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Petróleo sujo

Petrobras foi aparelhada para extorquir empreiteiras, diz empresário da Engevix

Políticos aparelharam a Petrobras com gestores incompetentes, para obter vantagens pessoais ou para seus partidos. A afirmação é do empresário Cristiano Kok, presidente do conselho de administração da empreiteira Engevix. "A versão que tem sido divulgada é que a Petrobras foi assaltada por um bando de empreiteiras. A verdade é que os políticos aparelharam a Petrobras para arrancar dinheiro das empreiteiras”, diz ele.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o empresário admite que sua empresa pagou cerca de R$ 10 milhões em propina para o doleiro Alberto Youssef. Segundo ele, o objetivo da propina não era vencer licitações, mas garantir que a empresa não seria prejudicada nos pagamentos de aditivos aos contratos e das medições de obra. “Os contratos a gente ganhou por licitação. Mas, para receber em dia, e ter as medições aprovadas, tem que pagar comissão, taxa de facilitação, propina, chame do que você quiser”, conta, qualificando o ato como extorsão.

“Era fazer isso ou ficar sem serviço. As empresas cometeram erros e estão pagando um preço altíssimo por um processo de extorsão. Agora, será que alguma empresa poderia ter denunciado que estava sendo extorquida pelo Paulo Roberto [Costa, ex-diretor da Petrobras]? No mundo real não dá para fazer isso. Você sai do mercado, seu contrato é cancelado, vão comer teu fígado.”

Kok diz não saber para onde ia o dinheiro pago. A propina, segundo ele, era paga em prestações para empresas do doleiro Alberto Yousseff como se fosse prestação de serviço. O nome de Youssef foi indicado pelo ex-deputado do PP José Janene. “Não sei para onde o dinheiro ia e só soube que as empresas eram do Youssef muito depois. Como a indicação do Youssef foi política, evidentemente ele falava em nome do partido [PP]. Mas para quem ele mandou dinheiro eu não sei”.

O executivo contesta a versão do Ministério Publico de que parte do pagamento de propina na Petrobas foi feito de maneira disfarçada, por meio de doações de campanha. Segundo Kok, a Enevix nunca fez doação de campanha para ganhar contratos ou fazer obras. No entanto, ele afirma que há uma política de boa vizinhança ao fazer as doações. “ Agora, evidentemente, quando você apoia um partido ou um candidato, no futuro eles vão procurar ajudá-lo de alguma forma, não tenha dúvida. É política de boa vizinhança”.

Kok rebate também a versão do Tribunal de Contas da União sobre o superfaturamento da refinaria Abreu e Lima. “Os critérios do TCU estão errados. Pegam os preços de uma pavimentação de asfalto e aplicam na pista do aeroporto. São coisas diferentes”, diz. O executivo explica que os preços da refinaria explodiram porque a Petrobras lançava as obras sem projeto e depois ia acrescentando coisas que encareciam tudo. “Em Abreu e Lima, nosso contrato era de R$ 700 milhões, mas acabamos gastando R$ 1,1 bilhão por causa das exigências extras da Petrobras. Nos devem R$ 400 milhões. Em Macaé (RJ), fizemos um contrato de R$ 300 milhões e a obra ficou em R$ 450 milhões. Mais prejuízo. Estamos cobrando a Petrobras por isso. Mas eu devo ser muito burro, porque paguei comissão e perdi dinheiro”, diz.

No caso de Milton Pascowitch, citado pelo ex-gerente da diretoria de Serviços da Petrobras Pedro Barusco como operador de pagamento de propinas ao PT a serviço da empresa Engevix, Kao afirma que ele trabalha na empresa há mais de 15 anos. No entanto, conta que ele foi contratado para ajudar no relacionamento com o PT e não para pagar propina. “Era uma relação de lobby, nunca para pagamento de propina”, afirma.

Os erros cometidos pela empresa no esquema da Petrobras prejudicaram a empreiteira, que hoje corre o risco de quebrar. Nas expectativa de Kok isso não vai acontecer, mas a empresa deve encolher. “Se tudo der certo, vamos encolher, mas continuar vivos. O faturamento do ano passado, que foi de R$ 3 bilhões, cai para R$ 1 bilhão”, afirma. Entre as medidas adotadas para pagar a dívida com os bancos, superior a R$ 1,5 bilhão, a Engevix já vendeu sua empresa de energia e colocou à venda suas participações nos aeroportos de Brasília e Natal. Se conseguirá pagar os R$ 538 milhões cobrados na Justiça, Kok nega. “De jeito nenhum. Se tem alguém que precisa pagar é a Petrobras, que nos deve mais de R$ 500 milhões”.

Revista Consultor Jurídico, 19 de março de 2015, 16h16

Comentários de leitores

7 comentários

Que tal falarmos seriamente? 04

Citoyen (Advogado Sócio de Escritório - Empresarial)

E EXPLIQUEI AO GOVERNADOR QUE MEU CLIENTE NÃO QUERIA PREJUDICAR O ESTADO. QUERÍAMOS SOMENTE NÃO SER TRIBUTADOS ILEGALMENTE, COMO JÁ DECIDIRA O EG. SUPREMO. OUVIU TUDO E ME DISSE. " DOUTOR, TUDO SE RESOLVE. EU ESTAREI EM CAMPANHA POLÍTICA E PRECISO DE RECURSOS. MEDIANTE 20 MILHÕES DE UNIDADES MONETÁRIAS, RESOLVEMOS TUDO" __ DISSE-LHE EU: "GOVERNADOR, EU TENHO UM MANDADO DE SEGURANÇA, COM LIMINAR QUE POSSO EXECUTAR AGORA. MEU CLIENTE NÃO CONCORDARÁ COM ISSO, É MUITO DINHEIRO." __ DISSE-ME O EXMO. GOVERNADOR: ENTÃO, DOUTOR, PROCURE SEUS DIREITOS. __BOM, PROCUREI E, COMO NÃO PODIA DEIXAR DE SER, O ENCONTREI. A JUSTIÇA MANDOU SUSTAR A COBRANÇA. MAS MEU CLIENTE TIROU A EMPRESA DO ESTADO, QUE PERDEU CERCA DE 200 EMPREGOS, E A RECEITA DO ICM. MEU CLIENTE FOI PARA OUTRO ESTADO! __E ASSIM, Colegas, porque há muitos outros casos, semelhantes, piores, o Brasil funciona. O QUE MUDOU é mais recente. PORQUE, a partir de mais ou menos 2003/2004, tudo passou a ter um aspecto IMPESSOAL. Não era o INTERESSADO, a AUTORIDADE que agia em interesse pessoal. ELE PEDIA para um PARTIDO. Nem sempre sabíamos qual seria o PARTIDO. Era preciso que soubéssemos QUEM TINHA INDICADO a AUTORIDADE para a função. Aí, sempre se sabia QUE PARTIDO seria o BENEFICIÁRIO. CONCLAMO os COLEGAS a se buscarem a MEMÓRIA: lembram-se que sempre havia em BRASÍLIA um "ESPECIALISTA" em MINISTÉRIO OU EM ALGUMA ENTIDADE GOVERNAMENTAL? __ POR QUE SERÁ? __ NÃO SERÁ PORQUE TAIS "ESPECIALISTAS" representavam o PARTIDO que CONTROLAVA aquele Ministério? __COLEGAS, escrevi tudo isso, porque quero reiterar que sou um descrente. É assim que tem funcionado. E acho difícil mudarmos tudo isso. COMO FAREMOS? TROCAREMOS D POR T? UM PARTIDO por OUTRO?

Que tal falarmos seriamente? 03

Citoyen (Advogado Sócio de Escritório - Empresarial)

Um dia, porém, meu avião de sexta-feira, para o rio, aquele dc-10 das 19 hs., da varig, atrasou em manaus. Só passaria às 24 hs. Um amigo, no aeroporto, me chamou para jantar. Fui. No caminho me disse que não tinha segredos para mim e que eu era um irmão, um amigo, para ele. Agradeci, não entendi, mas logo fui esclarecido que teríamos um companheiro, no jantar. E era precisamente - o destino? - aquela pessoa ministeriável, com quem negociava. Jantar agradável. Até o prato principal. Aí, uma pergunta do "meu amigo, irmão": "e o projeto x, como está?\" __ "puxa, foi bom você falar. Aprovei para vocês, hoje. É de vocês" __ "bom, então se demita do ministério, porque você é o presidente da empresa que vai operá-lo.\", disse "meu amigo, irmão" ao ministeriável. Você tem certeza, cara, eu estou no ministério! __ cara, eu estou lhe dizendo, o cargo é seu. Calado estava e mudo fiquei. Nada tinha a dizer! Passamos o fim de semana e eu pensei: ah, é assim que funcionam as coisas aqui no poder! __ terça-feira, já pela manhã, fui para a minha habitual reunião. Sentei, e, a seguir, ouvi: "tenho uma ótima notícia para você"! __não diga, disse eu. __ pois é, o governo autorizou vocês a produzir os demais produtos que vocês têm. Vamos tirar a cláusula que os impede de assim agir. E o meu cliente, sem qualquer tipo de atitude, recebeu o prêmio que o fez enraizar-se, mais e mais, no brasil, gerando centenas, milhares de empregos e tributos. __em outra ocasião, consegui provar que um estado brasileiro do norte tinha alterado a lei de icm no dia 31/12, mas o d.O. Com a alteração circulou no dia 17/01 do ano seguinte. Em mandado de segurança, consegui a declaração de ineficácia da lei, para o ano da publicação. Fui ao governador. Expliquei.

Que tal falarmos seriamente? 02

Citoyen (Advogado Sócio de Escritório - Empresarial)

Os pedidos eram pessoais, na época. Se você não desse, nada ocorria. Seu processo andaria no rítimo normal. Um dia, precisava de uma autorização para que um cliente comprasse terras para um grande projeto agrícola. O consultor jurídico do ministerio exigiu, porque o cliente era uma multinacional, 1) que a sede da empresa fosse transferida para o brasil; 2) ou que transferisse para brasileiros mais que 51% das ações ordinárias. Dias passados, vejo a aprovação de um parecer do consultor geral da república, cujos entendimentos se sobrepunham aos dos consultores dos ministérios, autorizando a aquisição de terras. Parecer publicado, telefonei para um amigo de faculdade, que estava lotado na consultoria. E lhe disse: o que é isto? Tenho algo igual! Venha aqui que lhe dou cópia. Trata-se de cliente do escritório do nosso consultor geral, e ele aprovou a autorização para compra de terra rural por estrangeiro, desde que fosse observada a condição explicitada. Fui a brasília. Recebi a cópia do parecer. Fui ao ministério cujo consultor pretendia a transferência da sede a empresa compradora ou a transferência de 51% das ações ordinárias. Pedi reconsideração ao ministro, que ouviu seu consultor e não tiveram remédio, autorizaram a compra, porque o adquirente tinha todos os requisitos que o consultor geral estabelecera. Algum tempo depois, um cliente tinha uma fábrica no brasil. Só podia fabricar um tipo de produto de sua linha. Não os demais. Como estava expandindo a fábrica, eu negociava em brasília a expansão das condições para fazer crescer a industria. E pedia autorização para tirar o impedimento de fabricar outros produtos. Sempre negado. Mas eu sempre pedia, em cada reunião que tinha no ministério. Um dia...., porém,

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