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Sem sujeira

Entidades criticam reportagem que associou advocacia à "lama" da lava jato

Três entidades que representam a advocacia publicaram nota nesta quinta-feira (12/3) com críticas a uma reportagem da revista Veja São Paulo com um perfil dos principais advogados que atuam na operação “lava jato”. A capa da última edição tem como título “Quanto mais lama, melhor” e diz que, com novas denúncias sobre o caso, “mais fértil fica o terreno desses profissionais em termos de visibilidade e ampliação de honorários”.

A seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil declarou que o título de capa “expressa a ideia equivocada e injusta de que a advocacia se favoreceria do ambiente nefasto de corrupção que tanto mal tem causado a nosso país”. A chamada, diz a OAB-SP, “é tão distorcida quanto seria outra que afirmasse que a revista Veja torce para que haja cada vez mais escândalos de corrupção no país para ampliar o sucesso nas suas vendas”.

O Movimento de Defesa da Advocacia (MDA) afirmou estar “perplexo” com o enfoque e manifestou “sua mais profunda repulsa a toda e qualquer manifestação que pretenda induzir a sociedade brasileira sobre serem os advogados aproveitadores da corrupção que assola e afunda este país”. Para a entidade, não se pode confundir o trabalho dos profissionais do Direito com seu cliente.

Uma terceira nota, divulgada pelo Instituto dos Advogados de São Paulo, defende que “o advogado é a garantia fundamental de que não haja abusos nos processos e procedimentos, e que as leis sejam respeitadas”. O instituto cita inclusive associados que vêm atuando no caso.

Leia a íntegra das notas:

A Ordem dos Advogados do Brasil - Secional de São Paulo, vem manifestar seu repúdio ao título de capa da edição de 11 de março presente, da conceituada revista Veja São Paulo, e que expressa a ideia equivocada e injusta de que a advocacia se favoreceria do ambiente nefasto de corrupção que tanto mal tem causado a nosso país. A advocacia tem servido à Nação, não apenas nas causas individuais, onde exerce a missão de promover o direito de defesa do acusado, independente de sua condição social ou do crime que lhe é imputado, mas também na defesa social dos valores republicanos e do Estado Democrático de Direito. A chamada daquela edição é tão distorcida quanto seria outra que afirmasse que a revista Veja torce para que haja cada vez mais escândalos de corrupção no país para ampliar o sucesso nas suas vendas.

Marcos da Costa
Presidente da OAB-SP” 

O Movimento de Defesa da Advocacia - MDA, perplexo com o enfoque e a chamada de capa da Revista Veja São Paulo, de 11 de março de 2015, sob o título "Quanto mais lama, melhor - Como a Operação Lava-Jato está movimentando (e enriquecendo) os escritórios de advocacia da cidade", vem a público externar sua mais profunda repulsa a toda e qualquer manifestação que pretenda induzir a sociedade brasileira sobre serem os advogados aproveitadores da corrupção que assola e afunda este país. Confundir o advogado com seu cliente e, a partir disso, ridicularizar a imagem dos profissionais que estariam se "beneficiando" da imputação de crime alheio é um desserviço que a imprensa presta a seus leitores. Evidente que retratar a notícia de ocorrência de crimes — mesmo que ainda em apuração — é trabalho que merece aplauso. Mas nós, advogados, sabemos muito bem que a tragédia humana vende muito mais jornal do que notícias positivas. Também sabedores e beneficiários disso, os órgãos de imprensa devem apresentar postura muito mais responsável ao lidar com tais fatos, evitando que os profissionais que lidam com essas tragédias sejam enfiados no bolo como se aproveitadores ou mesmo criminosos também fossem. O dia em que o Brasil entender que o direito de defesa é tão importante quanto a liberdade de imprensa, caminharemos para uma elucidação mais serena para esse que é o maior câncer que enfrenta nossa nação: a corrupção.

Marcelo Knopfelmacher
Presidente do Movimento de Defesa da Advocacia – MDA” 

O Instituto dos Advogados de São Paulo defende que as investigações sobre os fatos que vêm sendo noticiados, envolvendo a maior empresa brasileira (Petrobras), devem ser livres e irrestritas, e as punições devem ser exemplares. Cabe destacar, contudo, que o advogado é a garantia fundamental de que não haja abusos nos processos e procedimentos, e que as leis sejam respeitadas.
As ilações ou suspeitas de que o advogado se beneficia no exercício regular da profissão são inadmissíveis e alimentam um jornalismo incompatível com a grandeza da liberdade da imprensa, especialmente diante da dimensão profissional de associados do IASP como Alberto Toron, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, Arnaldo Malheiros Filho, Luiz Flávio Borges D´Urso e José Luis Oliveira Lima.

José Horácio Halfeld Rezende Ribeiro
Presidente do Instituto dos Advogados de São Paulo

Revista Consultor Jurídico, 12 de março de 2015, 20h21

Comentários de leitores

15 comentários

Absurdo

Servidor estadual (Delegado de Polícia Estadual)

Triste ver que fomos à lua e ainda confundem a figura do advogado com a do assistido. Vejo certo preconceito contra advogados bem sucedidos, bem preparados, a OAB em minha humilde opinião fez bem em reagir, o direito à defesa é tão importante quanto o direito à liberdade de expressão. Já está na hora de a imprensa brasileira ser chamada a responsabilidade e ser mais isenta e profissional em suas reportagens.

A OAB é da Classe como um todo.

carlinhos (Defensor Público Estadual)

Se esses advogados referidos na reportagem de Veja em defesa de seus clientes se contentassem com os meios jurídicos e legais postos à sua disposição pela legislação específica vigente e não partissem para a equivocada estratégia de desconstrução do trabalho levado a efeito pelo Juiz Moro e pelo Ministério Público, através da Mídia e de redes sociais como assim o fizeram, dando azo
a que outros usassem o mesmo meio para rebatê-los, inclusive, a mídia profissional, nada disto estaria acontecendo e nem estaria em jogo ante a opinião pública a seriedade dos órgãos de classe, que acorreram para defendê-los de pronto, como se a advocacia se restringisse a eles, os grandes, tão somente. A bem da verdade, o que temos visto é a perda de credibilidade da OAB e de outros órgãos representativos da classe, em face da postura francamente partidária assumidas. Muitos perguntam onde está aquela OAB que, na vanguarda de todo
movimento patriótico, pingava pelos interesses noite e do Brasil e do povo brasileiro.

Não penso assim

Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

Não acho que a "pecha" deva servir e "magoar" a todos os advogados, nem mesmo aqueles que atuam nesse caso da Lava Jato. Evidentemente que na nossa profissão vivemos, por vezes, da desgraça dos outros e isso tmbém se aplica a tantas outras áreas de atividade humana, em especial os médicos (cujo patrimônio envolvido é o bem mais caro; a vida). Ganhar muito dinheiro defendendo bandidos não é pecado nem crime, de sorte que, para os que militam em favor das empresas "propineiras" o momento é agora mesmo e a tese do "quanto pior melhor" é absolutamente verdadeira. A única situação que abomino é a postura anti-ética, a (mal) exemplo do "então" ministro/advogado, Bastos, que acabara de cumprir quarentena depois de deixar o Ministério da Justiça (onde, por obvio, teve amplo conhecimento de questões sigilosas do Mensalão) mas passou para o outro lado do balcão rapidinho, quando tentado a fazê-lo por pura questão de "vaidade" como chegou a declarar (apelido por ele dado ao dinheiro). Os mesmos passos, que, ao que parece, vem ensaiando o seu sucessor, Min. Cardozo. Sobre isso, só o tempo dirá, já que teremos alguns anos de processo pela frente e a oportunidade certamente se apresentará. Agora se a própria C. de Ética da OAB não viu, á época e sobre aquele fato do então ministro Bastos, nada demais, então acho que, agora, está sendo hipócrita nessa defesa ferrenha de uns poucos colegas (que na verdade nem precisariam dela, posto que não têm qualquer impedimento para atuarem) usando, para isso, toda a classe, muito distante dessa "ofensa" e glamour midiático.

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