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Adequação da Justiça

Magistrados precisam aplicar Direito à realidade dos fatos

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Diante do cenário jurídico atual é quase inevitável fazermos a anamnese de nossas conquistas no terreno jurídico, especialmente no que se refere ao papel do sistema jurídico como técnica de controle social. Atualmente nenhum segmento social sente este apelo de maneira mais intensa do que o Direito: por todo lado vemos a busca desesperada por justiça, pela proteção das minorias, e, muito especialmente, pela adequação da justiça formal à realidade substancial dos fatos sociais, ou seja, a luta pelo realismo no Direito.

Dois pontos mais salientes são sempre lembrados em nossas críticas, o empírico descaso para com a justiça social e a falência, hoje indisfarçável, do sistema criminal como um todo, seja no definir a política repressiva, seja mais ainda em dinamizá-la, através de penas que sabidamente nada têm a ver com os enunciados formais e que de muito pouco valem para os propósitos ostensivos alardeados pelo sistema.

O apelo para uma volta aos princípios antigos, para uma reformulação do jurídico com base nos valores éticos e morais demanda, contudo, um posicionamento abrangente da questão fundamental ,seguindo em direção a um direito mais justo.  Todos nós, mais ou menos intensamente, estamos conscientes da realidade de a evolução jurídica formal, lenta mas inexoravelmente, se afastar cada vez mais do dado da moral.

 Um retorno às bases antigas, ou seja, o tentar-se reintroduzir ou aproximar o direito dos valores morais não pode consistir apenas em uma atividade intelectual, e menos ainda se identificar com uma interpretação conservadora da realidade dos fatos.

Esta preocupação, muito antes de ser filosófica, é, hoje, um grande dilema, dentro desse cenário jurídico. E não poderia ser de modo diverso. O Estado tem o monopólio da atividade jurisdicional e é por seus canais que se expressam oficialmente os princípios do Direito positivo. É, pois, de capital importância a posição da magistratura neste contexto de mudança, ou seja, na atividade de se reaproximar o Direito sistematizado e aplicado formalmente pelos tribunais e os princípios da moral e da justiça.

Esta constatação, simples e muito visível, leva-nos, de modo natural, à questão da liberdade do magistrado de adequar o Direito positivo à realidade fática concreta posta em julgamento. Quais serão os limites da atividade judicial e qual sistema jurídico permite flexibilidade ideal para que a decisão judicial possa expressar a justiça que se espera? 

João Mestieri é advogado, especialista em Direito Penal e professor da PUC-RJ (Direito Penal, Direito Processual Penal, Criminologia e Sociologia do Direito).

Revista Consultor Jurídico, 30 de junho de 2015, 10h23

Comentários de leitores

2 comentários

Hipocrisia!!!!!!!!!!

Flávio Marques (Advogado Autônomo - Criminal)

O advogado brada sobre a falência do sistema criminal e fala que se deve adaptar o direito a realidade dos fatos! Pois bem, até onde eu saiba, a realidade dos fatos diz que o povo, em sua grande maioria, aceita o encarceramento. Se o Estado não investe nas prisões, aí é outra história! É só o advogado que subscreve o artigo falar para o seu cliente Paulo Roberto Costa - e sua trupe - para parar de saquear tudo que pode dos cofres públicos que, com certeza, sobrará dinheiro para que o Estado invista em presídios que tenham estruturas díginas para que o criminoso cumpra a sua pena. Segundo, o direito não deve acolher só a posição de "minimalistas", pois se terá, neste caso, a ditadura da minoria da minoria. O direito é feito para a sociedade e, esta, em sua maioria esmagadora, defende o recrudescimento das penas e o maior rigor do direito penal. Ora, que "contrato social" é esse (?) em que a sociedade (em maioria esmagadora!) não tem o direito de fazer valer a sua vontade (ainda que não possa ser a forma mais justa! Mas o que é justiça?)! Isso é, então, um verdadeiro contrato de adesão ! Ademais, a função precípua do direito penal é punir! O indivíduo abre mão de seu direito privado de punir o seu agressor e o transfere para o Estado; se o Estado começa a inventar mil e uma "balelas" para não punir, o indivíduo, que abriu mão (obrigatoriamente!) de punir por si o seu ofensor, ficará com cara de bobo: ou seja, o privado não pode punir o seu algoz, e o Estado, por sua vez, inventa inúmeras hipóteses para não executar as ações de punições que foram retiradas a força do indivíduo! Fica a pergunta, se se não puder punir efetivamente o agente, conforme a SOCIEDADE entenda como sendo justo, como faço para revogar a minha assinatura do "contra social"?

PCR está bem assistido

LeandroRoth (Oficial de Justiça)

O causídico que subscreve o artigo é advogado do Sr. Paulo Roberto Costa na Operação Lava-Jato.
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Por que omitir tal fato, Conjur? Qualquer um pode descobrir com uma rápida busca no google.
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Quanto ao artigo, foi bem escrito e o tema é instigante, mas falou-se muito pouco sobre tema tão complexo.

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