por demais pesada

João Corrêa (Estagiário - Previdenciária)

Afinal, não bastaria o pronunciamento do STJ sobre o tema? Tal matéria, a par de estar contida na CF/88, não me parece ter importância constitucional, haja vista tratar-se de mera questão processual, de caráter infraconstitucional.
Outrossim, a questão é singela por demais. Se a CF não outorga à JF expressa competência para julgar insolvência, resta à justiça comum julgá-la, devido a seu caráter residual.

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