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Tentativa de fraude

Ser demitido e contratado pelo mesmo grupo gera unicidade de contrato, fixa TST

Um funcionário demitido e logo depois contratado por empresas do mesmo grupo tem seus direitos trabalhistas violados. Com esse entendimento, a 2ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho reformou sentença para reconhecer a unicidade dos contratos firmados por um trabalhador demitido e seguidamente admitido em empresas do mesmo grupo econômico de uma siderúrgica. Para os ministros, ficou clara a intenção das empresas em fraudar os diretos trabalhistas do empregado.

Funcionário de uma das empresas de um grupo desde 1994, o trabalhador recebeu proposta para assumir o cargo de gerente em uma unidade de outra companhia nos Estados Unidos. Ao assumir o novo posto, o contrato brasileiro foi rescindido e, um dia depois, acordado na filial americana, onde permaneceu por cerca de três anos. Trinta dias após retornar ao Brasil, já em um novo contrato, o empregado foi demitido.

A reclamação trabalhista, acolhida pela 72ª Vara do Trabalho de São Paulo, demandava que os contratos realizados tanto pela sede norte-americana quanto o de retorno ao Brasil fossem considerados como transferência, gerando rescisão compatível com o tempo de serviço dedicado pelo funcionário também no exterior. O juiz rejeitou o pedido no entendimento de que, na mudança de cargo, foram firmados pactos laborais distintos de uma empresa para outra, e não transferência.

O trabalhador recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP), que manteve na íntegra a sentença de origem. Para o TRT-2, não houve transferência, mas a oferta de um novo emprego por empresa do mesmo grupo, onde não ficou comprovada a ocorrência de fraude, já que o contrato de trabalho foi devidamente rescindido.

No TST, o desembargador convocado, Cláudio Armando Couce de Menezes, relator do processo, explicou que, ao afastar a unicidade contratual, o TRT-2 violou o artigo 3º da Lei 7.064/82, que dispõe sobre a execução da lei brasileira na prestação de serviço no exterior. Para Couce de Menezes, ficou claro que o intuito da empresa era afastar a aplicação da legislação brasileira no período em que o funcionário trabalhava fora do país.

Por maioria, a turma deu provimento ao pedido de revista e reconheceu a unicidade dos contratos, declarando a nulidade das dispensas ocorridas. O processo agora deverá retornar à vara de origem para análise dos pedidos, ficando mantida a condenação. Na decisão, foi vencido o voto do ministro Renato de Lacerda Paiva. Com informações da Assessoria de Imprensa do TST.

Clique aqui para ler o acórdão. 

Revista Consultor Jurídico, 3 de novembro de 2015, 18h51

Comentários de leitores

1 comentário

A justição não pode reparar danos de más decisões

Fernando Angelieri (Consultor)

Em 94, ao aceitar o cargo de gestor nos EUA, o colaborador não deve ter nem titubeado.
No texto não informa o motivo da volta ao Brasil, se foi decisão da empresa ou dele (e familiares), o que mudaria completamente a visão sobre quem é o culpado da decisão.
A proteção ao empregado é excessiva e permite que ele erre em sua carreira e coloque a culpa na empresa.
O Estado tem que parar de intervir em empregados de alto escalão e a justiça civil entrar no caso de contratos rompidos, apenas isto.
Quando ele foi para os EUA, teve tudo o que foi prometido? Qual o período acordado dele ficar lá? Quais seriam as formas ou possibilidade dele retornar ao Brasil?
Estamos com mais de 1 milhão de empregos perdidos devido ao caos econômico (político) que vivemos e o protecionismo só piora a situação das empresas no momento da contratação.
Até quando vamos continuar sendo babás de pessoas com pós-graduação, MBAs e acha que elas são incapazes de tomar suas próprias decisões?

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