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Grito de basta

Corrupção e violência não podem continuar sob o privilégio da impunidade

Comentários de leitores

12 comentários

Demorou!

Joe Tadashi Montenegro Satow (Delegado de Polícia Federal)

Muito bom. A sabedoria antiga já dizia "nom omne quod licet, honestum est". Creio que somente uma reforma política poderia resolver a controvérsia entre a voz das ruas e a legislação em vigor, pois , apesar do juiz não poder ser movido pelo clamor popular, leis que não escutam a voz das ruas não podem ser boas leis. Precisamos encarar o caos que nos encontramos e mudar, afinal, o primeiro passo é reconhecer o problema. Parece que o magistrado deu um passo.

Superando o discurso, chegando à maturidade

Alberto Caeiro (Serventuário)

Precisamos questionar também se maus exemplos, especialmente casos de corrupção envolvendo pessoas de maior notoriedade ou com maior repercussão, quando continuam sob o privilégio da impunidade, seriam ao invés de reflexo, a causa da avalanche de outros tipos de criminalidade que assolam nosso país a ponto de torná-la uma realidade surreal e inadmissível: em termos estatísticos, o Brasil é um país com incrível número de homicídios, sem estar em guerra.
Confirmada a corrupção e crimes com maior repercussão, como uma das causas mor, não seria mais adequado e eficaz o próprio Estado, a fim de cumprir de modo eficaz seu verdadeiro papel em um Estado Democrático de Direito, atuar de forma justamente qualificada, a fim de maximizar a repressão da conduta lesiva e estimular a prática da ética justamente pelos que estão obrigados à sua prática? Países civilizados como Japão, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, França, conhecem a força do exemplo, positivo e negativo, e a aplicam, em prol da coletividade, e nisto, até a mídia destes países, conscientes de seu papel multiplicador cultural, fazem a sua parte. No Japão, por exemplo, para tornar-se um artista, além dos dons naturais, é preciso possuir um excelente caráter, acima da média (mau caráter não serve como exemplo). Lembremos que na história da humanidade, sociedades que foram capazes de planejar e distribuir maior justiça, beneficiaram-se mais com esse esforço ético, do que nações que deixaram de o fazê-lo, pois com ética há maior harmonia, produtividade e progresso. Nestes países, índices de criminalidade são menores (digita “criminalidade no mundo” no Google)...
Veja também: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/04/brasil-e-o-11-pais-mais-inseguro-do-mundo-no-indice-de-progresso-social.html

Superando o discurso de Gérson, chegando à maturidade - II

Alberto Caeiro (Serventuário)

Por fim, a expressão “o certo é levar vantagem em tudo” passou a ter significado pejorativo: passou a rotular a ação de malandragem do sujeito da ação, explicitando seu egoísmo.
Passados mais de 20 anos, ainda não é possível saber se a expressão influenciou a sociedade brasileira, ou foi expressão maior de seus costumes.
Mas o fato é que hoje é possível facilmente constatarmos que em uma sociedade em que via de regra se pratica a conduta apregoada por Gérson, seus resultados não podem ser nada animadores. O que poderia se esperar afinal de contas, de uma sociedade onde todos, seduzidos, querem puerilmente apenas levar vantagem ?!...
Do discurso e prática, percebemos sua real nocividade, a ponto de seu principal protagonista, confessar publicamente seu arrependimento por tê-la feito, eis que involuntariamente vinculada sua imagem de craque, do futebol, à da malandragem.
Por fim resta-nos ainda, passados mais de 20 anos, refletirmos se da constatação da nocividade do discurso de Gérson, também seremos capazes de notar que também precisaremos nos livrar da conduta involuntariamente incentivada por Gérson ?!...
Afinal de contas, um país melhor se faz com Homens, Mulheres, e com uma consistente prática da ética, não apenas com lindas leis em papéis, mas respeitando-se harmoniosamente também o direito dos outros.
Chegará a hora de amadurecermos e percebermos que maior negócio do que levar vantagem em tudo, é efetivamente adotarmos a prática da ética em tudo ?! ...
Para tanto deveríamos voltarmos nossas mentes e corações para nações democráticas civilizadas que alcançaram melhor patamar, eis que sempre devemos mirar bons exemplos, e com maturidade e responsabilidade, agirmos em prol, com pró atividade.
Para tanto, há esperança; salutar convocação.

Superando o discurso de Gérson, chegando à maturidade - I

Alberto Caeiro (Serventuário)

Os mais novos não sabem, mas uma frase bombardeada pela mídia televisiva em cadeia nacional por uma celebridade do futebol em meados da década de 1980, apregoava ao Brasil de norte a sul, as vantagens do produto em relação aos seus concorrentes e arrematava com o seguinte bordão: “o importante é levar vantagem! Certo ?”.
É inegável que o intuito principal de tal propaganda era aumentar as vendas de uma marca de cigarros, pela empatia, e a estratégia de marketing do fabricante era associar o produto enaltecendo a criatividade do povo brasileiro em improvisar saídas em situações inusitadas, o famoso “jeitinho brasileiro” que à época já era prática reconhecida, inclusive, internacionalmente.
A estratégia foi um sucesso total e a propaganda pegou. Pegou de tal forma que foi incorporada no vocabulário cotidiano pátrio, primeiro para ilustrar situações de quebra de etiqueta toleráveis, associadas mais à uma esperteza do sujeito de um caso cotidiano do que má fé, pois havia foco apenas no resultado vantagem, sem olvidar-se para suas consequências.
Entretanto, repetida à exaustão, em pouco tempo a frase que estava associada à uma habilidade de sair-se com improviso de situações inusitadas, com a percepção de que possíveis consequências negativas daquele comportamento de improviso também poderiam afetar terceiros, passou a perder prestígio, pois se de um lado alguém levava vantagem, do outro lado, outros poderiam ser prejudicados: a frase perdeu definitivamente então seu caráter positivo, juvenil, e num conceito mais evoluído, passou a ser empregada também com sentido negativo.

Carta aberta a V. Exa.

Jaderbal (Advogado Autônomo)

E o que eu tenho a ver com isso? Tenho direito à todas as garantias processuais e tantas outras. V. Exa. é remunerada para assegurá-las, uma a uma. V. Exa. não tem legitimidade para falar em nome da sociedade, pois não é representante dela. Estranha-me que V. Exa. se digne a fazer um discurso desse teor, mais coerente com o de um político que rasgue a Constituição em busca de votos fáceis da população aterrorizada. Aterrorizada não por mim, posso lhe assegurar. Talvez esteja na profissão errada. Cada uma das pessoas que cometeu essas atrocidades que V. Exa. listou deveria ser punida, com os rigores da lei, mas também com seus benefícios. Se o Estado erra, eu nada tenho a ver com isso. Se algum dia vier a ser processado, espero jamais cair nas suas mãos. Não quero penas mais duras, nem abrir mão de meus recursos, etc. Não sei o que lhe fiz para V. Exa. ter tanto ódio de mim. Será que me julgou antecipadamente?

Incie dando exemplo.

Roberto Timóteo, advogado (Advogado Autônomo - Criminal)

Caro Desembargador Presidente, que tal começar a luta propondo a retirada de tramitação da constrangedora ( para a nação, pelo menos) proposta de lei substitutiva da LOMAN, ao tempo em que, se proporia a revogação da norma que concede a todos os magistrados, o vergonhoso, auxilio moradia de quatro mil e quinhentos reais mensais.Quanto a redução da idade para imputabilidade, lembro ao senhor que desde que me entendo por gente ( já estou chegando aos 60), todos os envolvidos nos grandes escândalos contava com mais de 40 anos, sendo que todos eles faziam parte da cúpula de um dos três poderes, ou com ela mantinha ligação direta ou indireta, portanto o nosso problema são os senhores grisalhos e não os menores pretos, pobres e filhos de prostituta ou a própria prostituta. Existindo o exemplo de cima de membros dos três poderes e nos quatro entes federativos, além de preocupação com o atendimento aos direitos sociais e maior rigor no tratamento com a paternidade irresponsável, por exemplo, acredito que diminuirá sobremaneira a necessidade de se recorrer a ultima ratio para solucionar a causa e não, como é sua função, apurar a consequência e punir o responsável.

Roger Machado

G. Ruggiero (Funcionário público)

Concordo com você!
Quem nos protegerá da bondade dos bons?

Interessante notar a "preocupação"

G. Ruggiero (Funcionário público)

Texto só reproduz o verdadeiro senso comum, o que está escrito aí já é falado todos os dias e sentido também, o problema é achar que o grande problema é a impunidade, finalmente percebemos então (sic)! basta aumentar a pena, basta prender mais, basta reduzir recursos, basta acabar com essa balela de garantias, que só servem para proteger bandidos (sic).
Interessante notar que o texto vem do tribunal que acaba de ganhar um gordo auxilio educação para filhos de seus membros! será que eles são melhores que o resto?
E ai de quem ouse discordar! Perde até cargos (vide a noticia sobre Siro Darlan, que percebeu a grande imoralidade dessas medidas para o judiciário)
Engraçado é esses mesmo se colocaram como defensores da moralidade, basta de hipocrisia.

O "poder" imbeciliza?!

Roger Machado (Funcionário público)

Os senhores são ávidos por poder. Querem sempre mais, a ponto de negar pressupostos básicos de um direito minimamente moderno e democrático. Ou por desconhecimento (embora ache improvável, já não duvido) ou por desonestidade.
Vocês não são os bons. Não pra quem conhece o sistema mais de perto.
Se o direito penal não tem funcionado preventivamente (essa balela de prevenção ainda toma conta de livros e cursos) contra a criminalidade, que sirva contra juízes, promotores, delegados, enfim...
Toda a resistência àqueles que não se seduzem por esse discurso fajuto de justiceiro e paladino da moral e da justiça!
Se o direito penal não pode cumprir a promessa (oh ilusão!) de vida feliz e protegida contra a criminalidade de rua (quem disse que o direito penal pode resolver o problema da violência?), que o faça, pelo menos que tente, contra o sistema estatal...
Que os dois textos (do desembargador e da juíza) sejam pedantes, pela mensagem implícita, não há dúvida.
A propósito, o articulista não é o mesmo que recentemente desligou outro desembargador de determinadas funções no RJ, por conta de críticas ao pretendido "bolsa-escola" para filho de magistrados? Aliás, com uma recomendação inconstitucional (que as críticas fossem feitas de maneira anônima)...
Que toda essa estrutura arbitrária encontre focos de resistência no direito penal mais comprometido constitucionalmente! Nada de justiceiros. O Direito é maior do que todos vocês.

Sociedade acuada

Luiz Carlos de Oliveira Cesar Zubcov (Advogado Autônomo)

A verdade que ninguém enfrenta e que é a responsável pela plenitude das tragédias sociais, inclusas todas as formas de criminalidade: A IMPUNIDADE DO PODER POLÍTICO.
E chega de retórica!

retificacao

_Eduardo_ (Outro)

minha referencia nao foi ao articulista, mas ao trecho colocado no artigo

assustado

_Eduardo_ (Outro)

assusta-me um juiz nao saber o que significa ser um juiz de garantias. Nao saber, ou querer fazer confundir que é um juiz que protege bandidos. estamos sim refens da violencia urbana, mas tambem refens de um estado que nao sabe o que faz, inclusive quando julgadores resolvem tomar as redes e fazer poliltica de seguranca publica

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