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Questão internacional

Após incidente com senadores, Brasil enviará nova comitiva à Venezuela

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Após senadores brasileiros terem sido impedidos de trafegar na Venezuela, o Plenário do Senado, nesta quinta-feira (18), aprovou a ida de uma segunda comotiva ao país. Os nomes que integrarão esta nova comitiva ainda não foram definidos.

Nesta quinta-feira (18/6), a comitiva de senadores brasileiros que foi à Venezuela para pressionar o governo local a libertar presos políticos e marcar eleições parlamentares mal conseguiu sair do aeroporto.

Segundo José Agripino (DEM-RN), manifestantes esmurraram e atiraram pedras na van levava os parlamentares até o presídio onde estão alguns dos detidos. Depois de duas tentativas de sair do aeroporto, os políticos decidiram retornar ao Brasil na noite desta quinta.

Arapuca e boicote
O senador do DEM, que compunha a comitiva brasileira de parlamentares que visitou Caracas, capital da Venezuela, classificou a viagem do grupo ao país liderado por Nicolás Maduro como arapuca e boicote. Ele também criticou a posição adotada pelos governos do Brasil e da Venezuela à situação vivida pelos políticos em Caracas.

Governo brasileiro deveria convocar seu embaixador na Venezuela, disse Aécio
José Cruz/ABr

Ainda na Venezuela, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) cobrou uma atitude do governo brasileiro. "É preciso que haja uma manifestação do governo brasileiro. Inclusive, na minha avaliação, pedindo o retorno do embaixador brasileiro na Venezuela para saber o que efetivamente aconteceu", disse Aécio.

O senador mineiro afirmou ainda que a situação atual da Venezuela tem certa parcela de culpa do Brasil. “É uma demonstração clara de que o governo brasileiro não só se omite; o governo brasileiro, de alguma forma, é cúmplice daquilo que vem acontecendo na Venezuela, e colocou em risco a vida dos senadores brasileiros”, alegou.

Resposta brasileira
Em nota oficial, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), defendeu os senadores que estão em Caracas, na Venezuela, em missão oficial, para visitar opositores ao regime do presidente Nicolás Maduro. Leia a íntegra da nota:

O Presidente do Congresso Nacional recebeu relatos apreensivos da delegação de senadores brasileiros em viagem a Venezuela através dos senadores Cássio Cunha Lima, Aloysio Nunes Ferreira, Ronaldo Caiado e Aécio Neves. Há relatos de cerco à delegação brasileira, hostilidades, intimidações, ofensas e apedrejamento do veículo onde estão os senadores brasileiros. O presidente do Congresso Nacional repudia e abomina os acontecimentos narrados e vai cobrar uma reação altiva do governo brasileiro quanto aos gestos de intolerância narrados. As democracias verdadeiras não admitem conviver com manifestações incivilizadas e medievais. Eles precisam ser combatidos energicamente para que não se reproduzam.

Na Câmara dos Deputados foi aprovada, também nesta quinta-feira (18/6), uma moção de repúdio aos atos de protesto contra a delegação brasileira. Além disso, o presidente da Casa, Eduardo Cunha, conversou com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, por telefone. O ministro das Relações Exteriores foi acionado pela presidente Dilma Rousseff para atuar no incidente.

O deputado José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, confirmou que o governo brasileiro já está tomando providências junto ao governo venezuelano. “A presidente Dilma Rousseff já está acionando o governo da Venezuela, e o nosso governo não vai aceitar qualquer ação do governo venezuelano que comprometa o direito de ir e vir de líderes da oposição do Brasil”, completou.

Uma comissão de deputados vai conversar com o ministro das Relações Exteriores para verificar as medidas do governo brasileiro em relação ao episódio.

Vai esperar
Para o advogado e mestre em Direito Internacional Manuel Nabais da Furriela, o Brasil não irá convocar seu embaixador na Venezuela de volta agora. Ele diz que o governo “irá aguardar o desenrolar do caso” devido ao bom relacionamento entre as duas nações. “As relações são muito próximas, muito tradicionais”, disse.

Furriela concorda com o comentário de Aécio Neves sobre a parcela de culpa do governo brasileiro na situação venezuelana. Ele lembra que países com menor prestígio e força regional já se manifestaram contra a prisão dos presos políticos, mas “o Brasil nada fez sobre o tema nos últimos tempos”.

Em relação à segunda comitiva brasileira que já foi aprovada pelo Senado, o advogado afirma que esse tipo de medida será mais frequente, mas que tem receio sobre os resultados das novas visitas. “O único temor que tenho é que em vez de criticar a situação, os políticos que visitem a Venezuela passem à sociedade a ideia de que esse problema não existe”, finalizou. Com informações da Assessoria de Imprensa do PSDB e das agências Câmara e Senado.

Pelo Twitter, ainda durante a visita à Venezuela, senadores contaram o ocorrido:

 

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 18 de junho de 2015, 22h41

Comentários de leitores

14 comentários

Ditadura, qual ditadura?

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

A violência deve receber sempre censura. Mas, o que os venezuelanos fizeram foi um protesto que os brasileiros já deveriam estar fazendo, sem agressões, há muito anos em face aos famigerados políticos tupiniquins. Dizem que na Venezuela não há democracia, mas o que eu vejo é uma Venezuela mais democrática do que o Brasil pois aqui quem aqui se aventurasse a uma empreitada dessas em face a políticos e autoridades pública em geral não viveria para contar a história.

Cinismo

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

A única a coisa a ser lamentar no episódio é o cinismo dos políticos brasileiros. Foi na Venezuela "fiscalizar abusos e perseguições"? Ora, poderiam sair de a pé de seus gabinetes que em meia hora encontrariam situação muito pior aqui mesmo no Brasil. Estavam é torrando dinheiro do contribuinte, e possivelmente tramando meios de aumentar a carga tributária para compensar o gasto.

Comitiva de araque

JUNIOR - CONSULTOR NEGÓCIOS (Professor)

Esse senador Aécio Neves e seus asseclas que foram passear da mesma magnitude são fanfarrões. Esse pessoal foi fazer politicagem com dinheiro público, expuseram o Brasil em situação vexatória, porque nem foram para saber a posição do governo venezuelano sobre o tema. Aliás, como bem disse o senador Requião, esse tratamento que receberam é o mesmo que eles estimulam aos seus simpatizantes em face do governo atual.

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