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Ilusão vendida

Bill Clinton quase caiu por menos, diz Ives Gandra, em artigo sobre Dilma

O jurista Ives Gandra da Silva Martins, que é presidente da Comissão de Reforma Política da Ordem dos Advogados do Brasil de SãoPaulo, publicou artigo no jornal Folha de S. Paulo neste domingo (1/11) criticando duramente o governo Dilma Rousseff e sinalizando apoio a um processo de impeachment. O jurista ressaltou que, durante a campanha, a presidente omitiu a situação econômica do Brasil para, logo depois de eleita, fazer diversos cortes em áreas sociais. Ele relembrou o episódio no qual uma juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos lhe confidenciou que votaria com certeza pelo impeachment do então presidente Bill Clinton por ter mentido quanto a ter mantido relações sexuais dentro da Casa Branca com a estagiária Mônica Lewinski.

“À evidência, a mentira do presidente Clinton ao povo americano foi infinitamente menor que aquelas da presidente Dilma ao povo brasileiro, pois a ilusão vendida para eleger-se custou um preço elevadíssimo à nação”, escreveu Ives Gandra.

Leia o artigo:

Mentiras presidenciais
Já me referi, mais de uma vez, ao jantar que Ruy Fragoso, Paulo Bekin e eu tivemos com a juíza da Suprema Corte americana, Sandra O'Connor, à época do pedido de impeachment contra o presidente Bill Clinton (1993-2001).

Perguntei-lhe como votaria, se o processo fosse levado à Suprema Corte, após deliberação do Congresso. Ela respondeu-me com espantosa rapidez: "Meu voto será pelo impeachment", acrescentando: "Ele mentiu para o povo americano e um presidente não pode mentir".

Ficou provado depois que, com efeito, Clinton mentira, ao dizer que não mantivera relações com Monica Lewinsky. É de se lembrar que o pedido de impeachment foi rejeitado por mínima maioria.

No Brasil, se analisarmos o comportamento verbal da presidente Dilma Rousseff, parece que nem sempre a verdade teve preferência.

Durante a campanha de 2014, alardeou que a situação brasileira era maravilhosa, que o candidato de oposição iria buscar um ajuste recessivo, que, em seu segundo mandato, teria como meta a pátria educadora e que jamais tanto se fizera para o desenvolvimento econômico e social como em seu governo, com as contas públicas superiormente administradas, em face de sua ilibada idoneidade.

Tão logo eleita, Dilma revelou ao país que tudo o que dissera não correspondia à realidade: o Brasil estava falido e não poderia mais financiar o ensino universitário como antes–muitos alunos não puderam cursar as universidades e muitas escolas, em todos os níveis, foram fechadas por falta de financiamento.

Descobriu-se também que o governo disfarçara os furos orçamentários com as "pedaladas fiscais", empréstimos ilegais dos bancos públicos, e que um duro ajuste fiscal sobre a sociedade seria inevitável, pois Dilma não poderia reduzir as despesas com "os amigos do rei" de sua esclerosada administração.

À evidência, a mentira do presidente Clinton ao povo americano foi infinitamente menor que aquelas da presidente Dilma ao povo brasileiro, pois a ilusão vendida para eleger-se custou um preço elevadíssimo à nação.

A título apenas exemplificativo, enumero: congelamento de combustível e de energia elétrica, cujos preços explodiram em 2015; alta inflação; PIB negativo; altíssima taxa de desemprego; fuga de investimentos do país; retirada do Brasil do grau de investimento internacional pela mais importante agência de rating mundial; destruição da maior empresa estatal, que perdeu 70% de seu valor, assolada por uma onda fantástica de corrupção.

Apesar de repetidas vezes Dilma, o ex-presidente Lula e alguns aliados terem sido citados nas delações premiadas feitas na Operação Lava Jato, o digno procurador-geral da República, Rodrigo Janot, houve por bem investigar em profundidade o principal adversário do governo, Eduardo Cunha, muito embora o Tribunal Superior Eleitoral, por 5 votos a 2, tenha pedido à Polícia Federal que apurasse se a campanha do PT foi ou não irrigada por recursos vindos do saque à Petrobras.

Sobre tais investigações, todavia, não me manifesto, pois ainda em curso, embora esteja plenamente convencido de que o governo Dilma foi omisso, negligente, imprudente, imperito (são hipóteses de culpa grave, segundo decisões do STJ), tornando-se aquele em que houve o maior nível de corrupção da história mundial, segundo a imprensa internacional.

Tais considerações, entretanto, eu as faço apenas para mostrar a concepção democrática de uma juíza da Suprema Corte americana, para a qual um presidente, por representar a nação e seu povo, tem que se revestir de tal dignidade, não pode mentir, mesmo em assuntos de natureza privada.

Tal concepção conflita dramaticamente com a tolerância demonstrada pelos políticos brasileiros — não pelo povo, que reduziu a credibilidade de Dilma a menos de 10% —, para quem a "hipocrisia" é a "maior virtude" para conquistar o poder.

Revista Consultor Jurídico, 2 de novembro de 2015, 13h33

Comentários de leitores

13 comentários

Indignação seletiva

Joacil da Silva Cambuim (Procurador da República de 1ª. Instância)

É incrível como ninguém parece sinceramente indignado com a corrupção. Sim, porque não deveríamos olhar a cor da camisa dos corruptos. Não acredito em "indignação seletiva", que, para mim, nada mais é do que hipocrisia. Todos sabemos como os tucanos governaram o país, grandes escândalos sendo abafados. E isso com o apoio luxuoso da grande mídia, PF, PGR, STF e empresários.

um bandeira dando bandeira , petralha cinvicto

hammer eduardo (Consultor)

Nesta altura do campeonato com o Pais desmontando a ceu aberto , chega a ser bizarro ver alguém vagir imbecilidades deste sub nível. Certamente vai printar o comentário bovino e mostrar a seu chefinho " família" Adams. O Pais esta entregue nas mãos sujas de lama da mais impressionante quadrilha de ladrões, golpistas e mentirosos compulsivo " nunca dantiz" vista no Brasil. Se isto aqui não fosse a verdadeira ZONA tolerada em que " sobrevivemos" a duras penas , dilmao já teria sido expulsa a pontapés do Palácio do Planalto. Como somos um povinho xexelento , desinformado e covarde, a petralhada imunda vai tocando a vida. Precisamos soltar com urgência Fernandinho Beira Mar que causa MUITO menos dano ao Brasil do que esta ratada imunda, com bandeira e tudo.

A Letra da Lei

kiria (Corretor de Imóveis)

Que me perdoem os nobres advogados,mas nós população temos o entendimento exato e ao pé da letra de que um mau administrador que frauda contas,é omisso à corrupção a sua volta só tomando atitude mediante de protestos e pressões até que elas o encostem na parede;o sucateamento dos serviços "mínimos" públicos que tem o objetivo de resguardar e atender principalmente aqueles mais carentes e que levaram e estão levando muitos à morte seja pela ausência de Saúde ou Segurança não pode e não deve ser analisado apenas sob o prisma da "Letra Seca e Sem Alma" de uma Constituição.È necessário observar com uma "gota" de humanidade e perspicácia aquilo que não foi escrito mas está contido nela quando se está tratando de vidas humanas,enganadas,exploradas e sob o jugo de uma Gana de Poder ditatorial jamais visto nem na Ditadura do passado.

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